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“Se houver um IPO da Fidelidade a Caixa irá analisar”, disse Paulo Macedo

“Se houver um IPO (Oferta Pública Inicial) da Fidelidade a Caixa irá analisar” disse Paulo Macedo na conferência de imprensa de apresentação de resultados anuais, acrescentando que na Fidelidade “tudo nos interessa”.
CGD Paulo Macedo
JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
26 Fevereiro 2026, 18h40

“Se houver um IPO (Oferta Pública Inicial) da Fidelidade a Caixa irá analisar” disse Paulo Macedo na conferência de imprensa de apresentação de resultados anuais.

O CEO confirmou assim a disponibilidade da CGD para investir na Fidelidade porque é um bom ativo para alocar o atual excesso de capital do banco e porque fortalece a relação de distribuição de seguros que já existe. A CGD tem 15% e Paulo Macedo deixa a dúvida se haverá negociações com o outro acionista, a Fosun.

O presidente da comissão executiva da Caixa sublinhou que tem um acordo de distribuição dos seguros da Fidelidade (seguros de vida e unit-links e seguros não vida) e revelou que está a trabalhar com a seguradora no sentido de aumentar a venda de seguros. “Estamos empenhados em vender mais seguros aos nossos clientes”, frisou.

“O conjunto de seguros da Fidelidade interessa-nos, na Fidelidade tudo nos interessa. Vemos com bons olhos a entrada da Fidelidade em bolsa, nessa altura logo avaliaremos”.

“Também se houvesse alguma negociação também não dizia”, ironizou Paulo Macedo.

“Onde nós estamos mais empenhados é em aumentar a nossa fidelização dos clientes e o aumento de proveitos para ambas as entidades, para nós e para a Fidelidade em termos de seguros”, respondeu.

A Fidelidade, seguradora maioritariamente detida pela Fosun, prepara a entrada em bolsa (IPO) para o início de 2027.

A CGD precisa de aplicar o excesso de capital e o investimento na Fidelidade é considerado um ótimo ativo destino para esse investimento.

O CEO da Caixa foi ainda confrontado com a nova taxa de supervisão sobre os bancos que o Governador do Banco de Portugal anunciou. “O senhor governador é uma pessoa equilibrada e irá de certeza ponderar a questão da necessidade, referiu Paulo Macedo. “A Caixa não tem a supervisão prudencial do Banco de Portugal, tem supervisão comportamental”, acrescentou.

Em linha com os seus congéneres da União Bancária, o Governador anunciou também que o BdP está a preparar a aplicação de taxas de supervisão ao setor para cobrir os custos da atividade, pondo fim à exceção portuguesa nesta matéria.

“O Banco de Portugal está a equacionar a aplicação de taxas para assegurar a cobertura dos custos associados à atividade de supervisão, de forma proporcional e equitativa relativamente às entidades que operam no mercado nacional”, afirmou Álvaro Santos Pereira.

O CEO da CGD elogiou outra mensagem do Governador que no mesmo discurso disse que o Banco de Portugal irá estar na vanguarda da simplificação regulatória.

“Se não estivéssemos investido em tecnologia não conseguíamos sido líderes de mercado em crédito à habitação, no crédito como um todo, em cartões”, referiu admitir continuar a investir em tecnologia indo ao encontro das preocupações do Governador.

O Governador fez uma reunião com os bancos e “há uma coisa que me deixou mais descansado” e que foi a sua posição sobre a simplificação.  “Isso não passa por ter o dobro de empregados a supervisionar bancos”, rematou.

Relativamente à venda do banco no Brasil, o CEO da CGD disse que o processo está a decorrer, depois de receberem várias propostas de compra. “Fizemos a proposta ao Governo sobre quem é que devia passar à fase seguinte e estamos nesse processo, e depois disso esperamos passar às propostas vinculativas, mas ficámos animados com o interesse despertado e os valores indicativos oferecidos”.

O BCG Brasil é um banco com foco nas empresas e banca de investimento vocacionado para apoiar a clientes do Grupo CGD no país.

Sobre o BCI em Moçambique onde estão em parceria com o BPI, Paulo Macedo disse que “O BPI tem sido um parceiro”, e lembrou o posicionamento do BCI em Moçambique, onde é líder de mercado.

“Vemos a manter-nos no BCI”, disse o banqueiro, sublinhando que “a CGD só está onde houver clientes e onde for bem vinda pelas autoridades. Temos clientes e somos vindos, e sendo assim continuaremos no BCI”.

 


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