O que está em causa no conflito entre a Sport TV e a Nowo?

Desde as 00h00 desta sexta-feira que quem é cliente da Nowo e tem subscrito os canais Sport TV não consegue aceder aos conteúdos da estação de televisão por cabo. A Sport TV interrompeu o sinal por recusa da Nowo em aceitar novas condições contratuais e por uma dívida por liquidar. Para a Nowo a situação é “atentatória” e acusa o canal de deslealdade.

A Sport TV, detida pelos operadores Vodafone Portugal, Altice Portugal e NOS, juntamente com empresa a Olivedesportos, decidiu esta sexta-feira, 9 de novembro, interromper o serviço dos seus canais na grelha da Nowo, operadora que tem a exclusividade dos canais Eleven Sports, a nova concorrente da Sport TV. Na origem do “corte” estará a recusa da antiga Cabovisão em aceitar as novas condições contratuais da Sport TV, que incluem um aumento de 15% no custo do serviço.

A interrupção do sinal da Sport TV na Nowo foi uma decisão unilateral da empresa liderada por Nuno Ferreira Pires – uma situação sem precedentes no mercado televisivo e de telecomunicações português.

A Nowo reagiu prontamente, afirmando que a posição da Sport TV é “atentatória”. Já a Sport TV que respondeu de seguida, também em comunicado, e fez saber que se “viu forçada a interromper os seus serviços” na grelha da Nowo, “por falta de acordo entre as partes”. Esta última acusou ainda a operadora de telecomunicações de ter uma “elevada dívida vencida” por liquidar.

A situação surpreendeu o mercado esta manhã, e o caso já está a causar reboliço nas redes sociais. No Twitter, há quem acredite que este episódio é uma “retaliação” relacionada com a Nowo, por esta deter a exclusividade da Eleven Sports, concorrente da Sport TV, mas também há quem afirme que, “por falhas nos pagamentos, quem se lixa é o consumidor”.

https://twitter.com/JCorteReal/status/1060875860075597824

O que dizem as partes envolvidas?

A Sport TV informou que interrompeu o sinal na plataforma da Nowo desde as 00h00 de hoje, uma vez que o contrato de transmissão de conteúdos televisivos entre ambas as parte terminou no mês de julho deste ano. “Apesar das negociações para renovação entre as duas entidades terem sido iniciadas seis meses antes (fevereiro do corrente ano), não foi possível até julho chegar a novo acordo”, esclareceu a Sport TV.

A empresa chefiada por Nuno Ferreira Pires disse ainda: “Após o término do contrato em julho de 2018 e da elevada dívida vencida que a Nowo tinha já nessa data perante a empresa, e que continua por liquidar, a Sport TV acedeu ainda assim em manter o serviço, desde 1 de agosto até dia 8 de novembro”. O objetivo é o de não prejudicar” os seus clientes “que acedem aos seus canais, através deste operador, e, simultaneamente, preservar a relação de parceria entre ambos”.

“Apesar desta cedência e do nosso serviço ter sido sempre assegurado, não houve até hoje qualquer pagamento da Nowo à Sport TV, seja por conta da dívida referente ao contrato antigo e já terminado, seja por conta dos serviços posteriores prestados até 8 de novembro de 2018”, acrescentou a estação de televisão por cabo em comunicado.

A Nowo confirmou ter rejeitado as novas condições contratuais, propostas pela Sport TV, considerando-as “desleais, desadequadas e desajustadas face à realidade do mercado”. E apontou como a situação ” mais grave”, a apresentação de um novo contrato “com um custo de 15% superior ao praticado até então”.

Em defesa à decisão de interrupção do sinal da Sport TV nos seus canais, “prejudicando desta forma milhares de clientes Nowo e Sport TV de norte a sul do país”, a operadora liderada por Miguel Reis Venâncio disse as novas condições contratuais só foram apresentadas “na véspera do último dia de vigência do contrato” que terminou em julho – “não tendo havido até então qualquer indicação que pudesse antever uma revisão contratual nos moldes que hoje a Nowo conhece”, lê-se no comunicado.

A operadora de telecomunicações, que detém uma quota de cerca de 10% do mercado, estranha “esta posição que entende tratar-se de uma postura atentatória aos valores de respeito comercial e sã concorrência de mercado”. E, por isso, garantiu que “acionará os meios que considerar necessários para salvaguardar os interesses dos seus clientes”.

A Sport TV, por sua vez, acredita que se viu obrigada a cortar o serviço dos seus canais desportivos naquela plataforma, adiantando que vai continuar empenhada “em restabelecer o serviço dos seus seis canais aos clientes da Nowo assim que” esta “pretenda ultrapassar a atual situação”.

Atualmente, a Sport TV tem como acionistas a Altice, NOS e Vodafone, operadoras de telecomunicações que estão em negociações com a Nowo para a compra de direitos desportivos como a ‘Champions’ que passaram a ser detidos pela empresa britânica Eleven Sports, que entrou em Portugal este ano.

Ler mais
Recomendadas

CTT respondem à Anacom rejeitando que tenham prestado “informação enganosa” sobre a evolução das reclamações

Os CTT e a Anacom estão em guerra de comunicados. Em resposta à resposta da Anacom, os CTT divulgaram hoje um comunicado onde reafirmam que a variação do total de reclamações e pedidos de informação tal como referido no comunicado do passado dia 13, caíram 7%, correspondendo a um aumento de 9% das reclamações em sentido estrito. “As solicitações dos clientes dos CTT compreendem pedidos de informação e reclamações em sentido estrito”, diz a empresa.

Anacom acusa CTT de divulgar informação enganosa

O regulador acusa a empresa de ter divulgado informação enganosa ao ter dito que as queixas baixaram 7%.

BCE exige à CGD para 2019 o mesmo rácio de capital que tinha exigido no ano passado

“O requisito de Pilar 2 para a CGD em 2019 é de 2,25%, o que representa uma manutenção face a 2018”, diz a Caixa. Recorde-se que os requisitos de Pilar 2, são os específicos das instituições e confidenciais. “Considerando os rácios da CGD em 31 de dezembro de 2018, são já cumpridos, com uma significativa margem, todos os novos rácios mínimos exigidos em matéria de CET1 (Common Equity Tier 1), Tier 1 e Rácio Total”, diz a CGD.
Comentários