Sem lay-off, 17% das empresas tinham défice de liquidez ao fim de 40 dias, estima Banco de Portugal

Estudo calcula que com a adoção da medida de lay-off simplificado, a percentagem de empresas com défice de liquidez no cenário de 40 dias úteis cai para cerca de 12%, ficando em linha com o registado antes da pandemia. 

Sem o lay-off simplificado, 17% das empresas teria défice de liquidez ao fim de 40 dias de quebra de atividade, sendo esta percentagem mais elevada no caso das grandes empresas, contra 12% com o acesso a este regime. A conclusão é de um estudo do Banco de Portugal (BdP), publicado esta quarta-feira, que identifica os setores do alojamento, restauração e similares como aqueles onde esta tendência é mais acentuada.

O estudo integrado no “Boletim Económico” conclui que “a percentagem de empresas que não tem liquidez suficiente para pagar os custos fixos aumenta com o número de dias de redução da atividade, à medida que se esgotam progressivamente as suas reservas de caixa, depósitos e linhas de crédito contratualizadas”.

Segundo esta simulação, considerando a adoção da medida de lay-off simplificado, a percentagem de empresas com défice de liquidez no cenário de 40 dias úteis cai para cerca de 12%, ficando em linha com o registado antes da pandemia.

“Esta percentagem reduz-se mais nas grandes empresas e no setor “alojamento, restauração e similares” que, ainda assim, continua a ser o setor onde uma maior percentagem de empresas tem défice de liquidez após a consideração da medida de lay-off simplificado”, refere o relatório do regulador.

Grandes empresas mais dependentes 

Segundo a simulação do BdP, quando se considera o choque sem o acesso ao lay-off simplificado, cerca de 18% das grandes empresas e 17% das microempresas não são capazes de pagar os seus custos fixos, revelando aumentos de 17 e de 5 pontos percentuais (p.p.). face à situação antes da pandemia.

“O setor com maior percentagem de empresas com défice de liquidez é “alojamento, restauração e similares”, ascendendo a 31% das empresas (12 p.p. acima do observado antes da pandemia)”, indica, acrescentando que “os setores “comércio” e “indústrias transformadoras”, ambos com elevado peso na economia, registam 16% das empresas com défice de liquidez”, acréscimo face à situação anterior à pandemia de 5 e 7 p.p..

O impacto do acesso ao lay-off na redução da percentagem de empresas com défice de liquidez ao fim de 40 dias, com maior expressão nas grandes empresas, passando de 18% para 5%. Já cerca de 12% das microempresas registam um défice de liquidez mesmo após a medida de lay-off.

“A maior redução é observada no “alojamento, restauração e similares”, o qual passa de 31% para 19%”, conclui, acrescentando que ainda assim, “este continua a ser o setor onde a percentagem é mais elevada”.

“O elevado número observado neste setor é particularmente relevante dado que é expectável que neste caso o choque económico provocado pela pandemia possa ter efeitos muito persistentes.A percentagem de empresas sem liquidez suficiente nos setores do “comércio” e das “indústrias transformadoras” é de 12% e 9%”, assinala.

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