Se for preciso agravar medidas de confinamento, Marcelo dará apoio ao Governo

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu existir um “problema de compreensão, de comunicação da gravidade da situação, mas também há um problema dos portugueses olharem para a realidade e tenderem a facilitar”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Cristina Bernardo

Marcelo Rebelo de Sousa admite apoiar o Governo se for necessário avançar com medidas mais restritivas do Estado de Emergência. À saída de uma visita ao Hospital de Santa Maria no âmbito da campanha para as presidenciais, afirmou não querer falar como Presidente da República, mas acabou por admitir o cenário, “mais que não seja para um sinal político aos portugueses”.

“Há que olhar semana a semana e se for preciso reponderar medidas, o Governo naturalmente terá o apoio do Presidente da República para essa reponderação. Mais que não seja para sinal político aos portugueses”, disse em declarações aos jornalistas, transmitidas pela RTP3, este domingo à saída de Santa Maria.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu existir um “problema de compreensão, de comunicação da gravidade da situação, mas também há um problema dos portugueses olharem para a realidade e tenderem a facilitar”.

“Tender a facilitar é grave porque significa não levar a sério o confinamento”, disse, alertando para a “pressão sob as estruturas de saúde que não havia em março e abril” e sustentando que “estas semanas são determinantes”.

Marcelo Rebelo de Sousa vincou que “é preciso compreender que esta situação não é crítica, é muito crítica. É muito crítica naturalmente para os políticos e é muito crítica para os portugueses em geral. É muito crítica para os políticos porque quer dizer que tem que se analisar dia a dia, semana a semana as medidas para ver se é necessário restringir ainda mais o confinamento naquilo em que possa ser restringido nas medidas políticas”.

“Mas é fundamental para os portugueses, porque os portugueses no primeiro Estado de Emergência percebiam que exceções eram exceções. As várias exceções eram para ser utilizadas excepcionalmente”, disse, apelando a que os portugueses compreendam a gravidade da situação. “Ou a sociedade percebe ou os políticos naturalmente vão, e neles se integra o Presidente da República em função, percebem que nesse acompanhamento e monitorização pode ser necessário ir mais longe no fechamento de atividades que ainda ficaram abertas, se for necessário, como sinal à sociedade”, acrescentou.

Realçou ainda que se não existirem alterações, o Estado de Emergência poderá ser “muitíssimo mais longo, o confinamento muitíssimo mais longo, mas sobretudo que entretanto provoca situações de seres, de pré-ruptura ou de ruptura pontual e depois multiplicada”.

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