Seis meses para a COP26

Esta tem de ser a Cimeira do Clima que remete a energia a carvão para a história, põe termo à desflorestação e sinaliza o fim dos veículos poluentes. Exorto todos os países a focarem os seus esforços em torno destes objetivos.

Em novembro deste ano, o Reino Unido recebe o mundo em Glasgow, Escócia, para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas, a COP26. O Acordo de Paris compromete-nos a limitar o aumento global da temperatura a um nível bem abaixo dos dois graus – o objetivo é 1,5 graus, porque a ciência diz-nos que chega para evitar os piores efeitos das alterações climáticas.

O Climate Action Tracker (Sistema de Rastreio para a Ação Climática) estima que, se os países cumprirem as suas metas de redução de emissões, estaremos no caminho para um aumento médio da temperatura de 2,4 graus. Revela uma melhoria em relação às estimativas feitas há um ano, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Para limitar o aquecimento a 1,5 graus, temos de reduzir para metade as emissões globais até 2030. Portanto, esta é a década decisiva.

É isso que torna a próxima conferência das Nações Unidas sobre o clima em Glasgow, a COP26, tão crítica. Como Presidente Indigitado, ao lado do primeiro-ministro do Reino Unido, dos colegas ministros e de toda a rede diplomática do Reino Unido, tenho insistido em quatro objetivos-chave.

Em primeiro lugar, temos de colocar o mundo no rumo certo para reduzir emissões, até atingirem o zero líquido em meados deste século. Precisamos que os países apresentem objetivos claros de redução de emissões, como a Lei Europeia do Clima, acordada durante a Presidência Portuguesa da União Europeia, que estabelece um objetivo juridicamente vinculativo de emissões líquidas de gases com efeito de estufa nulas até 2050. E precisamos também de ver ação concreta nos sectores mais poluentes.

Esta tem de ser a Cimeira do Clima que remete a energia a carvão para a história, põe termo à desflorestação e sinaliza o fim dos veículos poluentes. Por conseguinte, estamos a trabalhar com os governos e organizações internacionais para acabar com o financiamento internacional do carvão. A reunião dos Ministros do Clima e do Ambiente do G7, que copresidi recentemente, compromete os países do G7 a pôr fim a todos os novos apoios governamentais diretos à energia a carvão a nível internacional até ao final de 2021.

O nosso segundo objetivo é proteger as pessoas e a natureza dos piores efeitos das alterações climáticas. A crise climática já está entre nós e temos de agir de acordo com a necessidade real de defesa contra cheias, sistemas de alerta e outros esforços vitais para minimizar, evitar e fazer face às perdas e danos causados pelas alterações climáticas.

O nosso terceiro objetivo são as finanças, sem as quais a tarefa que temos pela frente é quase impossível. Os países desenvolvidos têm de concretizar a promessa de apoiar países em desenvolvimento com 100 mil milhões de dólares por ano. O Reino Unido está a dar o exemplo, tendo afetado 11,6 mil milhões de libras para este fim entre 2021 e 2025. E precisamos que todos os países desenvolvidos façam o mesmo. É uma questão de confiança.

Em quarto lugar, temos de trabalhar em conjunto para cumprir estes objetivos. Os quais implicam construir consensos entre governos, para que as negociações de Glasgow possam ser bem sucedidas. Para além disso, temos de convencer empresas e sociedade civil a abraçar os nossos objetivos COP26, e reforçar a colaboração internacional em setores críticos.

Exorto todos os países a intensificarem os seus esforços em torno destes objetivos, porque a COP26 é a nossa última esperança para manter viva a ideia de limitar o aumento das temperaturas a 1,5 graus, a nossa melhor hipótese de construir um futuro mais brilhante; um futuro de emprego verde e com maior qualidade do ar.

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