Seja 95 ou 90, o que se quer é passar a tormenta

Acredita-se ainda que novos concorrentes possam entrar na corrida às vacinas. Para nós, a esperança cresce. Para os principais índices bolsistas americanos, os máximos sobem à boleia das boas notícias.

Estávamos no trecentésimo décimo terceiro (313º) dia deste ano de 2020 – que mais parecia o milésimo – ou, por outras palavras, dia 09 de novembro, quando foi publicada uma das melhores notícias, senão a melhor, dos últimos tempos: a farmacêutica americana Pfizer divulgou os resultados da eficácia da vacina que desenvolveu em conjunto com a alemã BioNTech. Estes foram muito animadores e os 90% de eficácia anunciados começaram a dar alguma esperança.

Uns dias depois, a Rússia tornou-se a segunda entidade a apresentar um tratamento para a Covid-19, a vacina a Sputnik V – desenvolvida pelo Instituto Gamaleya – que, embora tenha alguma nebulosidade associada, apresenta uma eficácia de 91,4%. E o espetáculo não parou! Novamente, passados apenas uns dias, outro anúncio semelhante foi feito pela Moderna. Desta vez, era exibida uma estonteante eficácia a rondar os 95%. E foi nesta altura que, aos nossos olhos, tudo isto parecia uma incessante corrida para ver quem chegava mais perto dos 100%. Não será esta, provavelmente, a única corrida em que esperamos que todos os participantes ganhem?

A tristeza aqui não se aplicava porque a emoção não tinha acabado. Volvidos apenas uns dias, a Pfizer e a BioNTech atualizaram os dados relativos à eficácia real e apresentam agora também os mesmos 95% da Moderna. Para além disto, e para nosso deleite, entrou outro concorrente nesta corrida: a vacina produzida pela Universidade de Oxford em conjunto com a AstraZeneca foi apresentada como tendo uma possível eficácia de 90%. Como estamos a ver, tudo isto aconteceu num muito curto espaço de um mês.

Para nós, isto está a ficar cada vez mais emocionante (e esperançoso).

Quem também gostou muito destas novidades foram os mercados financeiros que, à boleia destas notícias têm vindo a ter dias muito positivos levando a novos máximos nos valores dos principais índices bolsistas americanos – o S&P500 e o NASDAQ – e a uma recuperação, embora que menos significativa, dos índices bolsistas europeus.

Falando de números, analisemos os preços das ações das várias empresas já aqui referidas e a sua evolução no curto espaço de tempo entre o início de novembro e a segunda sexta-feira de dezembro, ou seja, dia 11 deste mês. Através deles, apercebemo-nos que são elas uma das principais razões para esta evolução positiva do mercado.

A Pfizer iniciou o mês de novembro avaliada em 33,7 dólares por ação e valorizou 22% apresentando um preço de 41,1  dólares no dia 11 de dezembro. Quanto à sua parceira no desenvolvimento da vacina, a BioNTech, no mesmo período, apresentou uma valorização de 49%, passando de 85,4 dólares para 127,3 dólares. No que diz respeito à Moderna, esta não só seguiu a tendência como também foi a empresa que teve uma maior valorização neste curto espaço de tempo. Uma valorização de 133% e uma evolução dos preços por ação de 67,5 dólares para 156,9 dólares.

Por fim, a AstraZeneca, ao contrário da Moderna, foi a empresa que apresentou uma menor variação – 8,2% – não deixando, contudo, de ser uma valorização positiva. No início deste período o preço estava nos 50,2 dólares e encontra-se agora nos 54,3 dólares.

Acredita-se ainda que novos concorrentes possam entrar nesta corrida. No entanto, a incerteza para com o que se pode esperar continua bem presente e não deixará de ser uma realidade num futuro próximo. Cada vez mais está presente o desejo de a meta não ser mais uma miragem e ela até pode estar à vista, mas a tormenta ainda não passou.

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