O setor financeiro em Portugal destaca-se com uma remuneração média de 3.250 euros, situando-se 70% acima da média nacional de 1.877 euros, segundo dados da Randstad Research.
Nos últimos dez anos, a remuneração dos trabalhadores do setor financeiro cresceu 24%, um desempenho que representa menos de metade do crescimento de 53% observado na remuneração geral do país. No último ano, teve um aumento de 2,6% e de 1,3% no último mês.
A análise revela também um setor caracterizado por uma força de trabalho maioritariamente feminina (54%), alta especialização funcional e um recorde de emprego (79,7 mil) no setor bancário, apesar de uma redução superior a 50% na rede física de balcões desde 2012.
Assim, no terceiro trimestre de 2025, as mulheres representavam quase 54% do emprego no setor, totalizando 61 mil pessoas, enquanto os homens constituíam 46% (52 mil pessoas).
A Randstad aponta ainda que a transformação mais visível do setor bancário é a contração da rede física. Desde 2012, o número de agências bancárias em Portugal reduziu-se para menos de metade, passando de 5.571 para apenas 2.751 estabelecimentos. Este fenómeno sinaliza a transição definitiva para o digital e o homebanking.
Entre 2012 e 2024, verificou-se o encerramento de mais de metade da rede de bancos e caixas económicas, que passaram de 5.571 para 2.751 estabelecimentos. Esta racionalização física foi acompanhada por uma especialização das funções: atualmente, o setor é dominado por especialistas das atividades intelectuais e científicas (42,9%) e técnicos de nível intermédio (28,8%).
Assim, o setor já não procura administrativos de perfil geral, mas sim talento altamente qualificado, pelo que 71,7% das funções são ocupadas por especialistas de atividades intelectuais/científicas ou técnicos de nível intermédio.
Numa análise desagregada por atividade, é visível que o motor do emprego reside no núcleo bancário. Enquanto o setor dos seguros estabilizou recentemente nos 19,8 mil profissionais (após um pico na pandemia), as atividades de serviços financeiros (Banca) atingiram, no terceiro trimestre de 2025, um recorde histórico de 79,7 mil empregados. O que faz da banca o verdadeiro motor de crescimento do emprego no setor financeiro.
Este valor, o mais alto de toda a série analisada, confirma que o setor bancário superou largamente os mínimos registados no período pós-Troika, consolidando uma trajetória de recuperação robusta.
Este crescimento prova que, apesar de haver menos balcões, há mais emprego especializado nas sedes e centros tecnológicos dos bancos.
O setor financeiro em Portugal atravessa assim uma mutação estrutural. Segundo Joana Gonçalves da Randstad Portugal, a estabilidade e os altos salários convivem agora com a exigência de novas competências digitais, à medida que a banca física perde terreno para a eficiência tecnológica.
Em termos de desemprego, o setor financeiro vive um cenário de quase pleno emprego, segundo a Randstad. Com apenas 2.022 inscritos nos centros de emprego, representa uns meros 0,8% do desemprego total em Portugal. A maior parte das oportunidades e da procura concentra-se, naturalmente, nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
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