Rui Rio ataca Marques Mendes devido à greve dos motoristas de matérias perigosas

Ex-presidente do PSD apontou falhas ao líder social-democrata durante a greve, levando Rio a insurgir-se contra “alguns profissionais do comentário”. E a garantir que os portugueses voltaram a assistir “à montagem de um circo com fins eleitorais”.

O presidente do PSD, Rui Rio, recorreu na segunda-feira ao Twitter para criticar Marques Mendes, sem nunca o nomear, depois de o antigo líder social-democrata ter apontado o Executivo de António Costa como “grande vencedor” da greve dos motoristas de matérias perigosas. “Rui Rio disse coisas certas no tempo errado. Disse que o Governo andou mal no princípio e que passou a andar bem na parte final. A verdade é que quando o Governo andou mal Rio esteve calado e quando o Governo passou a andar bem é que Rio veio dar uma conferência de imprensa”, disse Mendes no domingo, no seu espaço de comentário no “Jornal da Noite” da SIC.

Rui Rio reagiu ao final da tarde, referindo que, “segundo alguns profissionais do comentário, o PSD perdeu ‘esta coisa’ porque falou pouco e tarde”, enquanto o Governo “terá ganho porque falou por sete (ou oito) cotovelos, 25 horas por dia”. O líder social-democrata contrapôs quatro intervenções do seu partido, nos dias 8, 10, 14 e 16, a uma greve que começou no dia 12, voltando a insurgir-se contra “profissionais do comentário” em resposta a perguntas de jornalistas que ontem o esperavam em Viana do Castelo.

No “Jornal da Noite”, apesar de ter criticado o que considerou serem “exageros”, como a notificação de motoristas nas suas residências pela GNR, Marques Mendes salientou que “se o PSD e CDS estivessem no poder teriam tomado decisões praticamente iguais às do Governo”.

Também não poupou Rio, dizendo que deixou a impressão de que “só falou porque foi pressionado pelas críticas na comunicação social e dos seus companheiros de partido”, avançando o que deveria ter sido a sua atuação: “Em vez de falar na 25ª hora, o líder do PSD devia ter feito o seguinte: Rui Rio devia ter interrompido as suas férias antes da greve começar, devia ter reunido com o Governo, com os sindicatos e com os patrões, devia ter feito exigências a todos de diálogo e abertura negocial e devia ter-se antecipado ao Governo nas questões da defesa do interesse público e da autoridade do Estado. Marcava a agenda, condicionava o Governo e, a seguir, teria mais autoridade para o criticar, se fosse o caso.”

O comentador da SIC viu no desfecho da greve dos motoristas de matérias perigosas uma “vitória da autoridade democrática do Estado” e a derrota do “populismo sindical que teve em Pardal Henriques o seu maior protagonista”. “Esta derrota foi boa para a democracia e para o sindicalismo livre e responsável”, sentenciou Marques Mendes, para quem o Governo foi profissional, depois de em abril ter sido amador.

Logo na madrugada de domingo, Rui Rio reagiu à suspensão da greve, também através do Twitter, mas como uma leitura muito diferente dos factos, escrevendo que “bastou o Governo parar com a dramatização e com as ameaças, e tudo se começou a resolver”. Para o líder social-democrata, “tal como com o dossier dos professores antes das europeias, voltámos a assistir ao exagero e à montagem de um circo com fins eleitorais – ao Governo a servir o PS em vez de servir Portugal”.

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