Sindicatos pedem ao Santander para suspender saída de pessoas durante o confinamento

Os três sindicatos – SNQTB, SBN e SIB – já fizeram chegar a sua posição à comissão executiva do Banco Santander liderada por Pedro Castro e Almeida. Os sindicatos pedem que durante o confinamento o processo de redução de pessoal fique suspenso.

Pedro Castro e Almeida | Cristina Bernardo

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), o Sindicato dos Trabalhadores do Setor Financeiro de Portugal (SBN) e o Sindicato Independente da Banca (SIB) defendem que devido à atual situação de estado de emergência e confinamento, “o processo de reestruturação em curso no Banco Santander deve ser suspenso até à estabilização da situação do País, tendo como base a responsabilidade laboral, social ética e humanista”.

Os três sindicatos já fizeram chegar a sua posição à comissão executiva do Banco Santander.

Este comunicado surge depois de outro enviado esta terça-feira de manhã, dos sindicatos bancários — o Mais Sindicato e o Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) — que também defendem que o Santander suspenda o processo de rescisões amigáveis que tem atualmente em curso.

O Banco Santander decidiu implementar um plano de reestruturação, que, segundo foi comunicado, visa a otimização da sua estrutura, para os anos de 2020 e 2021, com especial incidência neste último ano. O número de trabalhadores abrangidos pelo processo de reestruturação não foi avançado.

Após o início desse processo de reestruturação, “ocorreu uma relevante alteração superveniente das circunstâncias, designadamente a implementação pelo decreto n.º 3-A/2021, de 14 de janeiro, do dever geral de recolhimento obrigatório, que, na prática, resulta num confinamento do País, cujos efeitos são atualmente desconhecidos e imprevisíveis”, invocam os sindicatos para sustentar este apelo ao banco liderado por Pedro Castro e Almeida.

“Face ao atual estado de emergência sanitária, ao sério agravamento da pandemia, e às medidas legais implementadas e a implementar, decorrem efeitos e riscos tão imprevisíveis, quanto gravosos, para os trabalhadores que nesta altura cessem os respetivos contratos de trabalho através de rescisões ou reformas antecipadas”, refere o comunicado conjunto dos sindicatos.

O Santander Totta reduziu 111 trabalhadores e fechou 40 agências nos primeiros nove meses de 2020, de acordo os resultado apresentados pelo banco em Novembro.

Em comunicado, o banco reportou que em setembro tinha 6.077 colaboradores em Portugal, o que traduzia uma redução de 111 pessoas face aos existentes em dezembro passado (as contas de 2019 indicavam 6.188 trabalhadores no final desse ano).

Quanto à rede comercial, o Santander Totta tinha 465 agências em setembro, neste caso menos 40 do que as 505 de final de 2019.

Já comparando com setembro de 2019, a redução de trabalhadores foi de 194 e as agências encerradas foram de 46.

O Santander Totta (detido pelo grupo espanhol Santander) está num processo de redução de trabalhadores, tendo proposto a funcionários (em reuniões individuais) rescisões de contrato por mútuo acordo.

A questão que se coloca é se os trabalhadores do Santander que saírem recebem indemnização, e terão acesso a subsídio de desemprego, ou não.

O banco não avançou com o número de colaboradores que quer reduzir.

Ler mais
Relacionadas

Sindicatos querem suspensão das rescisões por mútuo acordo no Santander

Mais Sindicato e o Sindicato dos Bancários do Centro já entraram em contacto com o Santander para apelar que o banco suspenda o processo de rescisões por mútuo acordo que tem em curso.

Santander, BCP, CGD, BPI e Novo Banco preocupados com o impacto do futuro malparado no capital

Os bancos alertam que depois da crise o setor pode voltar aos dois dígitos de NPL. “Depois de termos baixado de 17% para 5,5%, isto implica, para manter as taxas de cobertura atuais, um esforço grande em provisões. Se passarmos de 5,5% de rácio de NPL para 10% isso representa um reforço de provisões, nos bancos, na ordem dos 3 a 4 mil milhões de euros”, disse Miguel Belo de Carvalho do Santander Portugal.

Seis bancos com 884 milhões de imparidades Covid-19 até setembro

Com os elevados prejuízos do Novo Banco e o regresso às perdas do Banco Montepio o balanço, em termos de resultados líquidos, dos seis maiores bancos é negativo em 31,6 milhões de euros.
Recomendadas

PremiumImparidades de 841,2 milhões de euros tiram 300 milhões ao lucro do BCP

O BCP teve lucros de 183 milhões de euros, menos 39,4% do que em 2019, graças às provisões de 841,2 milhões de euros no contexto Covid-19. Polónia e Fundos de Restruturação impactaram nas contas.

PremiumBloco de Esquerda questiona Novo Banco no Eurobic

Bloquistas perguntam ao Ministério das Finanças sobre a operação e o seu impacto.

Leia aqui a primeira edição do Quem é quem no sector financeiro em Portugal em 2021

A primeira edição do Quem é Quem no Sector Financeiro em Portugal do JE inclui entrevista ao presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Fernando Faria de Oliveira, e as análises de Paulo Macedo, presidente da CGD, de Miguel Maya, presidente do BCP, de António Ramalho, presidente do Novo Banco, de Pedro Castro Almeida, presidente do Santander Totta, de João Pedro Oliveira e Costa, presidente do BPI, de Pedro Leitão, presidente do Montepio, Alberto Ramos, presidente do Bankinter Portugal e de Pedro Pimenta do Abanca Portugal.
Comentários