Seis urgências óbvias e intemporais

Trabalhar com uma marca “Portugal” forte, em que não seja necessário ter de explicar porque é que Portugal é “top” ajuda a acelerar a internacionalização das nossas empresas.

Andamos muitas vezes a correr atrás das “urgências” e deixamos para depois o que é “importante”.  Há uns dias questionaram-me sobre quais as prioridades para que se conquiste – com urgência – mais investimento estrangeiro no contexto atual, criando assim mais emprego. Penso que a pergunta está distorcida, e devia ser “quais as medidas importantes para que se traga – em qualquer momento, em vez de apenas neste – mais investimento estrangeiro para Portugal, e assim se possa criar – sempre – mais emprego?”.

Por experiência própria a trazer investimento para Portugal no contexto de um grupo global, ficam então aqui seis temas óbvios, e intemporalmente urgentes:

  1. Segurança primeiro: é necessária uma imagem “imaculada” de segurança para Portugal.

Antes da Covid tínhamos uma boa reputação nesta frente, e era um fator competitivo entre outros. Durante a Covid mantivemos essa imagem, e talvez o excesso de confiança de muitos de nós tenha mudado este cenário. Temos agora que inverter – rapidamente – a nossa imagem nesta matéria. O turismo precisa – é claro. Mas as empresas bastante internacionalizadas que dependem da realização de viagens para vender e operar, também precisam, para entregar valor português lá fora. É muito, muito urgente.

  1. Custos de contexto: controlados e previsíveis.

O investimento de qualidade é aquele que fica para “sempre”, mantendo a sua presença mesmo em momentos mais desafiantes. É importante uma administração pública eficiente que retire burocracia e complicações aos cidadãos e empresas, que os atenda em real time. A espera e as surpresas são castradores. Investidores de qualidade, não gostam de surpresas – sobretudo negativas. É importante motivar o investimento de qualidade a vir – e permanecer – em Portugal, assegurando previsibilidade de todos os custos de contexto de uma empresa. É urgente estar na agenda coletiva de todos.

  1. Estabilidade fiscal: para as pessoas e empresas.

Cada euro que um salário completo – com todos os impostos – custa a uma empresa, significa mais ou menos competitividade líquida no bolso de uma pessoa. Quem tem know-how globalizado – como programadores, engenheiros de instrumentação, médicos, cientistas de dados, enfermeiros ou eletricistas – pode encontrar noutro país a possibilidade de ganhar mais liquidez. Ter em atenção a competitividade fiscal do meio da pirâmide social é crítico. Assumindo a controvérsia, prefiro que aumentem os meus impostos – bem como os dos meus pares – do que os de todos aqueles que fazem acontecer a real operação da economia. É um fator de competitividade para pessoas e empresas.

  1. Solidariedade eficaz: execução rápida das “ajudas extraordinárias” da Europa.

As decisões de injeção de dinheiro da economia por várias vias só se transformam em resultados e emprego se a celeridade da execução dos projetos concretos acontecer no momento certo. Sabemos que as máquinas administrativas de controlo desta aplicação são historicamente bastante burocráticas, e urge que a rapidez seja um driver para o sucesso. É importante sempre, é mais urgente agora.

  1. Justiça célere: pela sustentabilidade ética e económica.

Conheci há uns dia um (bom) empresário que construiu a pulso uma (boa) empresa ao longo de quase 30 anos. Trabalha com tecnologia que diferencia a sua empresa, exporta quase 50% do seu volume de negócios. Tem um “diferendo” com a Segurança Social que é superior ao seu resultado operacional de dois anos normais, e espera uma resposta do tribunal há quase dois anos – e este, é um pequeníssimo atraso quando comparamos com outros casos que todos conhecemos.

Pagou o diferendo à cabeça. Confidenciou-me que como trabalha sem dívida – e bem! – travou a devida expansão para poder esperar tranquilamente a resposta do tribunal. Se batalhamos para angariar investimento estrangeiro, também competimos com outros países por “celeridade” na justiça. É muito importante sempre. É muito urgente, sobretudo agora.

  1. Marca Portugal: em vez de um custo, é um investimento.

Tem de ser bem trabalhada e é um assunto onde faz sentido investir – mais – algum erário público. É preciso relembrar que os projetos empresariais que se querem sustentáveis, devem ser pensados – à cabeça – para serem internacionalizados. Trabalhar com uma marca “Portugal” forte, em que não seja necessário ter de explicar porque é que Portugal é “top” – e é mesmo – ajuda a acelerar a internacionalização das nossas empresas.

Neste movimento, podemos – todos – beneficiar de uma forte Marca Portugal, com atributos de competência, adaptabilidade e agilidade, mas também segurança e confiança. Copie-se talvez o esforço que tem sido feito pelo Turismo. É muito urgente agora, mas é importante sempre.

Uma pessoa que muito estimo e com quem trabalhei durante uma meia dúzia de anos, disse uma vez numa reunião de equipa o seguinte: “alguns de nós estão a tratar do que é importante, e outros do que é urgente”. Se essa pessoa ler este artigo hoje, deixo-lhe aqui um conceito novo: é que há temas que são intemporalmente urgentes, talvez por isso sejam sempre importantes.

Qualquer um destes seis pontos precisa mais de atenção, ação e execução, do que de euros. São urgentes e também muito óbvios – nem por isso fáceis –, mas são também intemporais. Por isso, serão sempre muito importantes. Por favor, executem-se!

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