Santa Casa vai lançar fundo com 500 mil euros anuais para apoiar projetos de inovação social

O instrumento de financiamento chega em janeiro. “A intenção é tentar colmatar aquilo que começámos a entender que fazia um pouco falta nalgum dos projetos que tínhamos na Casa do Impacto: filantropia estratégica”, explicou Inês Sequeira, diretora de Empreendedorismo e Inovação Social da SCML.

Cristina Bernardo

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) vai lançar no próximo mês de janeiro um fundo com 500 mil euros para apoiar entre dez a 20 projetos de inovação social por ano em Portugal. O principal objetivo é estabelecer metas concretas para os empreendedores sociais atingirem e fazer um acompanhamento dos seus projetos a longo prazo.

“A intenção é tentar colmatar aquilo que começámos a entender que fazia um pouco falta nalgum dos projetos que tínhamos na Casa do Impacto: filantropia estratégica”, revelou esta terça-feira Inês Sequeira, diretora de Empreendedorismo e Inovação Social da SCML, na conferência Portugal Economia Social 2019.

Ou seja, a ideia é auxiliar antes da fase de investimento venture capital, sobretudo aqueles projetos que precisam de entre cinco a sete anos para conseguirem singrar. Segundo a responsável da Santa Casa, as organizações sociais e entidades ligadas à filantropia precisam de “mais capital paciente e uma estratégia mais a longo-prazo”.

Na conferência que decorre até amanhã no Centro de Congressos de Lisboa, Inês Sequeira explicou que a instituição ainda está a desenhar os critérios para as candidaturas, mas garantiu que a intenção é definir milestones [marcos], dar apoio financeiro e não-financeiro, fazer acompanhamento e mentoria a longo prazo e, à medida os projetos que vão atingindo essas metas,  vão tendo acesso ao dinheiro que será ‘libertado’ do fundo. “Podem estar na Casa do Impacto ou estar virtualmente incubados lá”, referiu.

“Através dos nossos programas de aceleração percebemos que o apoio a entidades de economia social é diferente das outras startups, porque as necessidades e desafios que têm são diferente. Aquilo que estamos a tentar fazer é ir ao encontro tanto das entidades de economia social como das de empreendedorismo social, por isso teremos certamente percentagens para cada um”, adiantou a porta-voz da Santa Casa e da Casa do Impacto.

A SCML começou a desenvolver a área de empreendedorismo social no último ano e meio. Desde então, houve quatro momentos-chave neste processo: a criação do hub de inovação Casa do Impacto; a atribuição do Prémio Santa Casa Challenge (15 mil euros e entradas na Web Summit); o lançamento da call para se tornarem investidores sociais da iniciativa pública da Portugal Inovação Social e o lançamento da call para parcerias para impacto, em conjunto com o Banco Montepio (um milhão e 350 mil euros de apoio). A chamada para os Títulos de Impacto Social está aberta até ao próximo dia 6 de janeiro.

“Quisemos iniciar por fases, a parte do investimento veio mais à posteriori. Porquê? Porque considerámos que o ecossistema precisava de se tornar um pouco mais maduro e ter mais projetos. Eram sempre os mesmos. Precisávamos de fomentar o pipeline”, disse Inês Sequeira. A ideia é que a Santa Casa se torne pela primeira vez uma investidora social”, lembrou Inês Sequeira, no mesmo fórum de empreendedorismo e inovação social.

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