Resultados operacionais da CUF caíram 24% em 2020, para 533,5 milhões de euros

No ano passado, a participada do Grupo José de Mello para o sector da saúde apresentou um resultado líquido consolidado negativo de 23,8 milhões de euros.

Os rendimentos operacionais consolidados da CUF atingiram os 533,5 milhões de euros no ano passado, o que representa uma redução de 24,0% face ao período homólogo.

“Excluindo a atividade da PPP [Parceria Público-Privada] de Braga e os seus efeitos extraordinários em 2019, a diminuição dos rendimentos operacionais face a 2019 é de 6,8%, refletindo o impacto da pandemia de Covid-19”, explica um comunicado da empresa do Grupo José de Mello.

No ano passado, a CUF registou também uma diminuição do EBITDA para 44,3 milhões de euros (menos 54,7% Vs. 2019), “devido à quebra da atividade e manutenção da capacidade total disponível assim como da totalidade dos recursos humanos (não tendo recorrido a qualquer ‘lay-off’)”.

“A ‘performance’ operacional originou um resultado líquido consolidado negativo em 23,8 milhões de euros, o que compara com 29 milhões de euros positivos no período homólogo. Contudo, este resultado foi também prejudicado pela constituição de perdas por imparidade e de provisões relacionadas com os contratos das PPP do Hospital Vila Franca de Xira e do Hospital de Braga (13,7 milhões de euros)”, explica o comunicado da CUF.

Por seu turno, o rácio dívida financeira líquida/EBITDA aumentou de 4,48x, no final de 2019, para 11,49x, “por via da redução acentuada do EBITDA e do aumento da dívida financeira líquida consolidada em 70,7 milhões de euros para 509,5 milhões de euros”.

“O aumento da dívida decorre da conclusão do plano de investimento, nomeadamente dos Hospitais CUF Tejo, CUF Sintra e CUF Torres Vedras, bem como do recurso a linhas de financiamento de curto-prazo, devido ao contexto da pandemia de Covid-19”, adianta o referido comunicado.

Os responsáveis do grupo destacam ainda que, “no decorrer do segundo semestre, a CUF obteve, junto dos detentores de obrigações, um consentimento para o não cumprimento do limite de 6,0x do rácio dívida financeira líquida/EBITDA, exclusivamente para o exercício de 2020, substituindo o mesmo por um limite máximo de 570 milhões de euros na dívida financeira líquida, que foi confortavelmente cumprido”.

A CUF assinala também a redução da atividade da prestação privada em praticamente todos os indicadores assistenciais, “sendo, no entanto, de destacar a recuperação na generalidade destes indicadores a partir de junho”.

Os rendimentos operacionais na rede CUF atingiram os 459,8 milhões de euros no exercício de 2020, diminuindo 6,2% face ao período homólogo. O EBITDA teve uma queda de 36,8%, e a sua margem degradou-se em 5,3 pontos percentuais.

Na prestação pública (Hospital de Vila Franca de Xira), os rendimentos operacionais da CUF decresceram 11% e o EBITDA diminuiu 10 milhões de euros, atingindo o valor negativo de 3,6 milhões de euros.

“O ano de 2020 ficou inevitavelmente marcado pela pandemia de Covid-19. Enquanto prestador de cuidados de saúde de referência, líder no setor privado, a CUF assumiu, em 2020, um papel central, apresentando uma resposta eficaz aos doentes Covid-19, prestando o necessário apoio ao SNS [Serviço Nacional de Saúde] com disponibilização de camas em vários hospitais da rede, e simultaneamente garantindo o acesso, em qualidade e segurança, aos doentes não-Covid”, assegura o referido comunicado.

De acordo com esse documento, “apesar das exigências que 2020 apresentou, em paralelo com a resposta à pandemia, a CUF materializou o crescimento da sua rede com projetos estruturantes, como a abertura do maior e mais emblemático projeto dos seus 75 anos de existência, o Hospital CUF Tejo, com a abertura da segunda fase do Hospital CUF Sintra e com a expansão do Hospital CUF Torres Vedras, o que se traduziu num investimento de 67,4 milhões de euros em 2020”.

“Fruto da confiança dos clientes e da resiliência das equipas na retoma da atividade, o segundo semestre de 2020 traduziu um crescimento da atividade face ao período homólogo. No entanto, como seria de esperar, tendo em conta a redução da atividade registada no primeiro semestre, que gerou um impacto significativo nas contas consolidadas da CUF, o desempenho global do ano é negativo”, assinala o comunicado em questão, acrescentando que “o Hospital Vila Franca de Xira, Parceria Público-Privada (PPP) gerida pela CUF, foi também fortemente impactada pela pandemia, tendo o resultado operacional do segmento público sido negativo em 20,7 milhões de euros”.

Em consequência, a CUF apresenta um resultado líquido consolidado negativo de 23,8 milhões de euros.

“Não obstante o último ano ter sido significativamente marcado pela pandemia Covid-19, a pandemia ainda está longe de estar controlada. A incerteza quanto à sua duração ainda persiste e isso terá naturalmente impactos na atividade da CUF. A CUF, enquanto prestador de cuidados de saúde de referência, tem estado em estreita articulação com as autoridades públicas, nomeadamente a Direção-Geral da Saúde (DGS), tendo sido firmados acordos de cooperação com as Autoridades Regionais de Saúde (ARS) que preveem a disponibilização de camas, com vista a reforçar a capacidade de resposta do SNS”, conclui o comunicado do grupo.

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