Refinaria de Matosinhos. Ministro do Ambiente critica Galp por não se ter reunido formalmente com trabalhadores: “Está mal que assim seja feito”

Matos Fernandes também defendeu que os trabalhadores devem ter uma compensação financeira justa por perderem o posto de trabalho. “Não me demito de repeti-lo: Sendo a Galp uma grande marca portuguesa eu tenho a forte expetativa que a Galp vá além da lei”.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática deixou hoje críticas à Galp por não se ter reunido formalmente com os trabalhadores da refinaria de Matosinhos, que vai encerrar este ano.

Em audição no Parlamento esta quinta-feira, João Pedro Matos Fernandes explicava quando soube do encerramento anunciado publicamente na segunda-feira, 21 de dezembro.

“Eu próprio tive um telefonema [da Galp a anunciar o fecho] no último dia útil antes do anúncio ser feito, na sexta feira [18 de dezembro]”, disse hoje o ministro, explicando que foi um “telefonema de cortesia” onde foi pedido que mantivesse “segredo” até o anúncio público.

“Fora eu gestor da Galp a minha preocupação não era nesse dia de fazer reuniões com A, B ou C, era reunir com os trabalhadores nesse mesmo dia”, afirmou na audição na comissão parlamentar de Ambiente e Energia.

“Foi com muita surpresa que, quando na semana passada reuni com os sindicatos, eles-me disseram que ainda não tinha havido nenhuma reunião formal com os trabalhadores”, revelou o ministro.

“É mal, está mal que assim seja feito. Não estou a discutir questões legais, mas não é assim que se faz. Fui gestor muito anos, em situação alguma eu procederia desta forma”, criticou o governante.

Matos Fernandes também defendeu que os trabalhadores devem ser compensados justamente financeiramente por perderem o posto de trabalho. “A responsabilidade direta social pelo que é a justa indemnização dos trabalhadores em causa, e a responsabilidade da Galp é paga com dinheiros da própria Galp. Não me demito de repeti-lo: Sendo a Galp uma grande marca portuguesa eu tenho a forte expetativa que a Galp vá além da lei”.

Na sua intervenção, também explicou que os fundos europeus do Fundo para a Transição Justa (FTJ) não servem para “pagar despedimentos, pagara a reconversão e a criação de novos postos de trabalho”.
“Sendo que aquilo que são as responsabilidades da Galp, seja do ponto de vista ambiental direto, ainda que o FTJ possa pagar em tese a descontaminação dos solos não daremos um tostão para isso, será a Galp a fazê-lo”, afirmou.

O administrador da Galp, José Carlos Silva, disse na quinta-feira no Parlamento que dos 401 postos de trabalho diretos na refinaria de Matosinhos a empresa está à procura de soluções para 341, pois 60 vão continuar a trabalhar no parque logístico no local da refinaria.

“Para os restantes [341 trabalhadores], a mobilidade interna, a requalificação de competências, ou os quadros de reforma ou pré-reforma, estão entre os cenários preferenciais em avaliação”, disse o responsável na quinta-feira. Em termos de trabalhadores indiretos afetados pelo encerramento da refinaria, o responsável apontou que existem entre “400 a 420 pessoas” que prestam serviços externos.

Refinaria de Matosinhos. 60 trabalhadores ficam no parque logístico

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