Respostas Rápidas: Trump ordenou a morte de general iraniano. Quais as consequências?

O Pentágono comunicou esta sexta-feira que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou um ataque aéreo que matou o comandante da força de elite iraniana Al-Quds, o general Qassem Soleimani. Líder supremo do Irão declarou três dias de luto nacional e deixou a promessa de vingança.

Quem morreu no ataque ao aeroporto internacional de Bagdad?

As autoridades de segurança do Iraque anunciaram esta sexta-feira, 3 de dezembro, que o comandante da força de elite iraniana Al-Quds, o general Qassem Soleimani, morreu num ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Bagdad. Neste mesmo ataque faleceu também o ‘número dois’ da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi]. O ataque terá vitimado pelo menos oito pessoas.

Quem ordenou este ataque?

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ordenou a morte do comandante da força de elite iraniana Al-Quds general Qassem Soleimani. A informação foi confirmada pelo Pentágono. “Por ordem do presidente, as forças armadas dos Estados Unidos tomou medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal norte-americano no estrangeiro, matando Qassem Soleimani”, indicou o Departamento de Defesa norte-americano, em comunicado.

Quem era Qassem Soleimani?

Qassem Soleimani nasceu em 1957 e começou por trabalhar na construção civil para pagar as dívidas do pai. Tornou-se responsável pelas operações externas da Guarda Revolucionária Iraniana, uma divisão das forças armadas em que tinha entrado logo a seguir à Revolução Iraniana. Em 1998 tornou-se líder da Força Quds e era apontado como um possível nome para assumir o comando do Irão.

Que razões terão levado a este ataque dos Estados Unidos?

O Pentágono refere que Soleimani estava “ativamente a desenvolver planos para atacar diplomatas e membros de serviço norte americanos no Iraque e em toda a região”. O Departamento de Defesa dos EUA acusou Soleimani de aprovar o assalto inédito à embaixada dos Estados Unidos em Bagdad no início desta semana, frisando que o general iraniano “tinha como objetivo dissuadir futuros planos de ataque iranianos”.

Na base deste ataque poderá estar uma retaliação dos Estados Unidos ao ataque do dia 31 de dezembro, quando de milhares de manifestantes invadiram a embaixada dos EUA em Bagdad, queimando bandeiras, derrubando câmaras de vigilância e gritando “morte à América”.

O ataque à embaixada durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente. Este ataque foi uma resposta do Irão depois de um bombardeamento aéreo por parte dos Estados Unidos que matou 25 combatentes da milícia iraquiana.

De que forma reagiu o Irão a este ataque dos EUA?

O chefe da diplomacia do Irão Mohammad Javad Zarif, utilizou a sua conta da rede social Twitter para alertar que a morte do general iraniano Qassem Soleimani constitui uma “escalada extremamente perigosa”. “O ato de terrorismo internacional dos Estados Unidos (…) é extremamente perigoso e uma escalada imprudente” das tensões, afirmou Mohammad Javad Zarif, numa mensagem publicada na rede social Twitter.

Quem também já reagiu a este ataque dos Estados Unidos foi o antigo líder da Guarda Revolucionária iraniana Mohsen Rezai, prometendo vingança. “Soleimani juntou-se aos nossos irmãos mártires, mas a nossa vingança contra a América será terrível”.

Como pretender responder o líder supremo do Irão?

O líder supremo do Irão, Ali Khamenei promete vingar a morte do general iraniano Qassem Soleimani e já declarou três dias de luto nacional. “O martírio é a recompensa pelo trabalho incansável durante todos estes anos. Se Deus quiser, o seu trabalho e o seu caminho não vão acabar aqui. Uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires”, afirmou.

Que medidas tomou a embaixada dos Estados Unidos no Iraque?

A embaixada norte-americana em Bagdad já pediu aos seus cidadãos que deixem o Iraque “imediatamente”. A representação diplomática dos EUA pediu aos norte-americanos no Iraque “que partam de avião o mais rápido possível” ou saiam “para outros países por via terrestre”. As principais passagens de fronteira do Iraque levam ao Irão e à Síria, mas há outros pontos de passagem para a Arábia Saudita e a Turquia.

Como estão a reagir os outros países ao ataque norte-americano?

A Rússia, a França, a Inglaterra e a China reagiram ao ataque aéreo dos Estados Unidos ao aeroporto internacional de Bagdad que vitimou o general Qassem Soleimani.

“O assassínio de Soleimani é um passo arriscado que levará ao aumento das tensões na região”, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, citado pelas agências RIA Novosti e TASS. “Soleimani serviu fielmente os interesses do Irão. Oferecemos as nossas sinceras condolências ao povo iraniano”.

Por sua vez, a França pediu “estabilidade” no Médio Oriente, através da secretária de Estado para Assuntos Europeu, Amélie de Montchalin. “Estamos a acordar num mundo mais perigoso. A escalada militar é sempre perigosa”, referiu Amélie de Montchalin à rádio “RTL”

Já a China expressou “preocupação” e pediu “calma” depois da morte de Soleimani. “Pedimos a todas as partes envolvidas, especialmente aos Estados Unidos, que mantenham a calma e contenção para evitar nova escalada da tensão”, informou o porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang.

Por seu lado, a Inglaterra aumentou a segurança nas bases militares no Médio Oriente. A Inglaterra tem cerca de 400 militares no Iraque e estão localizados principalmente na base de Taji, no norte de Bagdad. “A segurança dos nossos militares é de extrema importância e mantemos as nossas medidas de proteção de sob constante revisão. Não devemos fazer comentários sobre as medidas específicas de proteção”, informou o porta-voz do Ministério da Defesa à “Sky News”.

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