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Sapo fez 23 anos e “continua a ser relevante na estratégia” do grupo, garante CEO da Altice Portugal

O Sapo está de parabéns e Alexandre Fonseca soprou as velas de forma diferente: esteve com a equipa de gestão de conteúdos a organizar a ‘homepage’ do portal. Pensou no regresso à escola e valorizou as notícias sobre Educação, não esqueceu a Tecnologia e preocupou-se com o Ambiente. O Jornal Económico acompanhou a viagem por trás da máquina de informação com mais de duas décadas.
5 Setembro 2018, 17h40

A 4 de setembro de 1995 nascia na Universidade de Aveiro aquela que viria a ser a plataforma de conteúdos online capaz de chegar a uma média de 3,3 milhões de utilizadores da Internet todos os meses. Hoje, a rotina diária de muitos portugueses passa por desbloquear o telemóvel ou ligar o computador do escritório e abrir o separador “Sapo” para aceder às principais notícias do dia. Provavelmente, até nos está a ler porque o fez. A caixa verde da ADSL com 24 megabites mensais foi substituída pelas boxes sem fios da MEO e pelos 10 gigabites que já exigem os clientes no telemóvel. Vinte e três anos passaram a assapar.

No edifício na Avenida Fontes Pereira de Melo estão as 140 pessoas responsáveis por dar visibilidade às notícias, crónicas, opiniões, publicidades ou vídeos que pretendem chegar à comunidade portuguesa por todo o mundo. Em dia de aniversário, o Jornal Económico entrou na sala onde se constrói o portal e encontrou Ana Gomes, gestora de conteúdos do Sapo, a tratar da homepage, com um convidado especial: o CEO da Altice Portugal, Alexandre Fonseca.

Com a lista de notícias previamente escolhida, o diretor executivo da Altice ‘vestiu a camisola’ Sapo e iniciou a escolha dos temas – o bolo e a festa com os parceiros chegam depois. “Estou familiarizado com este backoffice desde 1998. Normalmente de manhã tirou 15 ou 20 minutos para ver o que está a marcar a vida económica do país. Agora confesso que li os headlines e as notícias sobre Sociedade, Tecnologia ou Desporto com mais atenção”, refere Alexandre Fonseca, enquanto procura os conteúdos que selecionou no sistema. Ana Gomes acompanha o CEO e explica que há temas da atualidade, como “Síria ou refugiados temos de ter na homepage mesmo que não tenham muita audiência” porque a função do portal é também a de “divulgar aquilo que é importante”.

“Agora com o regresso às aulas vou dar prioridade à Educação. Na tab de Economia vou escolher a das explicações da Learnify (da StartUP Magazine) e a do Banco de Portugal sobre educação financeira (do Eco)”, ia comentando. Em relação ao Lifestyle, Alexandre Fonseca quis alertar para a quantidade de lixo que cada português produz: cerca de 40 quilos de lixo por mês (do Sapo 24), e assim continuou até ter a primeira página alterada.

A acompanhar de perto o processo está também a diretora do Sapo. Em declarações ao Jornal Económico, Filipa Martins disse que esta celebração “foi a maneira de envolver a Altice Portugal na gestão real e diária do Sapo”, no trabalho que os gestores de conteúdos durante 7 dias por semana/24 horas por dia fazem para manter “este ecossistema de informação”. De acordo com a responsável pela empresa, o Sapo tem “as contas equilibradas”, sobretudo devido ao crescimento a dois dígitos da vertente de content marketing. “O investimento que fazemos, no software e know-how tecnológico, manteve a linha dos anos anteriores. Recentemente, fizemos nós o desenvolvimento do site da Prima, a nova revista do grupo TiN”, diz.

Dados e personificação dos conteúdos

A meta para as próximas duas décadas do portal são manter a linha de credibilidade, a coerência em termos de conteúdo e a proximidade às pessoas. Filipa Martins adianta ainda que pretende ter uma componente tecnológica, “característica do ADN do Sapo”, que impulsione a agilidade para trabalhar no digital. “Depois, apontar para áreas novas mais de dados, numa vertente de segmentar audiência”, acrescenta, referindo que a equipa utiliza a Data Management Platform [desenvolvida pela Oracle], para a qual os colaboradores tiveram formação sobre como incorporar informação num website novo e processar a audiência. O sistema permite também vender publicidade consoante a segmentação daí oriunda.

Por sua vez, Alexandre Fonseca frisa que a operadora está atenta à sua rede de parceiros, QUE “têm de ser tipicamente agentes da comunicação social e dos media, que tenham alcance e que possam também aumentar esse alcance”. Segundo o diretor executivo da ‘telecom’, a exploração do mercado publicitário é outra das áreas onde o Sapo tem marcado a diferença.

O CEO da Altice Portugal recorda o Sapo como um serviço de apontadores, mas sabe que o conceito evoluiu e que a personificação dos conteúdos e a divulgação de temas relevantes para determinados utilizadores passou a ter maior importância. “Hoje funciona, à nossa escala, é o canal agregador. O modelo de negócio passa por isso, e por ser relevante”, afirma ao semanário. Alexandre Fonseca assegura que o portal tem mantido a imparcialidade e que a abrangência noticiosa e a independência continuam lado a lado, mesmo existindo uma seleção mediática diária. Para o número um da Alice Portugal, a neutralidade “característica única” do Sapo. “Infelizmente, nem todos os grupos que têm interesses na área da comunicação social têm. Não nos podemos esquecer de que um concorrente nosso, dentro do universo económico, que tem um órgão de comunicação no seu âmbito e tem sido enviesado”, confessa.

O CEO acredita que no Sapo não existe “concorrência leal ou desleal”, mas salienta que “o mesmo não se passa quando vemos o Google como player no setor das telecomunicações”, que, tal como a gigante tecnológica Facebook, “gozam de ausência de regulação no espaço europeu”. Questionado sobre se o portal já esteve em risco, Alexandre Fonseca lembrou que houve momentos em que a Altice se focou na “reestruturação”, naquilo que estava a ser feito “mais por dentro”, mas sublinhou que o grupo de Patrick Drahi considera que o Sapo se enquadra na estratégia para o mercado português. “O Sapo é e continua a ser uma peça muito relevante na estratégia da Altice em Portugal. Foi por isso que decidimos celebrar de forma mais visível. Acho que a marca Sapo continuará a ter um papel dentro desta nova etapa do grupo em Portugal em termos de conteúdos”, disse.

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