Os principais índices europeus encerraram a segunda sessão da semana maioritariamente no verde, com Lisboa e Frankfurt a escaparem à tendência. Em Portugal o PSI sentiu pressão do tombo da Mota-Engil, bem como das correções no grupo EDP, BCP (-0,75%) e CTT (-0,41%). O índice lisboeta caiu 0,86% para os 7.687,5 pontos. Só a Galp (+1,08% para 15,94 euros) e a Ibersol (+0,82% para 9,86 euros) fecharam n0 verde.
A Mota-Engil corrigiu fortemente a subida de ontem e caiu -11,65% para 4,930 euros.
A EDP Renováveis caiu -2,17% para 9,90 euros e a EDP perdeu -1,14% para 3,721 euros.
As bolsas europeias oscilaram entre a subida e descida ao longo da sessão, mostrando que os investidores procuram por sinais para o próximo passo, numa altura em que alguns dos principais índices de ações europeus e norte-americanos se encontram junto ao seu valor mais elevado de sempre.
O Stoxx 600, “benchmark” para a negociação europeia, terminou a negociação quase inalterado face a segunda-feira, com ganhos de apenas 0,06%
O FTSE de Londres subiu 0,23% para 9.242,5 pontos; o CAC 40 subiu 0,19% para 7.749,4 pontos; o FTSE MIB avançou 0,68% para 42.008,2 pontos; e o IBEX valorizou 0,14% para 15.023,9 pontos. O holandês AEX cresceu 0,33%.
O alemão DAX caiu 0,37% para 23.718,4 pontos. A Grécia também acompanhou as perdas em Bolsa da Alemanha e Portugal e recuou 0,14%.
“É natural que a instabilidade política em França, após a queda do primeiro-ministro, tenha algum impacto, mas as atenções estão muito voltadas quer para as decisões de taxas de juro do BCE, na quinta-feira, quer para as leituras dos preços no produtor e a inflação dos EUA na quarta e quinta-feira, importantes nas decisões da Fed”, destacam os analistas da MTrader.
Entretanto, nos EUA os dados de criação de emprego em 2025 sofreram uma revisão em baixa, mostrando um mercado laboral menos robusto, o que até alimenta perspetivas de cortes de juros, destacam os analistas do BCP.
O setor de Recursos Naturais foi impulsionado pelo disparo da Anglo American, que anunciou uma fusão com a Teck Resources.
Por sua vez Alex Everett, Gestor de Investimentos Sénior – Gestão de Taxas, na Aberdeen Investments, comenta o impacto da queda do governo de Bayrou dizendo que “tornou-se uma inevitabilidade para os mercados, e os títulos do governo francês, conhecidos como OATs (Obrigações Assimiláveis do Tesouro), já se tinham expandido em relação aos Bunds e BTPs (títulos de dívida emitidos pelo Tesouro italiano)”.
O prémio de risco da dívida francesa subiu esta manhã para 81,5 pontos base devido à instabilidade política provocada pela queda do primeiro-ministro François Bayrou, ultrapassando o de Itália e passando a ser o mais elevado da zona euro.
“O verdadeiro teste é a forma como o Presidente Macron responderá agora. A opção menos má é nomear mais um primeiro-ministro para tentar quebrar o impasse político e económico”, diz Alex Everett.
“A votação de ontem mostra que a Assembleia Nacional continua tão dividida como sempre. Entretanto, o imperativo financeiro é aprovar um orçamento prudente e redutor do défice, por mais improvável que isso possa parecer. Nesta fase, mesmo uma pequena redução seria melhor do que nada. A confiança na economia francesa já está em baixa, e quanto mais esta situação se mantiver, maior será o problema”, acrescenta.
O analista da Aberdeen Investments considera que “é claro que o atoleiro político da França não será resolvido este ano, e talvez não antes das eleições presidenciais de 2027. Isto irá provavelmente manter os spreads dos OAT elevados – pelo menos em torno dos níveis atuais – durante os próximos meses. Continuamos com posições curtas nos OAT em relação aos pares”.
Depois temos o preço do ouro que ultrapassou os 3.650 dólares, atingindo um novo máximo histórico nas primeiras negociações desta terça-feira.
Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, diz que “o metal precioso prolongou o impressionante rally iniciado na sexta-feira, após a divulgação de dados dececionantes do mercado de trabalho norte-americano, que aumentaram as apostas num corte das taxas da Reserva Federal ainda este mês”.
“A perda de dinamismo no mercado laboral dos EUA é vista como um sinal de abrandamento económico e essa perceção poderá acentuar-se mais esta tarde, com a publicação da revisão das estatísticas laborais. Caso os números confirmem a tendência recente de revisões em baixa, as expectativas de uma política monetária mais dovish por parte da Fed deverão intensificar-se, pressionando o dólar e as yields dos Treasuries, e criando potencial para novas valorizações do ouro”, acrescenta o CEO da ActivTrades.
“Neste contexto — e com a persistente incerteza no comércio global, a turbulência geopolítica e os receios de interferência política na Reserva Federal a alimentarem a procura por ativos de refúgio — a perspetiva para o ouro mantém-se positiva, com margem para ganhos adicionais”, conclui.
O euro caiu face ao dólar, situando-se nos 1,1719 dólares, numa altura em que se acentuam as dúvidas sobre o estado do mercado de trabalho americano, o que faz aumentar a probabilidade de um corte de juros.
Do outro lado do Atlântico, Wall Street fechou no verde.
Foi divulgado que a economia norte-americana criou menos 911 mil postos de trabalho do que o previsto nos 12 meses até março, o que significa menos 75 mil empregos por mês neste período.
“O S&P 500 está a negociar próximo do máximo histórico, acima da marca dos 6.500 pontos. Apesar das incertezas em torno da independência da Fed, da guerra comercial com a China e das tarifas impostas pela administração americana, os índices dos EUA têm beneficiado da perspetiva de uma Fed mais acomodatícia e de um dólar mais fraco”, comenta Henrique Valente, analista da ActivTrades.
“O mercado continua a apoiar-se no dinamismo das grandes tecnológicas, que têm liderado os ganhos com a narrativa da inteligência artificial. Apesar da desaceleração do mercado laboral, a resiliência da economia americana, sustentada pelo consumo e pelos fluxos globais de capital, tem sido suficiente para suportar os índices, mesmo num ambiente de incerteza política”, acrescenta.
Outro analista, Konstantinos Chrysikos, da Kudotrade, destaca que a rara escalada de tensão no Médio Oriente, com as autoridades do Hamas a serem visadas no Qatar, o que “traz implicações significativas para o mercado”.
“Para o ouro, o ataque irá provavelmente reforçar a procura de activos de refúgio, à medida que os investidores se protegem contra a crescente incerteza geopolítica. O metal já encontra suporte nas expectativas de flexibilização monetária dos EUA, e qualquer sinal de instabilidade regional mais ampla pode sustentar a entrada de recursos em activos de refúgio”, refere o analista da Kudotrade.
Os mercados petrolíferos reagiram rapidamente, com o petróleo Brent a subir para 67 dólares por barril. O papel do Qatar como um importante exportador de energia e mediador diplomático significa que qualquer interrupção na sua estabilidade pode afectar as expectativas de fornecimento.
Isto ocorre num contexto de um modesto aumento da produção da OPEP+, da contínua armazenagem da China e dos receios renovados de sanções ocidentais à Rússia, o que aumenta a pressão ascendente sobre o petróleo.
A subida é impulsionada em grande parte por uma combinação de riscos geopolíticos, considerando as tensões entre os EUA e a Venezuela e a dinâmica de oferta da OPEP+.
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