O Santander Portugal reportou lucros de 963,8 milhões de euros em 2025 a subirem ligeiramente 0,5% face a 2024 (os números do anterior foram ajustados à reorganização societária). Mas a rentabilidade medida pelo RoTE (rentabilidade dos capitais próprios tangíveis) atingiu 31,8%, o que compara com 25,9% um ano antes. O banco “manteve-se como banco mais rentável em Portugal, o mais rentável dentro do Grupo Santander e um dos mais rentáveis na Europa” salientou Pedro Castro e Almeida que apresenta, em conferência de imprensa, os seus últimos resultados enquanto CEO do Banco Santander Totta, já que a partir de dia 1 de março será Isabel Guerreiro a liderar o banco.
O contributo global da atividade do Santander em Portugal para o Grupo Santander ascendeu a 1.010,0 milhões de euros (7% do resultado líquido do Grupo Santander em 2025), um crescimento de 1% face a 2024.
O banco vai distribuir 90% dos resultados, disse o CFO, João Veiga Anjos na conferência de imprensa. Isto é, acima de 867 milhões. O banco reportou 13,5% de rácio de capital CET1.O rácio de capital total é de 22,5%.
O ainda CEO destacou no seu discurso de apresentação das contas que já usaram 60% da garantia pública de crédito à habitação, num total de 1,1 mil milhões de euros. “São quase 37 mil pedidos”, disse o banqueiro que lembrou que, pela primeira vez, metade no novo crédito à habitação é do segmento de jovens até aos 35 anos.
Pedro Castro e Almeida revelou que “no crédito à habitação, mantivemos um papel ativo no apoio às famílias, tendo concedido 1 em cada 5 créditos no setor, com destaque para os jovens: quase metade dos novos créditos foi para clientes com menos de 35 anos, muitos beneficiando da garantia pública”.
O Santander Totta pediu um reforço da garantia pública de 150 milhões de euros. Mas ainda não teve feedback do Governo, revelou a administração do banco.
Na demonstração de resultados o banco registou uma queda da margem financeira de 12,8% para 1,37 mil milhões de euros, mas subiu 4% no quarto trimestre. Mas verifica-se uma subida das comissões de 7,1% (para 484,3 milhões), devido ao crescimento de volumes, explicou a administração.
A receita inclui 27 milhões de euros da reversão do custo com as contribuições do Adicional de Solidariedade sobre o Sector Bancário pagas em exercícios passados. O Santander Totta optou por contabilizar essa receita em “Provisões líquidas e Outros Resultados”
O produto bancário caiu 7,5% para 1,89 mil milhões de euros, o que inclui os encargos com os Fundos de Resolução e de Garantia de Depósitos.
Os custos cresceram +0,6% para 530,7 milhões de euros, com a ajuda da subida dos custos com pessoal (+3,8%). Por isso o rácio de eficiência piorou 2,3 pontos percentuais para 28,0%.
No balanço, o crédito total a clientes (bruto) cresceu +7,5% para 54.094 milhões de euros. Daqui o crédito a empresas e a institucionais subiu 6,5% para 26.516 milhões de euros. O crédito à habitação cresceu +8,6% para 25.263 milhões e o crédito ao consumo subiu +9,1% para 2.108 milhões. Desta forma o crédito a particulares subiu 8,4% num ano.
“Em 2025 o banco originou um em cada cinco novos créditos à habitação, reforçando o seu papel como parceiro de referência das famílias e dos jovens. Em paralelo, manteve um forte contributo para a transição sustentável, com 2,5 mil milhões de euros em financiamento sustentável”, revelou a instituição financeira.
A qualidade da carteira de crédito compara bem no mercado, com um rácio de Non-Performing Exposure (NPE) em 1,4% (0,2 p.p. face a 2024).
O custo do risco de crédito ascendeu a 0,01% melhorando face a 2024.
Por outro lado, os recursos de clientes subiram 7,1% para 49.155 milhões de euros. Aqui os depósitos subiram 6,2% para 39.452 milhões. Os fundos de investimento cresceram 15,2% para 5.625 milhões de euros.
Isabel Guerreiro referiu que “o objetivo é continuar a trabalhar de forma que possamos reduzir ou mitigar o impacto das quebras de receitas”, quando questionada sobre a estratégia para manter a rentabilidade nos atuais níveis.
A administração do banco revelou ter uma opinião tendencialmente positiva sobre as contas de poupança e investimento que a Comissão Europeia defende e que a CMVM propõe que sejam criadas em Portugal. Isto apesar de haver o risco de retirar poupanças aos depósitos, uma das formas de funding da banca. “Não temos medo, até porque será sempre uma oferta complementar à oferta dos bancos”, revelou a administração do banco. “Acho que Portugal tem uma cultura de poupança muito forte, baseada em produtos muito conservadores, e nós temos vindo a promover, no mercado e junto aos nossos clientes, uma alteração de cultura de poupança para uma cultura de investimento”, acrescentou.
O Santander Totta revelou ainda que prosseguiu a sua transformação digital e comercial, com um crescimento da base de clientes (em mais 40 mil clientes ativos e 64 mil clientes digitais), assim como da transacionalidade (1,3 milhões de compras e operações diárias de compras e pagamentos, um incremento de 9,7% face a 2024).
Pedro Castro e Almeida destacou que “crescemos de forma sustentada: temos hoje mais 40 mil clientes ativos, 64 mil novos clientes digitais face a 2024 e os volumes de crédito aumentaram 7,5%”.
Por fim salientou que “reforçámos, através da Fundação Santander, o nosso compromisso com educação, capacitação e inclusão, da Santander Open Academy, com mais de 500 mil inscritos em Portugal, ao apoio ao empreendedorismo via Santander X e a projetos de literacia financeira”.
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