Riscos de rendibilidade e solvabilidade da seguradoras melhoram no segundo semestre de 2020

“Em matéria de risco de crédito, o risco de uma eventual reavaliação em alta dos prémios de risco implícitos nos títulos de dívida permanece relevante, dada a perceção de desalinhamento entre os preços dos ativos financeiros e as variáveis macroeconómicas de base”, explica a ASF.

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A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) publicou esta terça-feira a mais recente edição do Painel de Riscos do Sector Segurador (abril 2021), apresentando o panorama mais atual dos riscos face à informação disponível.

“Nos primeiros meses de 2021, a avaliação dos principais riscos do sector segurador nacional permanece fortemente influenciada pelo impacto da pandemia”, diz a ASF.

O painel de riscos do sector segurador português, de publicação trimestral, é uma das ferramentas utilizadas pela ASF para a identificação e mensuração dos riscos e vulnerabilidades do sector na perspetiva da preservação da estabilidade financeira, tendo por base um conjunto de indicadores, e considerando seis categorias de risco: macroeconómico, crédito, mercado, liquidez, rendibilidade e solvabilidade, interligações, específicos de seguros vida e específicos de seguros não vida.

Em concreto, o Painel considera a informação das variáveis financeiras relativa a 15 de abril de 2021 conjugada com os dados reportados pelas empresas de seguros com referência a 31 de dezembro de 2020.

“A conjuntura atual permanece condicionada pela evolução da pandemia Covid-19, realçando-se os atrasos na disponibilização de vacinas no seio da União Europeia e o surgimento de novas estirpes mais infeciosas, que criam pressões adicionais sobre o processo de desconfinamento e prolongam os impactos negativos sobre a atividade económica”, diz a ASF. Assim, a categoria de riscos macroeconómicos permanece no nível alto, “embora com tendência inclinada descendente, refletindo as expectativas de recuperação para o ano de 2021 em matéria de crescimento económico e de inflação”.

Ao nível dos riscos de crédito, as políticas monetárias mantêm um papel estabilizador nos mercados financeiros, com a manutenção dos prémios de riscos da dívida pública e privada em níveis contidos.

Durante o mês de março, observaram-se incrementos da inflação na Zona Euro e em Portugal (para 1,03% e 0,5%, respetivamente), perspetivando-se, para os próximos meses, a manutenção da tendência ascendente dos preços, prevê a ASF.

“Em matéria de risco de crédito, o risco de uma eventual reavaliação em alta dos prémios de risco implícitos nos títulos de dívida permanece relevante, dada a perceção de desalinhamento entre os preços dos ativos financeiros e as variáveis macroeconómicas de base. Neste contexto, os prémios de risco soberano dos principais países a que as carteiras de investimento das empresas de seguros nacionais se encontram expostas prosseguiram, globalmente, a tendência de compressão. Em simultâneo, os prémios da dívida privada financeira e não financeira permaneceram em níveis contidos”, detalha o painel.

“No âmbito dos riscos de mercado, destaca-se o aumento da volatilidade nos mercados obrigacionistas durante o mês de fevereiro, situação que se reverteu, parcialmente, em março. Assim, ambas as categorias mencionadas mantêm a classificação do Painel anterior”, explica a entidade reguladora.

O aumento da volatilidade registada nos mercados obrigacionistas durante o mês de fevereiro, segundo a ASF, reflete o otimismo em relação à retoma económica e às expectativas de aumento da inflação. No entanto, este aumento foi revertido parcialmente no mês de março.

Já nos mercados acionistas, observou-se, ainda que de forma contida, uma redução dos respetivos níveis de volatilidade. De destacar ainda o ligeiro aumento dos níveis de rendibilidade do mercado imobiliário residencial português, após as correções ocorridas no segundo e terceiro trimestres do ano, destaca a ASF.

Já no que respeita ao risco de liquidez, o rácio de entradas sobre saídas registou um novo decréscimo devido ao contributo negativo do ramo Vida, mantendo-se, assim, a avaliação desta categoria em médio-baixo, explica a ASF.

No final de 2020, verificou-se um aumento dos resultados líquidos provisórios das empresas de seguros, paralelamente à recuperação dos indicadores de solvência. Estas evoluções favoráveis permitiram assim a revisão da categoria de riscos de rendibilidade e solvabilidade de médio-alto para médio-baixo.

“A rendibilidade do sector segurador nacional evoluiu favoravelmente no segundo semestre de 2020, registando-se, face ao ano precedente, um aumento dos resultados líquidos (58,6%) e dos resultados técnicos (63,1%), evolução muito influenciada por dois operadores que empreenderam medidas extraordinárias de reforço de provisões em 2019”, refere a ASF. “O crescimento observado permitiu a revisão desta categoria de riscos do nível médio-alto para médio-baixo. Paralelamente, os indicadores de solvabilidade mantiveram a trajetória de recuperação, atingindo-se, no final do ano, um valor do rácio global de solvência superior ao registado em 2019”, explica a entidade reguladora.

Os restantes riscos, designadamente de interligações e específicos de seguros Vida e Não Vida, permaneceram no nível médio-alto, com tendência constante, conclui a ASF.

Verificou-se uma redução da taxa de sinistralidade dos produtos de seguros vida risco, enquanto a taxa de resgates dos produtos financeiros permaneceu globalmente estável em níveis contidos.

Já nos ramos Não Vida, verificou-se um incremento, ainda que em ritmo de desaceleração, do valor anualizado dos prémios brutos emitidos. Ao nível da sinistralidade, no quarto trimestre, observou-se, de forma geral, uma tendência de subida, em aproximação às taxas registadas no ano precedente, com exceção do seguro Automóvel, onde se verificou nova descida.

Finalmente, o índice de provisionamento do ramo Doença registou uma quebra significativa após o aumento verificado no trimestre anterior. Nos restantes segmentos principais Não Vida assistiu-se a uma ligeira redução do nível de provisionamento, por efeito da evolução de alguns operadores de maior dimensão, refere a ASF.

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