Rússia acusa YouTube de censura e propõe plataformas nacionais para o substituir

O regulador das comunicações russo, Roskomnadzor, propôs hoje a criação de plataformas de vídeo nacionais para substituir o YouTube, devido à alegada “censura” do serviço norte-americano a meios de comunicação russos.

“Chamamos a atenção dos meios de comunicação russos para a necessidade de manter canais de informação nas plataformas de vídeo nacionais. Pedimos às principais empresas de tecnologia que ajudem os nossos meios de comunicação a criá-los e popularizá-los”, divulgou hoje, em comunicado, o Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Meios de Comunicação de Massa da Rússia (Roskomnadzor), citado pela agência de notícias EFE.

Esta proposta foi feita depois de o regulador das comunicações russo ter acusado a Google de ter imposto ao YouTube “um veto total” à criação de canais pela agência de notícias ANNA News.

“Uma política específica de censura em relação aos meios russos é inaceitável e viola os princípios fundamentais de uma disseminação livre de informação e acesso desimpedido à mesma”, considerou o Roskomnadzor, na mesma nota.

Esta não é a primeira vez que a agência de supervisão de comunicações da Rússia acusa as grandes multinacionais americanas da Internet de dificultar o acesso dos meios de comunicação russos às suas plataformas.

Em outubro, o supervisor alegou que Google, Facebook e Twitter “restringem o acesso a materiais de cerca de 20 meios de comunicação russos”, incluindo a agência estatal RIA Novosti, os meios estatais do Kremlin para o exterior Russia Today e Sputnik, bem como a Rossía 1.

Já este mês, um grupo de deputados da Duma (Câmara Baixa) propôs emendas a uma lei para introduzir sanções contra plataformas de Internet que “discriminam” os meios russos.

Propõem ainda que o Roskomnadzor possa bloquear parcial ou totalmente o acesso àquelas plataformas.

O Gabinete do procurador-geral, em conjunto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, teria a função de decidir que meios de comunicação sofrem “discriminação” por parte das multinacionais norte-americanas e que, por isso, seriam bloqueados.

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