Secretário norte-americano da Defesa em Israel para debater o Irão

Lloyd Austin esteve em Israel ao mesmo tempo que em Viena decorrem negociações entre os signatários do acordo nuclear para que Washington regresse ao diálogo – decisão que Israel contesta.

REUTERS/Dan Balilty

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, esteve este fim-de-semana em Israel para debater com o seu homólogo (interino) Benjamin Gantz a questão do Irão e a eventualidade do regresso dos norte-americanos ao perímetro do acordo nuclear com Teerão – tendo Israel insistido que a questão não podia ser mais relevante para a sua segurança.

Após a reunião, Gantz disse que os dois discutiram a ameaça que o Irão representa para Israel, bem como planos para garantir a superioridade militar do Estado judaico na região. Israel tem beneficiado há décadas do fornecimento de armas que não são vendidas a mais nenhum país do Médio Oriente. Mas essa situação pode ter sido alterada em 2020 – quando os israelitas perceberam que a assinatura dos Acordos de Abraão, nomeadamente com os Emirados Árabes Unidos, podia significar o fim desse entendimento.

Gantz chegou mesmo a ir a Washington debater o assunto com o antigo presidente Donald Trump – mas nunca ficou claro se os Estados Unidos estão ou não a ponderar a possibilidade de ‘abrir‘ as vendas de tecnologia avançada a outros ‘mercados’ do Médio Oriente.

“Durante nossas conversas, enfatizei ao secretário Austin que Israel vê os Estados Unidos como um parceiro pleno em todos os teatros operacionais – não menos no Irão”, disse Gantz, citado pelos jornais do país. “Trabalharemos em estreita colaboração com os nossos aliados norte-americanos para garantir que qualquer novo acordo com o Irão proteja os interesses vitais do mundo e dos Estados Unidos, evite uma perigosa corrida às armas na nossa região e proteja o Estado de Israel”.

Israel foi dos muito poucos países que aplaudiram a decisão de Trump retirar os Estados Unidos do acordo de 2015 – conseguido por Barack Obama e por Joe Biden enquanto vice-presidente. Na altura (2018), Israel insistiu que, ao deixar a questão dos misseis balísticos fora do acordo, a segurança do país estava colocada em causa.

Lloyd Austin absteve-se de falar publicamente sobre a questão iraniana, dizendo apenas que o diálogo com Gantz versara “desafios de segurança regional”. “Fiquei satisfeito com a nossa discussão sobre uma série de questões de segurança que são importantes para os nossos dois países”, disse Austin após a reunião. “Apreciei ouvir as perspetivas do ministro Gantz sobre os desafios na região”. “Reafirmei ao ministro Gantz que o nosso compromisso com Israel é duradouro e robusto, e garantir que a vantagem militar qualitativa de Israel se vai manter”, disse Austin.

A reunião entre ambos ocorreu quando em Viena estão a decorrer conversações entre o Irão e os países que assinaram o acordo e nele se mantêm – Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China – para avaliarem a possibilidade de os Estados Unidos voltarem a sentar-se à mesa das negociações com Teerão.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu advertiu a semana passada que Israel não será sentirá limitado por um qualquer acordo nuclear revitalizado entre as potências mundiais e o Irã. O que, por outras palavras, quer dizer que o Estado judaico se sente no direito de boicotar – nomeadamente recorrendo às armas – qualquer eventualidade de o Irão atingir a qualidade de potência nuclear. O secretário norte-americano tem previsto um encontro com Netanyahu – que já disse várias vezes opor-se ao regresso dos Estados Unidos ao perímetro do acordo nuclear com o Irão.

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