Seis bancos com 884 milhões de imparidades Covid-19 até setembro

Com os elevados prejuízos do Novo Banco e o regresso às perdas do Banco Montepio o balanço, em termos de resultados líquidos, dos seis maiores bancos é negativo em 31,6 milhões de euros.

Cristina Bernardo

Os seis maiores bancos já apresentaram as contas do terceiro trimestre. A destacar o facto de, no geral, a CGD, o BCP, o Santander, o Novo Banco, o BPI e o Banco Montepio terem constituído 884,2 milhões de imparidades decorrentes da revisão do cenário macroeconómico no contexto da pandemia Covid-19, sem estarem alocadas a riscos específicos da carteira de crédito.

A Caixa Geral de Depósitos registou 220 milhões de euros de imparidades Covid, que justificam em grande parte queda do lucro do banco de 38,8% para 392 milhões de euros.

O Novo Banco é o segundo banco a registar o maior número de imparidades para acautelar riscos futuros da carteira de crédito decorrentes da crise pandémica. Foram 187,2 milhões de euros de imparidade adicional para riscos de crédito decorrentes da pandemia Covid-19, que ajudaram aos prejuízos de 853,1 milhões nos primeiros nove meses de 2020. O banco liderado por António Ramalho explicou que neste prejuízo estão os 260,6 milhões de euros de imparidades para a exposição a fundos de reestruturação devido a uma avaliação independente feita a esses fundos de reestruturação.

Mas sobretudo foram as imparidades e provisões de 727,7 milhões que o Novo Banco teve de constituir por ter registado o Novo Banco Espanha como operação em descontinuação, e ainda por causa do agravamento do nível de incumprimento de alguns clientes (crédito a clientes, garantias e instituições de crédito), sendo de 26,9 milhões o reforço da provisão para reestruturação que o banco constituiu.

Nas imparidades Covid, segue-se o BCP que constituiu 173,6 milhões de euros o que explica a queda de 45,9% dos resultados de setembro, para um lucro de 146,3 milhões de euros.

O Santander Totta não discrimina as imparidades que são alocadas para riscos específicos das que são provisões genéricas. Mas fala em imparidade líquida de ativos financeiros ao custo amortizado, num total de 146,5 milhões, que pôs o lucro do banco nos 254,5 milhões, menos 35% que um ano antes.

Já o BPI apresentou imparidades Covid de 47,5 milhões que somam a imparidades de crédito líquidas de recuperações no valor de 101,3 milhões. O BPI reportou lucros de 85,5 milhões, a caírem 66% face ao período homólogo.

Por fim o Montepio reportou 109,4 milhões de euros de imparidades Covid que explica, em parte, que o banco liderado por Pedro Leitão tenha passado de lucros de 17,7 milhões em setembro de 2019 para um prejuízo de 56,8 milhões de euros.

O Banco Montepio viu também o seu capital próprio cair 7% num ano (102 milhões) para 1.350 milhões de euros. O que o banco justifica, dizendo que esta redução evidencia “os impactos adversos exógenos anteriormente referidos, a relevação contabilística dos resultados líquidos negativos dos primeiros nove meses de 2020 no montante de 56,8 milhões e, com menor expressão, os efeitos resultantes do apuramento de um desvio atuarial positivo no Fundo de
Pensões de 5,3 milhões e da reclassificação para o passivo de uma emissão perpétua de 6,3 milhões de euros.

Para além das imparidades Covid, os bancos também reportam imparidades para crédito. A CGD reportou no período imparidades de crédito líquidas de recuperações no valor de 195,7 milhões (muito acima do registado um ano antes).

O BCP registou imparidades de crédito líquidas de recuperações no valor de 374, milhões (mais 25% que no período homólogo). Já o Novo Banco bate sempre o record e registou 383,3 milhões de imparidades para crédito, ainda assim menos 1,3% do que em Setembro de 2019.

O Banco Montepio apresentou imparidades de crédito líquidas de recuperações de 140 milhões de euros até setembro.

Com os elevados prejuízos do Novo Banco e o regresso às perdas do Banco Montepio o balanço, em termos de resultados líquidos, dos seis maiores bancos é negativo em 31,6 milhões de euros.

 

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