“Responsabilidade do Estado e regulador deveria ser apoiar os operadores já no mercado”, defende Altice Europe

O administrador financeiro (CFO) da Altice Europe afirmou na quinta-feira que a responsabilidade do Estado e do regulador portugueses “deveria ser apoiar os operadores já no mercado”, quando questionado sobre o leilão 5G em Portugal.

Malo Corbin falava na conferência telefónica com analistas, na sequência da apresentação de resultados do terceiro trimestre do grupo Altice.

“Há um leilão 5G que vai decorrer em Portugal, o regulador, Anacom, já divulgou as regras do leilão”, começou por dizer Malo Corbin.

“Não é tão vantajoso para os novos operadores como era há umas semanas ou meses, mas ainda assim dá algumas vantagens aos novos operadores que nós acreditamos que são medidas não concorrenciais” considerou o gestor.

Corbin disse que não via isso “como positivo para o país, para o investimento de todos os operadores existentes no mercado, em particular num momento” em que todos estão sob pressão provocada pela pandemia de covid-19.

“A responsabilidade do Estado e do regulador deveria ser apoiar os operadores já no mercado, estamos a inovar e a investir para o consumidor”, afirmou.

O prazo para a candidatura ao leilão está a decorrer, prevendo-se que as licenças sejam atribuídas no primeiro trimestre do próximo ano, num processo marcado pela litigância dos operadores contra o regulamento e duras críticas ao regulador Anacom.

“Temos de ver os resultados desse leilão para vermos qual o impacto, se algum, em Portugal”, disse Malo Corbin.

Por sua vez, Dennis Okhuijsen, ‘advisor’ da Altice Europe, disse fazer “eco da frustração” de que os operadores já expressaram em torno do leilão.

“Portugal é um mercado onde já existem quatro operadores”, salientou Okhuijsen, destacando o “sucesso que tem sido trazido ao país ao nível da tecnologia”.

Portugal “foi o primeiro país a ser fibrado na Europa, a cobertura 4G foi feita logo muito cedo, por isso, os operadores existentes têm feito um investimento tremendo para fazer de Portugal um dos líderes nesta área na Europa”, sublinhou.

“Por isso, é muito contraintuitivo agora que o Governo português parece ter alterado a sua tática num mercado que tem trazido toda a esta tecnologia para os clientes portugueses”, acrescentou, referindo que a Altice está alinhada “com os comentários” dos concorrentes “nesta frente”.

O prazo para a entrega das candidaturas para o leilão termina em 27 de novembro.

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