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Saldos ameaçados: apenas 42% dos compradores protegem os seus pagamentos online

Apesar de a maioria dos consumidores acreditar que sabe identificar fraudes na internet, a proteção efetiva dos pagamentos online continua a ser surpreendentemente baixa. Uma nova investigação da Kaspersky revela que apenas 42% dos compradores utilizam software de segurança para proteger transações digitais e bloquear ligações maliciosas
@Pixabay
20 Janeiro 2026, 10h57

Apesar de a maioria dos consumidores acreditar que sabe identificar fraudes na internet, a proteção efetiva dos pagamentos online continua a ser surpreendentemente baixa. Uma nova investigação da Kaspersky revela que apenas 42% dos compradores utilizam software de segurança para proteger transações digitais e bloquear ligações maliciosas, um dado que os especialistas consideram particularmente preocupante numa altura em que as fraudes online se tornam cada vez mais sofisticadas.

O estudo, intitulado Spotlight on retail & e-commerce cybersecurity: what users and companies faced in 2025, surge numa altura estratégica, com a aproximação dos saldos de inverno, período tradicionalmente marcado por um aumento significativo da atividade dos burlões. De acordo com os resultados, 65% dos consumidores online acreditam ser capazes de detetar esquemas fraudulentos por iniciativa própria, confiando sobretudo na sua intuição e experiência. No entanto, essa confiança nem sempre se traduz em comportamentos de proteção eficazes.

Embora 97% dos participantes afirmem ter consciência dos riscos associados às compras online e adotem pelo menos algumas medidas preventivas, menos de metade recorre a soluções de segurança dedicadas, capazes de impedir ataques de phishing ou proteger dados financeiros sensíveis. Esta lacuna é ainda mais evidente entre os consumidores com mais de 55 anos, onde apenas 32% utilizam software de segurança durante as compras digitais.

As práticas mais comuns passam por sinais básicos de alerta, como a identificação de links suspeitos ou de websites com um design pouco credível, bem como a verificação da autenticidade dos vendedores. Ainda que importantes, estas estratégias são consideradas insuficientes pelos especialistas. Segundo a Kaspersky, tratam-se de mecanismos elementares que não substituem uma proteção abrangente contra fraudes, sobretudo num contexto em que os ataques se tornam cada vez mais difíceis de identificar a olho nu.

Outras precauções, como a utilização de um cartão dedicado exclusivamente a compras online ou o recurso a endereços de e-mail alternativos ao comprar em lojas desconhecidas, continuam a ser pouco adotadas. Curiosamente, pedir aconselhamento a amigos ou familiares antes de concluir uma compra é uma prática mais comum entre os consumidores mais jovens, revelando uma maior predisposição para decisões partilhadas, em contraste com os mais velhos, que tendem a confiar mais na sua própria avaliação.

“Ao longo do ano, temos observado que os compradores online continuam a ser um dos alvos preferenciais dos burlões, especialmente durante os períodos de saldos”, alerta Olga Altukhova, analista sénior de conteúdos web da Kaspersky. A responsável sublinha que a simples atenção não é suficiente para travar as ameaças atuais, sobretudo quando os criminosos recorrem cada vez mais à inteligência artificial para criar campanhas de phishing altamente personalizadas e difíceis de detetar.

O relatório destaca ainda que a evolução constante das técnicas de ataque exige uma atualização permanente dos consumidores. A aposta em soluções de segurança com componentes avançadas de deteção de phishing é apontada como um dos pilares fundamentais para uma navegação mais segura. Em 2025, por exemplo, o Kaspersky Premium obteve a certificação “Approved” da AV-Comparatives, ao conseguir identificar 93% dos URLs de phishing testados, demonstrando o papel crescente da tecnologia baseada em IA na proteção da vida digital.

O estudo foi realizado em novembro de 2025 pelo centro de investigação de mercado da Kaspersky, com a participação de três mil inquiridos em 15 países, incluindo Espanha, Alemanha, Itália e Reino Unido. Os resultados deixam um alerta claro: a perceção de segurança nem sempre corresponde à realidade e, num ambiente digital cada vez mais hostil, confiar apenas no bom senso pode sair caro.


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