Rússia intensifica contactos com a Turquia para encontrar solução para Nagorno-Karabakh

Apesar de se encontrarem em terrenos opostos – a Turquia a apoia o Azerbaijão enquanto a Rússia apoia a Arménia – Moscovo considera que não haverá uma solução sustentável para a região se o Grupo de Minsk prescindir das opiniões de Ancara.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, disse esta terça-feira que Moscovo vai intensificar os contactos com a Turquia para impedir a continuidade do cenário de guerra em Nagorno-Karabakh. O presidente russo, Vladimir Putin, já tinha dito na semana passada que a Turquia deveria estar entre os países envolvidos nas negociações para acabar com o conflito na região.

Desde o início dos confrontos (em 27 de setembro), as forças militares em presença no terreno já violaram três cessar-fogo humanitários, conseguidos desde 10 de outubro. As relações entre as duas ex-repúblicas soviéticas são tensas desde 1991, quando os militares arménios assumiram o controlo de Nagorno-Karabakh, um território internacionalmente reconhecido do Azerbaijão, e sete regiões adjacentes.

Potências mundiais, incluindo a Rússia, França e Estados Unidos, os líderes do chamado Grupo de Minsk, pediram um cessar-fogo sustentável, mas a Turquia tem preferido apoiar o direito de Baku, capital do Azerbaijão, à autodefesa e exigiu a retirada das forças de ocupação arménias.

A Rússia prometeu no sábado a ajuda necessária a Yerevan, capital da Arménia, no conflito com o Azerbaijão, caso os combates cheguem ao território arménio, o que pode vir a aumentar a intensidade da guerra e a chamar outros exércitos nacionais para a região, o que seria um verdadeiro desastre.

O primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinian, pediu formalmente ao presidente russo que iniciasse consultas “urgentes” sobre a assistência à segurança, enquanto as forças do Azerbaijão obtêm ganhos contra as forças arménias.

Numa carta a Putin, Pashinian disse que as hostilidades estão a aproximar-se das fronteiras da Arménia, reiterando que a Turquia está a apoiar Baku e invocou um tratado de 1997 sobre amizade, cooperação e assistência mútua entre Moscovo e Yerevan.

Mas o pacto de defesa de Moscovo com a Arménia não se estende a Nagorno-Karabakh, limitando-se ao auxílio a qualquer ataque ao território arménio e a Rússia disse que a ajuda “necessária” só seria fornecida se o conflito atingir esse território.

Por outro lado, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, disse que não há razão para a Rússia intervir no conflito sobre Nagorno-Karabakh porque Baku não está a ameaçar o território arménio nem conta vir a fazê-lo noi quadro do conflito em andamento.

O envolvimento da Turquia nas negociações é visto como uma forma de impedir o aumento da tensão no enclave e de encontrar uma fórmula de paz duradoura. Que não será fácil: a comunidade internacional considera Nagorno-Karabakh como uma parte do território do Azerbaijão, pelo que a paz terá necessariamente que passar pelo abandono da regiao por parte dos arménios.

A geografia da região não podia ser mais propícia à existência de conflitos. É que, para além de Nagorno-Karabakh, que se situa em pleno Azerbaijão, existe ainda o Naquichevão, um território autónomo do Azerbaijão que está separado do país por uma faixa de território arménio – fazendo ainda fronteira com o Irão e a Turquia.

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