“Se tiver uma paragem cardíaca num centro comercial, a probabilidade de sobreviver é mínima”

O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia considera que a insuficiência cardíaca é a pandemia do século XXI.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia acredita que, pelo menos, meio milhão de portugueses sofra de insuficiência cardíaca. Numa entrevista à agência Lusa, João Morais disse o número será superior aos últimos dados disponíveis sobre a doença, que dizem respeito a um estudo com 15 anos e dão conta de 400 mil doentes.

“Quando hoje analisamos as doenças cardiovasculares é claro que temos um percurso de sucesso nos últimos dez anos. Muito provavelmente isso deve-se ao sucesso que Portugal teve no enfarte do miocárdio. Foi uma grande prioridade da cardiologia portuguesa nos últimos 20 anos. Estamos na altura de mudar o paradigma”, afirmou o especialista.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia considera que a insuficiência cardíaca é a pandemia do século XXI. A entidade que dirige garante que haverá várias centenas de pessoas que sofrem da doença mas não têm um diagnóstico – a análise de sangue necessária não é comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde. “Os doentes não têm capacidade económica”, explica

O cardiologista defende, na entrevista à agência noticiosa, que é preciso tratar a insuficiência cardíaca como um problema central, tal como se faz com o enfarte do miocárdio e com a diabetes.

Isto porque “a taxa bruta de mortalidade em Portugal é superior à da diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica e asma”, de acordo com a associação. “Se tiver uma paragem cardíaca num estádio de futebol ou num grande centro ou zona comercial, a probabilidade que tenho de sobreviver é mínima”, conclui João Morais.

“No acesso à ressuscitação em locais públicos, estamos muito longe de poder atingir sequer os mínimos”, comenta o cardiologista, que ressalva, contudo, o trabalho importante do INEM nesta matéria.

“Há locais em que as coisas estão razoavelmente montadas, mas está muito longe de ser um verdadeiro programa nacional de resposta à paragem cardíaca”, argumenta.

Relacionadas

Quantos quilos a mais aumentam o risco de doenças crónicas?

De acordo com os resultados do estudo desenvolvido pelos investigadores da Universidade de Harvard, na idade adulta, basta ultrapassar cinco quilos para além do peso ideal para aumentar o risco de doenças crónicas.

Bienal de Cardiologia começa hoje na Madeira

O tema orientador da 5ª Bienal de Cardiologia, que se realiza na Madeira, é a insuficiência cardíaca.

Dispositivos médicos: novas regras para uma maior segurança

Com os novos regulamentos prevê-se também a criação de uma base de dados europeia, a EUDAMED, que irá conter informação sobre todo o ciclo de vida de um dispositivo.
Recomendadas

Ómicron. O que já se sabe sobre a nova variante que está a preocupar as autoridades de saúde?

Com casos detetados em seis países do sul de África, a comunidade científica olha com atenção para esta nova variante que foi considerada pela OMS como uma “variante de preocupação”. Face à sua rápida disseminação, a União Europeia já decretou suspender todos os voos vindos de seis países africanos, incluindo Moçambique.

Terceira dose da vacina contra a Covid-19 já foi administrada a 900 mil pessoas em Portugal

Já a vacina contra a gripe foi dada a 1,7 milhões de pessoas, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Regulador da UE decide hoje sobre uso da vacina da Pfizer em crianças até 11 anos (com áudio)

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) vai emitir esta quinta-feira a sua decisão sobre administração da vacina anticovid-19 da BioNTech/Pfizer a crianças dos 5 aos 11 anos, podendo ser a primeira na União Europeia (UE) para esta faixa etária.
Comentários