Saúde mental. “Há 24 mil psicólogos em Portugal, mas milhares de portugueses sem acesso a um”, alerta Ordem

Ansiedade, depressão, perturbações do sono, problemas de memória ou stress pós-traumático são alguns dos sintomas que se verificaram com a pandemia. Apesar das melhorias a que se assistiu a nível do serviço prestado no SNS a nível da saúde mental, existem ainda “milhares de portugueses” que continuam sem acesso a um profissional do sector.

A pandemia veio levantar um véu sobre uma das maiores fragilidades no Sistema Nacional de Saúde: o apoio à saúde mental. Durante o ano em que os portugueses viveram confinados, sintomas como depressão, ansiedade, stress, irritabilidade, entre outros, foram os que ganharam maior destaque uma vez que, e segundo o bastonário da Ordem dos Psicólogos, afetou pelo menos 40% da população.

Na altura, em conversa com o Jornal Económico, o Francisco Miranda Santos apontava que existem em Portugal 2,5 psicólogos no sector público por cada 100 mil habitantes. Tratavam-se de 250 profissionais de saúde mental para todos os centros de saúde e hospitais do país, o que considerou manifestamente “insuficiente”.

Hoje, no dia em que se assinala o dia do Psicólogo, este sábado, 4 de setembro, o bastonário adianta numa nota divulgada que “o país tem ao seu dispor 24 mil psicólogos, mas há milhares de portugueses sem acesso a um.”

Na área da saúde, adianta o responsável, “quem tem menos recursos económicos não consegue ter apoio psicológico porque os centros de saúde têm poucos psicólogos e mesmo os centros hospitalares têm falta de profissionais nesta área”, explica o bastonário, acrescentando que “só agora se começam a ver algumas alterações em subsistemas como a ADSE ou o interesse das seguradoras em assumir também o seu papel, mas em ambos os casos ainda há muito para concretizar”.

Já na educação há a assinalar um bom reforço das equipas e projetos nas escolas, com a mudança do papel do psicólogo para uma aposta mais preventiva, multinível, conseguindo, assim, chegar a mais pessoas na comunidade educativa, com maior impacto e parcerias locais.

Na resposta à Covid-19 “os psicólogos fizeram uma excelente adaptação, adequando o seu trabalho às exigências da pandemia e em muitos casos trabalhando à distância”. Nas empresas “houve uma crescente preocupação com o apoio psicológico aos trabalhadores”, mas, sublinha o Bastonário “é preciso apostar na mudança das práticas de liderança e de gestão, monitorizando os riscos psicossociais e cultivando organizações promotoras de um trabalho mais sustentável e com bem-estar. De outro modo, quem não o fizer perderá talentos e competitividade”.

Os dados da investigação mais recente também apontam para os efeitos a médio e longo prazo da Covid-19 na saúde psicológica, em todas as faixas etárias: aparecimento de quadros de ansiedade, depressão, perturbações do sono, problemas de memória ou stress pós-traumático.

“Isto pode significar um prolongamento das necessidades de intervenção psicológica durante bastante tempo, para um conjunto mais alargado de pessoas. Algo para o qual o país não deve ser apanhado desprevenido e tem que se preparar”, afirma Francisco Miranda Rodrigues

Além da pandemia, a crise climática, os refugiados e migrações, o envelhecimento, a paz e segurança e a pobreza serão alguns dos desafios da sociedade atual e também, por isso, desafios que beneficiam dos contributos da ciência e da prática dos psicólogos. “E ainda poucos estão onde é preciso nestas situações”, alerta o Bastonário Francisco Miranda Rodrigues.

 

Recomendadas

ASAE instaura 19 processos em fiscalização a suplementos alimentares

A ASAE instaurou 19 processos, 17 dos quais de contraordenação e dois processos-crime, durante uma fiscalização que incidiu sobre a venda de suplementes alimentares. 
médicos saúde pública

Covid-19. Crianças “não estão isentas de ter doença grave”, diz especialista

Em entrevista ao Jornal Económico (JE) e quando questionado sobre a vacinação das crianças, Ricardo Mexia respondeu que: “A indicação que temos é de que as vacinas são seguras e eficazes”.

Cientistas identificam versão da variante Omicron não detetada em testes PCR

Com a descoberta os cientistas passaram a dividir a linhagem B.1.1.529 da Ómicron padrão, conhecida como BA.1, e a variante mais recente, em BA.2.
Comentários