Sindicatos dos médicos querem reunir com ministra da Saúde

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) querem reunir com a ministra da Saúde, Marta Temido, que, dizem, “não se reúne com os sindicatos desde o início da presente legislatura”.

Marta Temido, ministra da Saúde | Lusa

Num comunicado conjunto divulgado esta segunda-feira, o FNAM e o SIM referem que esta atitude é “incompreensível” e que, no contexto atual da pandemia, é “substancialmente agravada”.

Os dois sindicatos alegam que “é inaceitável que a opinião dos médicos seja alienada desta forma” e “exigem a presença da senhora ministra da Saúde na próxima reunião” para discutir as medidas apresentadas para a “capacitação” do Serviço Nacional de Saúde e para a “valorização” do trabalho médico.

No documento é ainda referida uma nota sobre os surtos em lares de idosos e frisa que “é urgente que seja encontrada uma solução que preserve os direitos de todos os utentes do SNS”.

“As medidas em relação aos surtos nos lares de idosos configuram um claro abuso da boa vontade dos médicos, pretendendo impor aos médicos de família actos que ultrapassam as suas competências, que prejudicam o compromisso assistencial com os seus utentes e que branqueiam a responsabilidade da tutela pela ausência de condições estruturais nestas residências”, lê-se na nota.

O FNAM e o SIM abordaram ainda os “comentários infelizes” do primeiro-ministro, António Costa, numa alusão à divulgação das imagens gravadas durante uma entrevista ao “Expresso”, nas quais se vê e se ouve o chefe do Executivo a chamar os médicos de “cobardes”.

“No rescaldo deste episódio os Sindicatos Médicos exigem que as palavras de respeito e apreço por parte do senhor primeiro-ministro tenham um reflexo concreto na modificação da atitude deste Governo para com os médicos”, referem os sindicatos.

O comunicado conjunto foi assinado por Noel Carrilho, presidente da FNAM, e por Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM.

 

 

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