Desde 2017 que temos enfrentado catástrofes e desastres com falhas estruturais da resposta do Estado a um ritmo quase anual. O registo seria ainda pior se incluíssemos nesta lista desgraçada a disrupção no serviço público de saúde, com efeitos generalizados ao país, ou os infortúnios regionais e setoriais sem amplitude nacional.

A regra é que a resposta seja técnica, primeiro, dada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, pelo Ministério da Administração Interna, depois pelos ministérios da Saúde, do Ambiente, da Agricultura ou da Defesa, dependendo do que seja necessário enfrentar. A gestão política a um nível mais elevado só intervém quando se percebe que a questão é nacional ou quando tudo descamba e é preciso limitar danos.

O problema é que a tal resposta técnica setorial não tem funcionado. Incêndios, cheias, o primeiro embate da pandemia. A regra é ser tardia e desarticulada, mais solidária do que institucional. Desenrascamos muito. A intervenção do primeiro-ministro, que deveria ser excecional, tornou-se obrigatória. E o pior é que não aprendemos de um episódio para o outro, repetimos tudo: esperamos para ver se o problema se resolve sozinho, com receio de reagir desproporcionalmente; depois, a realidade impõe-se e gera-se a cacofonia descoordenada. Não é do ministro, é do sistema.

Sabemos que os eventos catastróficos vão multiplicar-se e devíamos mudar o padrão de resposta para não termos os mesmos resultados. Abordagem técnica, sim, sempre. Mas tudo concentrado no primeiro-ministro, garantindo peso político para que a engrenagem funcione com o mínimo atrito. E a estrutura deve ser permanente, porque as crises são recorrentes, testada, assimilando os ensinamentos do que aconteceu antes. Que rezar a santa Bárbara quando já está a trovejar não deverá ser grande solução.