Sindicato do sector têxtil pede medidas para evitar paragem da laboração na Dielmar

“É uma situação que não devia ter acontecido”, declarou a dirigente, adiantando que o sindicato, com sede na Covilhã, “não estava a contar com a apresentação da empresa à insolvência”.

O Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa pediu esta segunda-feira medidas para evitar a paragem da laboração na Dielmar, empresa sediada em Alcains, concelho de Castelo Branco, com 300 trabalhadores que pediu a insolvência.

“Queremos que sejam tomadas todas as medidas para que não haja paragem da laboração, para que seja continuada a laboração após as férias, e para a manutenção dos postos de trabalho”, disse à agência Lusa a presidente do sindicato, Marisa Tavares.

A empresa Dielmar pediu a insolvência ao fim de 56 anos de atividade, uma decisão que a administração atribui aos efeitos da pandemia de covid-19.

Marisa Tavares considerou “inaceitável que as trabalhadoras tenham sabido da intenção da empresa pela comunicação social no decorrer do dia de ontem [domingo], quando estão de férias”.

“É uma situação que não devia ter acontecido”, declarou a dirigente, adiantando que o sindicato, com sede na Covilhã, “não estava a contar com a apresentação da empresa à insolvência”.

A este propósito, referiu que “a comissão sindical tem reunido mensalmente com representantes” da Dielmar “e não estava colocada em cima da mesa esta possibilidade”.

“Aquilo que é fundamental é deixarmos para trás esta situação [da ausência de comunicação às trabalhadoras] e focarmo-nos na continuidade da laboração da empresa e da manutenção dos postos de trabalho”, afirmou Marisa Tavares.

Explicando que “as trabalhadoras estão de férias até dia 17”, a dirigente sindical defendeu que “as entidades competentes têm de tomar todas as iniciativas e todas as ações possíveis para a manutenção dos postos de trabalho, por via do Governo”.

“Não basta falar do Interior, têm de ser tomadas medidas concretas para o Interior, neste caso a continuidade da empresa e dos postos de trabalho”, salientou Marisa Tavares, alertando que a insolvência da Dielmar “coloca em causa não apenas a vida destes trabalhadores, mas também das respetivas famílias e de toda a comunidade”.

Antecipando uma “situação dramática para as famílias e para a região”, a dirigente sindical sustentou que “há possibilidade de serem tomadas medidas de viabilização da própria empresa”.

O sindicato têxtil já fez uma comunicação à Câmara de Castelo Branco, presidida por José Augusto Alves, “para que faça junto das entidades competentes todos os esforços para a empresa continuar a laborar”, e vai ser feito um pedido de reunião ao Ministério da Economia, adiantou Marisa Tavares.

Hoje à tarde, decorre um plenário junto à porta da empresa para decidir eventuais ações para a manutenção dos postos de trabalho.

Em comunicado, a administração da Dielmar diz que a empresa “após ter ultrapassado várias crises durante 56 anos”, sucumbiu à pandemia da covid-19, “contaminada por um conjunto de situações que foram letais”.

“Esta crise atacou, globalmente, o que de melhor sustentava a sua atividade: o convívio social, os eventos e casamentos, com a elegância, o ‘glamour’ da alfaiataria por medida e a personalização em que nos especializamos, e o trabalho profissional no escritório, que eram a base fundamental do negócio da Dielmar”, sublinha a empresa.

No comunicado, a empresa salienta que os últimos 16 meses foram “longos e duros” e que fez “um esforço imenso e solitário” para conseguir sobreviver e manter os atuais cerca de 300 postos de trabalho.

“Por isso, não podemos deixar de dar uma palavra de gratidão os nossos trabalhadores, que estiveram sempre ao lado da empresa e do nosso lado, a lutar diariamente connosco pela sobrevivência da empresa, com um imenso empenho e dedicação”, afirma o conselho de administração.

A empresa lamenta a decisão, frisando que tem ainda “maior preocupação” pois sabe “o quanto a desertificação” afeta a região (Castelo Branco), “que se vê a braços com uma nova e forte redução populacional, conforme o demonstram os recentes censos”.

“Talvez a insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol para que possam repensar com caráter de urgência o interior e apoiar as indústrias que ainda aqui existem e que suportam, há décadas, a fixação das pessoas e a economia e equilíbrio social da região. E que proporcionam, sobretudo, oportunidades de trabalho para as mulheres”, sublinha o conselho de administração da empresa.

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