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Seguradoras são farol de “confiança e de ética”, sublinham líderes da Fidelidade e Generali Tranquilidade 

Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade, e Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade, discutiram o futuro do setor segurador português. O envelhecimento demográfico, o impacto da IA e a educação financeira foram alguns dos temas abordados no “Seguros Summit 2025”
4 Novembro 2025, 15h56

Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade, e Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade,  integraram o painel “O futuro e a instabilidade como novo normal” no “Seguros Summit 2025”, um evento do Jornal Económico, que reuniu líderes, o regulador e especialistas para discutir o futuro do sector segurador português. Num mundo cada vez mais confrontado com os efeitos visíveis e imprevisíveis das alterações climáticas, o setor segurador desempenha um papel determinante na construção de um futuro mais seguro e sustentável.

“O tema climático é cada vez mais relevante, todos os anos temos más notícias, de incêndios, temporais ou tempestades. Os seguros relacionados com o património são muito massacrados por eventos mais frequentes, e é um tema com que nos preocupamos. Já tem impacto nas contas. Os prémios têm de refletir o risco associado a estes eventos. Temos de ajudar os nossos clientes a prepararem-se para estas situações”, diz Rogério Campos Henriques.

Em relação aos seguros agrícolas, tanto como o CEO da Fidelidade como Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade, explicam que as zonas onde tipicamente se fazem este tipo de seguros, como o Oeste, são de risco bastante elevador. “Temos um problema para gerir”, afirmam. O Estado deixou de subsidiar seguros de colheitas e as seguradoras passaram a selecionar de forma muito cuidadosa os segurados.

Sobre o envelhecimento da população e a relação com os seguros, Pedro Carvalho sublinha o fato de haver um milhão de portugueses com mais de 65 anos a viverem sozinhos e que precisam de medicação e assistência domiciliária.

“O envelhecimento também afeta todos os parâmetros relacionados com os seguro automóvel, de saúde etc”.  “Este tema levanta dinâmicas como o reverse morgage”, acrescenta Rogério Campos Henriques. Num contexto onde a esperança média de vida aumenta e onde há, simultaneamente, pressões económicas nos sistemas de pensões, torna-se imperativo procurar soluções alternativas de rendimento para garantir uma velhice mais confortável.

“Precisamos que em Portugal haja uma regulação deste tipo de produtos, que crie as regras básicas, senão vai ser sempre um produto de nicho”, defendem. Embora ainda não seja amplamente divulgada ou utilizada em Portugal como noutros países, esta solução financeira tem sido discutida à medida que a sociedade portuguesa enfrenta desafios ligados ao envelhecimento populacional. “Se o mercado não tiver estruturado, as pessoas não sentem confiança”, acrescentam.

A tecnologia no setor segurador utiliza a Inteligência Artificial e a automação para otimizar processos, desde o cálculo de prémios e subscrição até ao atendimento ao cliente e gestão de sinistros. “Temos que olhar para as seguradoras como entidades de bem. Somos empresas com história longa e temos de ser um farol de confiança e de ética. Já usamos soluções de IA, para automatização de processos internos e passámos à fase de escala. A reputação das seguradoras melhorou imenso em Portugal, estão mais perto dos clientes, há mais soluções e isso significa que estamos a fazer um caminho positivo. Temos hoje em dia modelos que conseguem fazer uma segmentação de risco mais profunda e estamos aqui para proteger as pessoas. O principio do mutualismo está presente”, afirma o CEO da Fidelidade.

A IA está a transformar a indústria, proporcionando maior eficiência, reduzindo custos e melhorando a experiência do cliente através de análises de dados avançadas e personalização. “O foco neste momento tem sido em alavancar a IA para sermos mais eficientes e ter contacto com os clientes de forma mais eficaz. O nosso foco tem sido introduzir soluções viradas para os clientes nos serviços mas também na área da fraude – ao reduzir a fraude nos seguros automóvel, de saúde e propriedade. Isso permite baixar o preço para sermos mais competitivos. Pretendemos induzir comportamentos que façam com que as pessoas mitiguem o risco que têm”, acrescenta o CEO da Generali Tranquilidade.

No tema da educação financeira, ambos os responsáveis explicaram que as seguradoras que lideram têm uma visão de longo prazo, um conjunto de produtos competitivos e inovadores. O objetivo é multiplicar a captação de poupança dos portugueses nos próximos anos. E se tivessem de fazer uma recomendação ao Supervisor? “Um diálogo próximo com o setor, representantes das companhias e com o Governo é particularmente relevante. Este é um setor profundamente regulado e muito condicionado pelas opções políticas que se tomam. E, portanto, temos estar de mãos dadas para daqui a uns anos possamos dizer que fizemos a diferença ou no protection gap ou na poupança para o investimento”, diz Pedro Carvalho.

Rogério Campos Henriques partilha da mesma opinião. “Riscos como a questão da longevidade, a demografia e as alterações demográficas estão aí. Temos a oportunidade de fazer a diferença em Portugal e criar um enquadramento e dinâmica em que os operadores de mercado possam ser determinantes. Há oportunidade de catapultar Portugal para outro patamar. O poder político tem de fazer a diferença porque precisamos de enquadramentos legislativos que incentivem os portugueses a fazer melhor. E, para isso, estamos cá todos”.


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