“Sector da saúde e tecnologia podem e devem andar de mãos dadas”, afirma startup de ortodontia

“Pela proximidade a Espanha, Portugal era a escolha óbvia para crescermos e foi para nós um passo muito importante para consolidarmos a nossa presença no mercado e o nosso posicionamento enquanto uma cadeia internacional de clínicas especializadas em ortodontia invisível”, destaca a co-fundadora Diliara Lupenko.

A Impress, marca de clínicas especializadas em aparelhos dentários invisíveis, não vive sem tecnologia, uma vez que utiliza a alta tecnologia para digitalizar um serviço tradicional onde a presença do cliente é, naturalmente, essencial.

A empresa fixou-se em Portugal há um ano, e em plena pandemia abriu sete clínicas de ortodontia invisível. Numa altura em que as empresas portuguesas passam por situações desafiantes, a marca de clínicas reinventou-se e viu na digitalização a oportunidade para se afirmar no mercado nacional.

Diliara Lupenko, co-fundadora da Impress, falou com o Jornal Económico para abordar a abertura das sete clínicas, o balanço da empresa em contexto pandémico e o futuro em Portugal e na Europa.

No fim de 2020, a startup espanhola levantou cinco milhões de euros ao fechar uma ronda de financiamento onde participaram os portugueses Bynd Venture Capital. Com este investimento, a empresa apostou na abertura de clínicas entre o Norte e o Centro português, onde criou emprego para 20 pessoas. Este ano, a empresa de ortodontia pretende investir quatro milhões de euros no mercado nacional e apostar em dez novas cidades.

Um ano de Impress em Portugal com a abertura de sete clínicas. Como se abrem clínicas especializadas em ortodontia invisível durante uma pandemia? Quais os maiores desafios que a pandemia impôs à abertura das clínicas?
Foi um primeiro ano completamente inesperado, mas também surpreendente, exatamente por termos conseguido inaugurar-nos no país e ainda abrir novas clínicas, tudo isto em contexto de pandemia. O grande desafio chegou com o primeiro confinamento que nos obrigou a fechar as portas da nossa clínica dias depois de as termos aberto. Acaba por ser desafiante dar-nos a conhecer ao mercado português e conquistar os primeiros pacientes quando não os podemos receber, mas graças ao nosso serviço profundamente digitalizado, conseguimos oferecer uma solução que nos permitiu não só manter o contacto próximo com eles como ainda conquistar a sua confiança. As primeiras consultas, que eram outrora presenciais, passaram a ser virtuais e depois o facto de o nosso tratamento já ser pensado para ser digital e realizado em qualquer lugar, sem a obrigatoriedade das consultas de rotina para a toca de alinhadores, ajudou a que pudéssemos não só sobreviver, mas crescer, em contexto de pandemia.

Fundaram a Impress em março de 2019 e rapidamente prepararam a internacionalização. Porque escolheram Portugal como um dos primeiros destinos para fixar novas clínicas?
Pela proximidade a Espanha, Portugal era a escolha óbvia para crescermos e foi para nós um passo muito importante para consolidarmos a nossa presença no mercado e o nosso posicionamento enquanto uma cadeia internacional de clínicas especializadas em ortodontia invisível. O nosso objetivo é sempre o de crescer e de criar uma rede de clínicas internacional, além-fronteiras, e não nos fazia sentido expandir para outros países sem começar pelo mercado que nos é mais próximo daí que Portugal tenha sido uma das nossas primeiras escolhas.

Quantas clínicas têm atualmente em Portugal? E na Europa?
Atualmente, temos sete clínicas em Portugal, espalhadas por Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Guimarães, Viana do Castelo e, por fim, na Amadora. A nível europeu, temos cerca de 60 clínicas, marcando presença em Espanha, Itália e Reino Unido sendo que, dentro de poucas semanas, iremos inaugurar-nos em França.

No ano passado encerraram uma ronda de investimento no valor de cinco milhões de euros. Estão a preparar mais alguma ronda de investimento?
Na Impress, estamos sempre à procura de novas oportunidades e possibilidades para crescer e melhorar continuamente o serviço que oferecemos.

Como é que uma empresa de saúde oral é simultaneamente uma tecnológica?
O setor da saúde e a tecnologia podem, e devem, andar de mãos dadas, tendo em conta os inúmeros benefícios que a maioria das inovações tecnológicas representam para a generalidade dos tratamentos. Na Impress, assumimo-nos como uma cadeia de clínicas especializadas em ortodontia invisível, mas o nosso conceito é muito centrado na alta tecnologia e em fazer uso da mesma para inovar e digitalizar um serviço que é profundamente tradicional e que exige uma presença constante do paciente. A nossa abordagem sempre foi profundamente digital, ao oferecermos um acompanhamento próximo através da nossa aplicação que reúne pacientes com profissionais de saúde e que ajuda a validar a evolução do tratamento e a detetar quaisquer interrupções imprevistas nos tratamentos, antecipando assim possíveis problemas. A  undação da Impress teve exatamente por base esta ideia de que a tecnologia poderia revolucionar os tratamentos ortodônticos invisíveis, oferecer melhores soluções e, sobretudo, uma melhor experiência, e embora possa ser questionável como é que uma empresa especializada em ortodontia invisível é simultaneamente uma tecnológica, a verdade é que a pandemia tem ajudado a sociedade a compreender melhor o
papel facilitador que o digital tem e que desempenhará cada vez mais no futuro da vida em comum, em qualquer setor, inclusive no setor da Saúde.

Como é feito o recurso à tecnologia nos tratamentos ortodônticos invisíveis?
Na Impress, o recurso à tecnologia permite-nos oferecer aos pacientes um serviço altamente diferenciador, que os permite realizar o tratamento sem sair de casa. Graças a uma tecnologia inovadora, conseguimos numa primeira instância fazer um scan da boca do paciente e visualizar o sorriso final, ainda antes de iniciar o tratamento, num vídeo em 3D. Já no decorrer do tratamento, o kit com os alinhadores é enviado para casa do paciente e este é depois acompanhado através de uma aplicação digital, onde tem disponível assistência médica os sete dias da semana. Essa app é o ponto de contacto entre paciente e profissionais e onde a cada uma ou duas semanas o paciente deve enviar scans da sua boca para que o profissional, com recurso a inteligência artificial, possa analisar a evolução do tratamento. Se a evolução for positiva e corresponder ao planeado, o paciente vai trocando os alinhadores de duas em duas semanas, mas caso haja alguma diferença entre o plano e o movimento dentário real, a equipa médica entrará em contato para que o paciente se desloque à clínica e se possa resolver o desvio do plano inicial o mais rápido possível. Assim, graças à digitalização profunda dos serviços da Impress, conseguimos não só um
acompanhamento próximo e personalizado, mas, sobretudo, detetar quaisquer problemas que possam surgir antes de acontecerem, antecipar a solução e evitar que o tratamento se torne mais longo e demorado.

Quais os planos para 2021? Pretendem abrir novas clínicas?
Claro que sim! Para este ano, queremos dar continuidade ao nosso processo de expansão e temos planeado a abertura de novas clínicas nos países em que já estamos presentes, mas também em países no quais ainda não nos fixámos, chegando assim a novos mercados. Iremos sempre procurar investir em países onde identificamos uma necessidade que ainda não foi atendida – a de um tratamento ortodôntico e digital, com um acompanhamento constante e personalizado de especialistas, e que não implique alterações no estilo de vida dos pacientes. No que diz respeito exatamente ao nosso tratamento, também é nosso objetivo continuar a melhorá-lo e a investir em novas soluções tecnológicas que nos permitam oferecer um serviço diferenciador, mas com resultados únicos e garantidos.

Têm perspetivas para o mercado português em 2021?
Portugal constitui um dos mercados onde mais pretendemos apostar através da abertura de novas clínicas e da melhoria contínua do serviço que oferecemos. Para 2021, planeamos inaugurar unidades em, pelo menos, 10 novas cidades, e a perspetiva é a de chegar a novos distritos e localidades, principalmente na região mais a sul do país, como nas regiões do Alentejo e Algarve, onde é necessário reforçar o acesso a este tipo de tratamentos dentários.

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