Ricardo Mourinho Félix: “Riscos externos? Portugal pouco pode fazer”

“Não há nenhuma razão” neste momento para o Governo fazer qualquer revisão relativamente às suas próprias projeções”, realçou o secretário de Estado das Finanças, além de admitir que há riscos, “eminentemente externos”, contra os quais o país “pouco pode fazer”.

Cristina Bernardo

O secretário de Estado das Finanças afirmou hoje em Bruxelas que o Governo “obviamente” acompanha os riscos que podem condicionar o ritmo de crescimento da economia portuguesa, mas salientou que Portugal “pouco pode fazer” contra riscos externos.

Em declarações aos jornalistas à saída de uma reunião do Eurogrupo, na qual a Comissão Europeia apresentou as suas previsões económicas de inverno (publicadas na semana passada), Ricardo Mourinho Félix desvalorizou a revisão em baixa “muito ligeira” de Bruxelas para o crescimento da economia portuguesa, afirmou que “não há nenhuma razão” neste momento para o Governo fazer qualquer revisão relativamente às suas próprias projeções, mas admitiu que há riscos, “eminentemente externos”, contra os quais o país “pouco pode fazer”.

O secretário de Estado lembrou que “as previsões de Portugal são feitas na altura do orçamento (de Estado para o ano seguinte) e depois revistas com informação entretanto divulgada até à altura do Programa de Estabilidade e Crescimento”, que os Estados-membros devem apresentar a Bruxelas em abril de cada ano, enquanto o executivo comunitário divulga previsões quatro vezes ao ano.

“A Comissão divulgou agora as suas previsões (de inverno) e eu devo notar que, em relação às previsões da Comissão, a revisão que é feita para Portugal é uma revisão muito ligeira, de apenas uma décima face às anteriores previsões da Comissão, e que a revisão é muito mais pequena do que a revisão que é feita para a área do euro como um todo”, apontou, referindo-se ao facto de Bruxelas prever agora que a economia na zona euro progrida este ano 1,3%, seis décimas abaixo da sua anterior projeção (1,9% do PIB).

O secretário de Estado Adjunto e das Finanças realçou que há mesmo “uma alteração muito significativa nessas projeções”, pois “Portugal nas anteriores projeções estava a crescer muito em linha com a área do euro e agora cresce acima da área do euro”, pelo que estas projeções de inverno “apresentam agora a continuação da convergência com a área do euro, que é algo que o Governo tem sempre salientado”.

Ricardo Mourinho Félix comentou que, “obviamente que há um abrandamento” mas apontou que “esse abrandamento estava já nas previsões, e portanto não há aí uma novidade”, restando conhecer “a magnitude do abrandamento, algo que tem que ser avaliado com um conjunto de informação” e que o Governo fará “por altura do programa de estabilidade”.

“Não há nenhuma razão para neste momento estar a fazer qualquer revisão. O que há razão é para acompanhar a evolução dos indicadores e, na altura do programa de estabilidade, então incorporar toda a informação e fazer as alterações que tenham que ser feitas”, salientou.

O secretário de Estado sublinhou então que “obviamente que isto implica que se acompanhe, que se analisem quais são os riscos, e esses riscos são riscos eminentemente do lado externo da economia portuguesa, e contra o qual Portugal pouco pode fazer”.

“É uma economia aberta, é uma economia cada vez mais aberta, isso é importante do ponto de vista da afetação dos recursos, da capacidade de crescimento potencial, mas também (a torna) mais exposta àquilo que é a atividade económica internacional, e portanto isso tem que ser sempre considerado quando se avaliam as previsões”, concluiu.

Na última quinta-feira, a Comissão Europeia reviu em baixa a sua previsão para o crescimento da economia portuguesa este ano, prevendo uma expansão de 1,7% (uma ligeira revisão em baixa face às suas previsões de outono, de 1,8%), abaixo da estimativa do Governo que continua a apontar para uma expansão de 2,2% do PIB este ano.

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