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Sete maiores bancos com lucros de 5,6 mil milhões em 2025 com crescimento anual de 1,95%

O BCP (muito graças ao Bank Millennium na Polónia) já superou a Caixa em produto bancário, em margem financeira, em comissões, em crédito no geral e à habitação em particular e em depósitos. Mas também em custos. Onde é que a CGD lidera? Em volume de resultados, em custo do risco e tem a melhor cobertura por imparidades (125,8%) com um rácio de malparado de apenas 1,31%. O Santander é mais rentável e o BPI tem o melhor rácio de malparado (NPE de 1,2%).
9 Março 2026, 07h00

O total de resultados líquidos dos sete maiores bancos – CGD, BCP, Santander Totta, Novobanco, BPI, Banco Montepio e Crédito Agrícola – ascendeu em 2025 a 5.619,3 milhões de euros, o que traduz um crescimento de 1,95% face ao lucro acumulado dos mesmos sete bancos em 2024 (5.511,8 milhões).

A Caixa Geral de Depósitos lidera em volume de resultados ao somar 1.904 milhões (tendo crescido 9,8%), enquanto o Santander destaca-se em rentabilidade, com um Return on Tangible Equity (RoTE) de 31,8% suportado por um resultado líquido de 963,8 milhões de euros. O banco manteve-se assim como o mais rentável em Portugal, o mais rentável dentro do Grupo Santander e um dos mais rentáveis na Europa. No entanto o Santander  é o banco com o mais baixo crescimento dos lucros, subiu apenas 0,5%.

O BCP mostra o maior crescimento anual dos lucros mais alto, ao subir o resultado líquido consolidado 12,40% para 1.018,6 milhões. Sendo que a operação em Portugal gerou um lucro de 869,4 milhões de euros, o que representa um aumento de 10,6% em relação ao ano anterior.

A subidas da CGD, Santander e BCP contrastam com as quedas nos lucros no BPI (-13%) e Crédito Agrícola (-34%) e Banco Montepio (-5,6%).

Grupo BCP ultrapassa  Grupo CGD em quase tudo graças à Polónia

O BCP (muito graças ao Bank Millennium na Polónia) já superou a Caixa em produto bancário, em margem financeira, em comissões, em crédito no geral e à habitação em particular e em depósitos. Mas também em custos. Onde é que a CGD lidera? Em volume de resultados, em custo do risco e tem a melhor cobertura por imparidades (125,8%) com um rácio de malparado (Non Performing Exposure) de apenas 1,31%, indicando reservas robustas.

O Santander é mais rentável e o BPI tem o melhor rácio de malparado (NPE de 1,2%), mostrando ter a carteira de crédito mais saudável. Pelo contrário, O Crédito Agrícola tem o rácio de NPL mais alto (3,7%) e a cobertura por imparidades mais baixa (69%), sugerindo maior risco no banco da agricultura.

O Santander também ganha aos concorrentes em rácio de eficiência (cost-to-income) já que tem o mais baixo de 28% (seguido a CGD que tem o segundo melhor com 30,1%. Os piores em eficiência são por esta ordem: o Banco Montepio (62,3%); o Grupo CA (52,2%) e o BPI (41%).

No que toca à rentabilidade (medida pelo RoTE ou pelo ROE) e depois grande campeão Santander Totta, surge por ordem decrescente: Novobanco (21,6%); CGD (17,4%); BPI (15,6%); BCP (14,10%); Crédito Agrícola (9,7%) e Banco Montepio (9,6%). A rentabilidade média anda em torno dos 17%.

O Crédito Agrícola lidera em capitalização com um Rácio de Capital CET1 de 23%, seguido da CGD que reporta 21,20% já depois da maior distribuição de dividendos da sua história, de 1,25 mil milhões de euros.

Comparação da conta de resultados

Na conta de resultados o BCP lidera em produto bancário (3.815,2 milhões de euros), superando mesmo a maior banco do mercado que é a CGD, e, em contraciclo com os seus rivais, registou uma subida de 6,8%. Todos os outros, à exceção do Novobanco (que registou uma subida de 0,5% para 1.569,9 milhões), reportaram declínios na receita (produto bancário). A maior queda o produto bancário aconteceu no Grupo Crédito Agrícola (-13% para 938,2 milhões). O Banco Montepio perdeu num ano 9,8% com o produto bancário a ascender a 450,1 milhões. Os bancos BPI (-8%), Santander (-7,5%) e CGD (-0,5%) registam variações anuais negativas no produto bancário.

A que se deve esta performance? Sem surpresas deve-se essencialmente à queda da receita da margem financeira. O ano foi marcado por variações negativas na margem financeira para a maioria dos bancos, exceto para o BCP que viu a margem financeira subir 2,4% para 2.898,1 milhões (em termos consolidados).

Mas no BCP há que ressalvar que a subida da margem financeira se deve ao seu banco na Polónia, essencialmente, porque em Portugal a margem caiu 0,6% para 1.332 milhões de euros.

O BCP lidera em volume de receita de juros, seguido da CGD com 2.503 milhões (-9,9%); do Santander (1.370 milhões e uma queda de 12,6%); do Novobanco com uma receita de margem financeira a ascender a 1.097,1 milhões (-7%); do BPI com 875 milhões (-10%); do Crédito Agrícola (655,4 milhões a recuar -16,3%); e o Banco Montepio com receita da margem a somar 330,6 milhões (-14%).

No que toca às comissões o BCP lidera em volume (acima da CGD) com um total de 847,4 milhões (4,3%), enquanto o Novobanco destaca-se no crescimento desta receita (+9,50%).

Olhando para os custos, a subida é uma tendência generalizada. Mas o campeão do agravamento dos custos é o BCP (+8,3% para um total de 1.415 milhões. O Crédito Agrícola segue-se com uma subida de 6,7% para 489,6 milhões.

O Santander e o Novobanco são os mais poupados, já que revelam baixas subidas dos custos operacionais. No Santander a subida é de apenas 0,6% (para 530,7 milhões) e no Novobanco é de 1,5% (para 506,6 milhões).

Uma tendência do ano é o baixo custo do risco de crédito  (média cerca de 0,1%), indicando ambiente de risco controlado, com CGD a mostrar liberação de provisões (CoR de -0,35%) e o Banco Montepio a ter um custo risco perto de 0% (marginalmente negativo).

Os quatro maiores (CGD, BCP, Santander, Novobanco) dominam 80% dos resultados e balanço, com melhor rentabilidade e eficiência. Os mais pequenos (BPI, Crédito Agrícola, Montepio) mostram crescimentos em crédito, mas sofrem com queda de receitas.

A tendência do setor é de um crescimento em crédito e depósitos, mas com pressões na margem financeiras devido ao ambiente de juros. A maioria dos bancos põe o foco na receita comissões (exceto o BPI) e eficiência  (custos sobre proveitos) para compensar.

Em termos de qualidade da carteira de crédito os bancos revelam no geral NPL baixos, sendo que o Crédito Agrícola e o Novobanco continuam a ser os piores neste indicador na lista dos sete. O Grupo CA tem um rácio de crédito malparado de 3,7% e o Novobanco, que vai ser vendido ao grupo francês BPCE, tem um rácio de 2,9%. O BCP também ainda tem um caminho a percorrer no que toda à limpeza do balanço, já que o seu rácio de NPE de 1,7%. O Banco Montepio surge com 1,6% e o Santander com 1,4%. Os melhores aqui são o BPI (1,2%) e a CGD (1,31%), Os bancos têm também uma cobertura por imparidades menor.

O setor parece preparado para 2026, com capital sólido. Aqui os bancos que são filiais de grandes bancos espanhóis, o Santander e o BPI, têm os rácios de CET1 mais baixos. O Santander regista o rácio mais baixo (13,5%), o que pode refletir otimização de capital por fazer parte de um um grande grupo bancário. O BPI surge com 14%.

Comparação entre crédito e depósitos

Todos os bancos mostram crescimento positivo no crédito (média de cerca de 7%), refletindo uma recuperação económica em 2025, com ênfase no crédito à habitação onde a subida é generalizada e o crescimento médio é de 10%).

O BCP regista o maior volume de crédito bruto (62.606 milhões a subir num ano 7,3%) e à habitação (30.300 milhões a subir 5,6%). Segue-se a CGD, com volumes robustos, beneficiando da sua posição como banco público.

Os sete bancos têm em stock 266,5 mil milhões em crédito (bruto).

Em termos de variação anual, o Crédito Agrícola destaca-se com a variação mais alta no total da carteira de crédito (7,9%). No crédito à habitação, o BPI e Crédito Agrícola lideram as subidas com 13%, seguindo-se o Banco Montepio com uma subida do crédito à habitação de 11,9% (para 6,7 mil milhões) e a CGD com uma subida de 10% para 28,2 mil milhões.

O Novobanco e a CGD têm crescimentos mais moderados no crédito (6,5% e 6,2%). O BCP tem o menor crescimento na habitação (5,6%),

Do outro lado do Balanço, o BCP tem a maior carteira de depósitos (89.749 milhões), representando cerca de 29% do total agregado dos sete bancos (309,8 mil milhões de euros). Segue-se a CGD (78.200 milhões), revelando forte presença no segmento da poupança familiar.

O Crédito Agrícola destaca-se com o maior crescimento dos depósitos +8,2%. O Novobanco (+7,6%) e o Banco Montepio (+7,4%) também mostram crescimentos sólidos, sugerindo estratégias eficazes de captação de depósitos.

No que toca à evolução anual a CGD regista a variação mais baixa (+3,3%), o que pode refletir uma base já muito elevada e menor necessidade agressiva de captação.

A média de crescimento (7,1%) é consistente com o aumento observado no crédito bruto (cerca de 7%), indicando equilíbrio entre ativos e passivos. Os bancos mais pequenos crescem percentualmente mais, refletindo estratégias mais agressivas de captação.


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