Repsol assina contrato de investimento de 657 milhões em Portugal que pode gerar mil empregos (com áudio)

Na sua fase de construção, este projeto empregará uma média de 550 pessoas, atingindo um pico de mais de 1.000 postos de trabalho. Quando estiver operacional, o aumento líquido de postos de trabalho será de cerca de 75 empregos diretos e 300 indiretos, assegura a Repsol.

A Repsol assinou hoje um contrato de investimento de 657 milhões de euros com o Governo português. O projeto da Repsol para o Complexo Industrial de Sines, durante a fase de construção, estima-se que sejam criados, em média, 550 empregos, com momentos que poderão chegar a mais de 1.000 postos de trabalho, segundo o comunicado enviado às redações.

“Quando as fábricas estiverem em funcionamento, o aumento de pessoal será de cerca de 75 empregos diretos e 300 empregos indiretos. Em linha com o empenho da Repsol para atrair e reter talento, todos os postos de trabalho mantidos e criados serão qualificados, não deslocalizáveis”, refere a Repsol.

Numa cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro, António Costa, e com a presença do Ministro de Estado, da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, a Repsol, na presença do seu Presidente, Antonio Brufau e CEO, Josu Jon Imaz, assinou o contrato de investimento com o Governo português. O investimento de 657 milhões de euros, agora formalizado, foi considerado, pelo Estado português, como sendo de potencial interesse nacional (PIN), o que levou à contratualização de incentivos fiscais ao investimento no valor de até 63 milhões de euros.

Com base neste contrato, a multinergética de origem espanhola “vai investir 657 milhões de euros para ampliar o seu Complexo Industrial de Sines, alinhando com os objetivos do Acordo de Paris e com a transição energética”.

Este investimento industrial, que é o maior dos últimos dez anos em Portugal e permitirá melhorar a balança comercial do país, contempla a construção de duas fábricas de polímeros, cada uma com uma capacidade de 300 mil toneladas por ano, com produtos 100% recicláveis.

“O maior investimento industrial realizado nos últimos 10 anos em Portugal, que permitirá melhorar a balança comercial do país, contempla a construção de uma fábrica de polietileno linear (PEL) e uma fábrica de polipropileno (PP), cada uma com uma capacidade de 300.000 toneladas por ano. As tecnologias de ambas as fábricas, que têm conclusão prevista para 2025, garantem a máxima eficiência energética, são líderes de mercado e as primeiras do seu género a serem instaladas na Península Ibérica. Contribuirão, ainda, para a integração e diversificação da área industrial da Repsol e a sua liderança na Europa. Os novos produtos são 100% recicláveis, como com todas as poliolefinas Repsol, e podem ser utilizados para aplicações altamente especializadas, alinhadas com a transição energética nas indústrias farmacêutica, automóvel ou alimentar”, lê-se no comunicado.

A Repsol diz também que “as tecnologias de ambas as fábricas, que têm conclusão prevista para 2025, garantem a máxima eficiência energética, são líderes de mercado e as primeiras do seu género a serem instaladas na Península Ibérica. Contribuirão, ainda, para a integração e diversificação da área industrial da Repsol e a sua liderança na Europa”.

Ao impacto direto deste investimento na balança comercial, acrescerá o decorrente do efeito multiplicador da disponibilização, em volume e proximidade, de matérias indispensáveis à competitividade e ao crescimento da indústria transformadora destes importantes setores exportadores,  refere o comunicado.

O Presidente da Repsol, Antonio Brufau, no seu discurso, referiu que “a indústria e a tecnologia são dois avanços essenciais para a competitividade da economia de um país.” Destacou, ainda, que “a iniciativa privada e as políticas públicas devem trabalhar em conjunto, da melhor forma possível, para uma transição energética compatível com a competitividade económica e a redução de emissões”.

Antonio Brufau salientou a importância deste investimento estratégico, tanto para a Repsol como para Portugal, que se soma a outros realizados pela empresa no país, tais como a aquisição do complexo industrial de Sines – a maior instalação petroquímica em Portugal – em 2004 e, também nesse mesmo ano, de uma importante rede de estações de serviço.

A Repsol tem sido um dos maiores investidores nos últimos anos em Portugal, o que lhe permitiu consolidar a sua posição, num país onde emprega, diretamente, 1.300 pessoas, tem 150 mil  clientes diários e uma quota de mercado que, em alguns negócios, ultrapassa os 20%.

Segundo Josu Jon Imaz, CEO da Repsol, “este investimento demonstra o compromisso da Repsol com o seu complexo industrial e com a geração de riqueza e emprego de qualidade em Portugal. O Complexo Industrial de Sines tornar-se-á numa referência europeia e os materiais avançados que produzirá terão um papel importante na descarbonização da sociedade”.

Este projeto permite à Repsol “prosseguir o seu objetivo de ser uma empresa de emissões líquidas zero até 2050 e está alinhado com a estratégia do Acordo de Paris”.

“Além disso, este investimento, em conjugação com a localização estratégica da ZILS – Zona Industrial e Logística de Sines (gerida pela AICEP Global Parques – Gestão de Áreas Empresariais e Serviços, subsidiária da AICEP), a proximidade ao porto de Sines e a criação de novas instalações logísticas, como a anunciada pela IP de Portugal para a reabilitação do Ramal do Complexo Industrial de Sines, permitirá desenvolver mais sinergias na área industrial da empresa, melhorar a conexão ao mercado europeu e reduzir a pegada de carbono do transporte dos produtos”, acrescenta a empresa de energia com sede em Espanha.

O Plano Estratégico 2021-2025 da Repsol prevê um investimento total de 19.300 milhões de euros entre 2021 e 2025 e várias ações para desenvolver a sua atividade industrial, “que já se caracteriza pela elevada competitividade e posição de liderança na Europa”.

“Esta área de negócio é de grande importância na criação de emprego, competitividade e riqueza, e será capaz de continuar a fornecer à sociedade os bens de que necessita, mas com uma pegada de carbono baixa, nula ou mesmo negativa” refere a Repsol que garante já estar a transformar todos os seus complexos industriais em centros multienergéticos, “equipando-os com as mais recentes tecnologias que lhes permitem descarbonizar os seus processos, através da melhoraria da eficiência energética, do impulso da economia circular, da produção de hidrogénio sustentável e incremento da utilização e captura de CO2”.

A Repsol fabrica e comercializa uma grande variedade de produtos poliméricos, desde básicos a derivados. A empresa está comprometida com uma química eficiente com produtos com menor pegada de carbono e orientada para a economia circular, contando entre os seus objetivos reciclar o equivalente a 20% da sua produção de poliolefinas até 2030.

 

 

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