Reestruturação da TAP: Boston Consulting Group escolhida para elaboração do plano

“A Boston Consulting Group (BCG), consultora selecionada para a elaboração do referido plano [de reestruturação] e para apoiar a TAP até à sua aprovação nas instâncias comunitárias, irá iniciar os seus trabalhos na próxima segunda-feira, dia 17 de agosto”, lê-se na mensagem de Miguel Frasquilho.

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A Boston Consulting Group foi a consultora selecionada para a elaboração do plano de reestruturação da TAP, anunciou hoje o presidente do Conselho de Administração do grupo, Miguel Frasquilho, numa carta aos colaboradores a que a Lusa teve acesso.

“A Boston Consulting Group (BCG), consultora selecionada para a elaboração do referido plano [de reestruturação] e para apoiar a TAP até à sua aprovação nas instâncias comunitárias, irá iniciar os seus trabalhos na próxima segunda-feira, dia 17 de agosto”, lê-se na mensagem de Miguel Frasquilho.

No seguimento da aprovação pela Comissão Europeia de um auxílio estatal à TAP, o grupo aéreo procedeu a uma consulta no mercado para selecionar uma entidade que preste serviços de consultoria, no sentido de auxiliar na elaboração de um plano de reestruturação, a apresentar à Comissão Europeia.

“Queremos que este plano de reestruturação que se irá iniciar seja e se transforme num verdadeiro Plano de Recuperação da TAP”, refere, no mesmo documento, o presidente do Conselho de Administração do grupo TAP.

“Os tempos que estamos a enfrentar, e que aí vêm, não são, nem serão, fáceis. Mas, trabalhando todos em conjunto e unidos, ultrapassaremos estas dificuldades e asseguraremos o futuro sustentável da nossa TAP”, acrescenta Miguel Frasquilho.

Em 21 de julho, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos anunciou que a TAP iria contratar uma consultora de recursos humanos para fazer a avaliação dos gestores da empresa, para “apoiar” o processo de reestruturação, adiantou hoje o ministro das Infraestruturas.

“Haverá outra empresa de ‘head hunting’ [consultora de recursos humanos], que não é contratada por nós, para fazer a avaliação das primeiras linhas da TAP, das segundas linhas, dos quadros da TAP, para percebermos quem são, que valências têm, que experiência têm, que competências têm”, disse aos jornalistas o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, à saída de uma audição na Assembleia da República.

O objetivo, esclareceu o governante, é o de conhecer a empresa, as pessoas e até as competências que já nela existem.

O ministro explicou ainda que era a própria TAP que estava a fazer o processo de escolha da empresa consultora, bem como do banco de investimento.

Cabe ao Governo fazer a escolha da empresa que terá como função selecionar o novo presidente executivo (CEO) da TAP, que vai suceder a Antonoaldo Neves na liderança do grupo.

O Conselho de Ministros aprovou em 17 de julho a concessão de um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP, em conformidade com a decisão da Comissão Europeia.

“O Conselho de Ministros aprovou hoje [17 de julho], por via eletrónica, a concessão de um empréstimo à Transportes Aéreos Portugueses, S.A. (TAP), no montante máximo de 1.200 milhões de euros, em conformidade com a decisão da Comissão Europeia […] de 10 de junho de 2020, bem como as minutas dos respetivos contratos de financiamento e acordo complementar”, indicou, em comunicado, o Governo.

Além do empréstimo remunerado a favor do Grupo TAP de 946 milhões, ao qual poderão acrescer 254 milhões, sem que, contudo, o Estado se encontre vinculado à sua disponibilização, as negociações tinham em vista a aquisição, por parte do Estado Português, “de participações sociais, de direitos económicos e de uma parte das prestações acessórias da atual acionista da TAP SGPS, Atlantic Gateway, SGPS, Lda.”.

Desta forma, o Estado Português passa a deter uma participação social total de 72,5% e os correspondentes direitos económicos na TAP SGPS, pelo montante de 55 milhões de euros, referiu.

Com esta operação, estabelece-se “a transmissão de participações sociais representativas de 22,5% do capital social e dos direitos de voto na TAP SGPS, passando o Estado a deter uma participação social total de 72,5%, e os correspondentes direitos económicos, pelo montante de 55 milhões de euros”.

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