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Santander em Portugal vê lucros caírem 6,4% para 728,2 milhões

No balanço o banco destaca que o crédito total a clientes (bruto) ascendeu a 52,2 mil milhões de euros, um crescimento de 8,9% face ao mesmo período de 2024, beneficiando dos volumes de novos créditos à habitação e a empresas. “No crédito à habitação, já concedemos cerca de 768 milhões de euros ao abrigo das linhas com garantia pública, reforçando o nosso papel no apoio aos jovens que procuram comprar casa e construir o seu futuro”, disse o CEO.
29 Outubro 2025, 09h06

No final dos nove meses de 2025, o Banco Santander Totta obteve um resultado líquido de 728,2 milhões de euros, que compara com 778,1 milhões no período homólogo, ou seja houve uma queda de 6,4%.

O banco liderado por Pedro Castro e Almeida manteve elevados níveis de rentabilidade, com um ROTE de 32,0%, e eficiência de 27,3%, “alavancados na estratégia de otimização comercial e operacional, e consequente incremento da atividade comercial”.

Na demonstração de resultados, o banco reportou que a margem financeira ascendeu a 1.029,5 milhões de euros (-17,3% face ao período homólogo), continuando a refletir o ciclo de descida das taxas de juro implementado pelo BCE, e que se traduziu na descida da taxa de depósito em 150 p.b. para 2,0%, por sua vez transmitida à carteira de crédito, ainda maioritariamente indexada a taxa variável.

A remuneração do passivo, nomeadamente dos depósitos, ajustou de forma progressivamente mais lenta, pois prosseguiu a transformação de depósitos à ordem em depósitos a prazo.

Os efeitos das taxas  de juro foram compensados, em parte, pelo crescimento dos volumes de negócio, em especial do crédito, relata o banco.

Por outro lado as comissões líquidas, no montante de 365,2 milhões de euros, cresceram 5,9% face ao mesmo período de 2024, continuando a beneficiar do crescimento da base de clientes, assim como da sua maior transacionalidade, com o consequente incremento das comissões de contas e meios de pagamentos. “A oferta diversificada nos segmentos de proteção e de poupança, também permitiu o crescimento das comissões de seguros e de gestão de ativos”, refere a instituição.

Os resultados em operações financeiras ascenderam a 27,8 milhões de euros, e o produto bancário a 1 424,4 milhões de euros (-11,6%).

Do lado dos custos o banco destaca o controlo da base de custos operacionais, que ascenderam a 388,4 milhões de euros (uma redução de 0,4% face ao mesmo período de 2024). Os custos com pessoal, no montante de 217,1 milhões de euros, cresceram 0,9%, e os gastos gerais e administrativos reduziram-se em 4,4%, para 138,6 milhões.

O rácio de eficiência situou-se em 27,3% (piorando 3,1 p.p. face ao mesmo período de 2024).

Na mensagem do presidente, Pedro Castro e Almeida disse que “nos primeiros 9 meses do ano, o Santander Portugal gerou um lucro de 728,2 milhões de euros, confirmando a solidez do nosso modelo e a consistência da nossa estratégia. Num contexto exigente, continuámos a crescer nas áreas que mais contam, apoiando as famílias e as empresas portuguesas”.

No balanço o banco destaca que o crédito total a clientes (bruto) ascendeu a 52,2 mil milhões de euros, um crescimento de 8,9% face ao mesmo período de 2024, beneficiando dos volumes de novos créditos à habitação e a empresas.

Os recursos de clientes, no montante de 48,5 mil milhões de euros, registaram um crescimento homólogo de 6,5%: os depósitos cresceram 5,6% e os recursos fora de balanço 9,9%.

Este crescimento foi generalizado, ao nível dos depósitos, que cresceram 5,6%, para 39,1 mil milhões de euros, e também ao nível dos recursos fora de balanço, que ascenderam a 9,5 mil milhões de euros (+9,9%), com destaque para os fundos de investimento (+16,8%, para 5,5 mil milhões), enquanto os seguros financeiros e outros recursos ascenderam a 4,1 mil milhões de euros (+1,9%).

A qualidade da carteira de crédito permaneceu elevada, tendo o rácio de NPE reduzido para 1,4% (-0,3 pp face ao período homólogo), com uma cobertura de 92,1% (62,1% por imparidade específica).

“A imparidade líquida de ativos financeiros ao custo amortizado ascendeu a -7,4 milhões de euros. O custo do crédito foi de 0,02%, e o rácio de NPE reduziu-se para 1,4% (-0.3 p.p.)”, lê-se no comunicado. As provisões líquidas e outros resultados ascenderam a -2,3 milhões de euros, e o resultado antes de impostos e de interesses que não controlam ascendeu a 1 026,3 milhões de euros (-12,3% em termos homólogos), acrescenta o banco.

Santander concedeu 768 milhões do crédito à habitação com garantia pública

“No crédito à habitação, já concedemos cerca de 768 milhões de euros ao abrigo das linhas com garantia pública, reforçando o nosso papel no apoio aos jovens que procuram comprar casa e construir o seu futuro”, disse o CEO.

“Nas empresas, crescemos mais de 10% no crédito, reforçando o apoio aos projetos que impulsionam a transição digital e energética do país. Mantivemos uma dinâmica sólida nas linhas do Banco Português de Fomento e nos produtos de tesouraria, continuando a ajudar os clientes a investir, modernizar-se e criar valor”, revelou o banqueiro numa das suas últimas apresentações de contas do banco em Portugal, já que vai no próximo ano para Espanha para ser o Chief Risk Officer (CRO) do Banco Santander.

No comunicado o banco fala de “sólidos volumes de nova produção de crédito hipotecário, que representam cerca de um quinto das novas hipotecas originadas nos primeiros oito meses do ano, e que refletem a competitiva oferta que disponibiliza aos seus clientes, seja pelas soluções de taxa mista, seja de taxa variável”.

Em resultado, no final de setembro, a carteira de crédito hipotecário ascendia a 24,7 mil milhões (+7,4%). “Ainda neste segmento, o Santander continuou a apoiar os agregados mais jovens através da disponibilização de crédito com garantia pública, tendo-lhe cabido um montante de 259 milhões de euros em garantias (refletindo a posição de destaque do Banco no mercado de crédito hipotecário).  Desde que a medida foi lançada já foram concedidos mais de 768 milhões de euros em créditos hipotecários a jovens”, reforça a instituição..

Com efeito, metade dos créditos à habitação foram concedidos a jovens com menos de 35 anos e, nestes, metade com a garantia pública.

O crédito ao consumo manteve, igualmente, uma dinâmica de crescimento, para 2,1 mil milhões (+9,3% face ao mesmo período de 2024).

Já no segmento de crédito a empresas e institucionais, o banco diz que “continuou a apoiar os projetos das empresas nacionais, também alavancado nas linhas InvestEU do Banco Português de Fomento e nos protocolos com o BEI, em complementaridade às soluções de liquidez e de gestão de tesouraria, assim como do apoio ao negócio internacional. Em resultado, a carteira do segmento ascendeu a 25,2 mil milhões de euros (+10,7% em termos homólogos)”.

O banco revela também que nos primeiros nove meses “manteve-se a dinâmica de crescimento da base de clientes, em mais 56 mil clientes ativos e 75 mil clientes digitais, face ao mesmo período de 2024” e avança que “continuou a crescer em termos da transacionalidade dos clientes, o que se materializou num crescimento de 4,5% no número de cartões de débito e de crédito emitidos, com os quais foram realizadas mais de 1,2 milhões de operações diárias de compras e pagamentos (+10,3%)”.

O rácio CET1 (fully implemented) situou-se em 13,5% no fim de setembro (-3,2 p.p. face a setembro de 2024).

Por sua vez o rácio LCR (Liquidity Coverage Ratio), calculado segundo as normas da CRD IV, situou-se em 125,9% cumprindo as exigências regulamentares em base fully implemented.

“O banco continua a dispor de níveis de capitalização bastante elevados, claramente acima dos requisitos mínimos exigidos pelo BCE ao abrigo do SREP (CET1 de 9,521%, Tier 1 de 11,331% e Total de 13,743%, em full implementation, incluindo a reserva para risco sistémico setorial do Banco de Portugal)”, revela a instituição.

“Em termos de MREL, no final de setembro, o Santander em Portugal registava um rácio de 29,3%, acima do requisito (fully implemented) de 25,36% (incluindo o requisito combinado de fundos próprios – CBR –, de 4,09% do TREA), exigido para o corrente ano”, conclui o banco.

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