Rússia: Vladimir Putin prestes a conseguir mais um resultado arrasador

Com as urnas finalmente fechadas ao cabo de três dias, a dúvida está em saber qual será a extensão do domínio de atual Presidente. Mas os resultados não deverá ser muito diferentes dos de 2018, ano em que Putin ganhou com 76%.

Com todas as urnas finalmente fechadas em toda a Rússia – o enclave europeu de Kaliningrado foi o último – as primeiras projeções das eleições para o Parlamento (Duma) e os governadores locais convergem para uma vitória do partido de Vladimir Putin o Rússia Unida. Ao longo das últimas semanas, todas as sondagens davam essa vitória como certa – com algumas a indicarem que a votação em Putin pode chegar aos 75% – nada de muito especial: em 2018, ganhou com 76%.

Ao cabo de três de eleições, acumulam-se, entretanto, sinais de algum descontrolo em termos de casos pouco claros. A Comissão Eleitoral Central revelou que registou casos de preenchimento indevido de boletins de voto e que os resultados das assembleias onde isso sucedeu serão considerados nulos.

O Rússia Unida detém quase três quartos das 450 cadeiras da atual Duma, o que tem auxiliado o Kremlin a aprovar reformas constitucionais que permitem a Putin concorrer a mais dois mandatos como Presidente após 2024, podendo permanecer no poder até 2036. O assunto foi alvo de um referendo e a Rússia concordou com a eternização no poder do homem que o domina desde 1999.

“Se o Rússia Unida conseguir vencer, o nosso país pode esperar mais cinco anos de pobreza, cinco anos de repressão, cinco anos perdidos”, dizia uma mensagem num blog conotado com a oposição e de apoio ao dissidente preso Alexei Navalny.

Os Aliados de Navalny, que cumpre pena de prisão por violações da liberdade condicional, incentivaram o voto tático contra o Rússia Unida nos candidatos, qualquer que fosse o seu partido, que se mostrassem mais capazes de se aproximar de Putin.

O maior desafio de mais uma presidência de Vladimor Putin será manter a economia russa a salvo de qualquer crise – para além do combate à pandemia. Mas o certo é que a resposta do Kremlin à dupla dificuldade levantada pela queda dos preços do petróleo e pela imposição de sanções depois da anexação da Crimeia tem sido muito eficaz, como o atenta um recente estudo da consultora Crédito y Caución.

Diz esse relatório que “graças a esta política macroeconómica prudente tanto fiscal como monetária, o país reconstruiu as suas reservas internacionais e reduziu a sua dívida externa, “dando lugar a umas finanças públicas sólidas. No entanto, também regista um crescimento económico estagnado e uma diminuição dos rendimentos reais. Em 2020, a população russa a viver abaixo do limitar de pobreza cresceu para mais de 12%”.

“A dependência de matérias-primas, um perfil demográfico em declínio, um elevado grau de controlo estatal sobre a economia e um clima de investimento débil pesam sobre as taxas de crescimento da Rússia. De acordo com o relatório, “para aumentar o nível dos seus rendimentos, a Rússia teria de implementar reformas sólidas no sentido de um ambiente de negócios mais dinâmico e capaz de aumentar o investimento estrangeiro direto, dez pontos atrás dos países da Europa de Leste”.

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