Risco sísmico passa a ser de inclusão obrigatória nos seguros de incêndio e multiriscos

O tema Gestão de Risco envolve as questões relacionadas com catástrofes naturais, mas também a perda de reputação ou valor da marca, o cyber risk, os danos ao meio ambiente, os incêndios, a instabilidade política, os riscos políticos e a corrupção, assim como os riscos de câmbio e de mercado ou o envelhecimento da população e impacto na mão-de-obra.

Darren Whiteside / Reuters

Todas as empresas precisam de definir uma política de gestão de risco que proteja os seus ativos e a sustentabilidade da atividade, afirma Jorge Luzzi, presidente da RCG/Herco e ex-presidente da FERMA Federação Europeia de Associações de Gestão de Risco. O tema Gestão de Risco envolve as questões relacionadas com catástrofes naturais, mas também a perda de reputação ou valor da marca, o cyber risk, os danos ao meio ambiente, os incêndios, a instabilidade política, os riscos políticos e a corrupção, assim como os riscos de câmbio e de mercado ou o envelhecimento da população e impacto na mão-de-obra.

Muitos destes riscos são transferíveis para seguradores e resseguradores e outros não. No entanto, a gestão da empresa tem de saber mitigar o impacto desses mesmos riscos na atividade económica da atividade. Sérgio Carvalho, diretor na maior seguradora nacional, a Fidelidade, alerta que a mudança no mundo e na sociedade, “obriga todos, cidadãos, empresas ou organizações, de cariz público ou privado, a compreender as novas dinâmicas para conseguir dar resposta a novas realidades, novas exigências e a antecipar desafios”. Diz o mesmo gestor que “talvez as empresas portuguesas não estejam ainda plenamente conscientes da necessidade de proteger os negócios em termos de cyber risks, os riscos associados a intempéries e catástrofes naturais ou até às consequências do aumento da longevidade da população”. E acrescenta que as seguradoras devem criar “soluções adequadas às novas realidades”. Luis Galrão, da Generali, adverte para atividades onde o nível de gestão de risco é elevado, caso da energia, indústria automóvel, distribuição e logística. E na EDP e na SCC a gestão dos riscos é um elemento fundamental da estratégia destes grupos. Nuno Pinto de Magalhães, da SCC, diz que “a identificação, a análise e gestão de risco é crucial para a sustentabilidade da empresa e do negócio”.

E em Portugal a grande novidade a nível da Gestão de Risco foi o anúncio pela APS, oito anos depois da primeira consulta pública sobre o tema, da inclusão obrigatória do risco de sismos na apólice de incêndios e multirriscos. Por enquanto, trata-se apenas da proposta da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) entregue ao Governo mas a expectativa é que a obrigação seja exequível em 2020. Esta obrigação não é universal, ou seja, não obriga todos os proprietários mas apenas aqueles que fizeram ou vierem a fazer aquele tipo de seguro. Aplica-se apenas a imóveis habitacionais e a comércio inserido nos mesmos imóveis. E envolve uma futura associação pública com capital maioritário do Estado, acompanhado de capital dos seguradores aderentes. A indústria de seguros e resseguros está disponível para assumir um valor de sinistros anuais até oito mil milhões de euros, e em caso de danos superiores caberá ao Estado fazer a cobertura direta. Nos seguros existentes com a cobertura sísmica não haverá mexidas. O impacto anual a nível de prémio para o segurado irá variar entre os 25 euros e os 78 euros/ano. O objetivo desta proposta é proteger o património que é para mais de metade dos agregados nacionais o grande bem de valor. No país existem cerca de seis milhões de habitações, sendo que 3,2 milhões têm seguro de incêndio e destes 900 mil (16%) têm cobertura do risco sísmico. Em Lisboa a penetração da cobertura sísmica é de 30%, segundo a APS. O sistema bancário irá igualmente ganhar com esta opção pois nem todos os empréstimos hipotecários têm aquela cobertura e em caso de sinistro o objeto que serve de garantia ao financiamento fica perdido.

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