Sindicato critica fim de lay-off na TAP e exige clarificação: “Porque abdicam da ajuda do Estado se querem reduzir os custos?”

“Desafiamos a TAP a clarificar esta decisão e a transmitir aos trabalhadores qual a sua intenção quanto à manutenção dos postos de trabalho”, disse hoje o SITAVA que vai ser recebido pelo Governo na segunda-feira.

Jacky Naegelen/Reuters

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) critica o fim do regime de lay-off na TAP por considerar que a companhia aérea está a prescindir de uma importante ajuda financeira num momento de aperto financeiro.

“Todos os trabalhadores em teletrabalho ou em trabalho presencial a partir do dia 1 de dezembro passam a fazer o horário completo. Pergunta-se: mas se eles nos dizem que querem reduzir os custos, porque diabo abdicam da ajuda do estado à retoma? Desafiamos a TAP a clarificar esta decisão e a transmitir aos trabalhadores qual a sua intenção quanto à manutenção dos postos de trabalho”, segundo um comunicado divulgado pelo SITAVA este sábado.

O SITAVA também anunciou que vai ser recebido pelo Governo na segunda-feira, numa reunião no ministério das Infraestruturas.

Como avançou o Jornal Económico na sexta-feira, a administração da TAP decidiu suspendeu o regime de lay-off, que atinge os nove mil trabalhadores da empresa, uma decisão que chega duas semanas antes da TAP apresentar em Bruxelas o seu plano de reestruturação, cujo prazo final é 10 de dezembro.

O SNPVAC avançou hoje aos seus associados que a TAP vai impor uma redução de 25% da massa salarial da empresa, avança hoje a agência Lusa. Com 750 milhões de euros em salários aos cerca de 10.600 trabalhadores, esta é uma redução em cerca de 187,5 milhões de euros.

Está previsto também o “despedimento de 750 tripulantes efetivos, para além dos mais de 1.000 contratos a termo denunciados, o que perfaz uma extinção permanente de mais de 1.800 postos de trabalho”, segundo o SNPVAC.

Já o Sindicato de Pilotos de Aviação Civil (SPAC) avançou que a empresa pretende reduzir os “vencimentos em 25% e despedir 500 pilotos da TAP”, de acordo com a Lusa.

Numa carta aos seus trabalhadores, a administração da TAP anunciou que vai propor aos trabalhadores um pacote de medidas voluntárias, incluindo rescisões por mútuo acordo, licenças não remuneradas de longo prazo e trabalho a tempo parcial, com a companhia a avisar que “quanto maior for a adesão, menor será a necessidade de outras medidas a decidir futuramente”, segundo a Lusa que avança que as medidas serão apresentadas nas próximas semanas.

Ao mesmo tempo, a companhia adianta que “estão colocados para discussão cenários como a suspensão do pagamento de alguns complementos remuneratórios, cortes salariais transversais, garantindo um valor mínimo que assegure a proteção aos salários mais baixos, e ainda a possibilidade de adequar o número de trabalhadores a uma operação que nos próximos anos será reduzida em 30% a 50%, retrocedendo assim a valores vividos há mais de uma década”.

O SITAVA também deixou várias críticas ao conselho de administração e a comissão executivo da TAP por considerar que “começam a dar mostras de que não convivem lá muito bem com os compromissos assumidos e com o diálogo, preferindo antes refugiar-se nos estudos e cenários elaborados pela famosa consultora, BCG, que como se sabe, é especialista  em dar resposta às pretensões de quem encomenda o trabalho. Já assim foi no passado recente, porque diabo haveria agora de ser diferente?”

“É que, além da forma irresponsável como falam da destruição de postos de trabalho, que a serem levados a sério destruiriam literalmente a empresa, estão ainda a proceder a amputações, sim é este o termo, na atividade da companhia, para justificar essa destruição. São exemplo disso os processos de outsourcing em grande escala (informática e outros) em andamento, e as já famosas alianças espúrias com as companhias aéreas do anterior acionista que estão e continuarão a contribuir para a nossa ruína”, segundo o sindicato.

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