Siza Vieira: “Não acho que os golden visa sejam absolutamente críticos para Portugal continuar a ter a atratividade”

Em entrevista que será publicada esta sexta-feira, na edição semanal do Jornal Económico, o ministro da Economia diz que o investimento imobiliário captado através dessas autorizações de residência para investimento “não é muito significativo”. Siza Vieira responde ainda a questões sobre a retoma económica, os apoios do Estado aos sectores mais afetados pela pandemia, os planos para recapitalizar as empresas após o fim das moratórias bancárias e ainda sobre a importância estratégica da TAP para o país.

Cristina Bernardo

Em entrevista ao Jornal Económico, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, minimiza o impacto do investimento captado através de vistos gold, sustentando que não é a esta a política chave para aumentar a atrativo de Portugal como recetor de investimento.

Siza Vieira defende que o investimento imobiliário captado através das autorizações de residência para investimento “não é muito significativo”, exemplificando que no ano passado foram cerca de mil os imóveis que foram adquiridos ao abrigo desse regime.

“Criar boas condições de atração de investimento estrangeiro tem de passar por muitas outras coisas e não passou só e sobretudo pelos golden visa. Não acho que a questão dos golden visa seja absolutamente crítico para continuar a ter a atratividade de Portugal como destino de residência, de investimento estrangeiro”, afirma, salientando que “a maior parte de residentes estrangeiros que temos nem precisam de golden visa, são europeus”.

A entrevista com Pedro Siza Vieira poderá ser lida na edição semanal do Jornal Económico, que estará disponível amanhã nas bancas de todo o país e, para os nossos assinantes digitais, no JE Leitor. Na entrevista, o número dois do Governo responde ainda a questões sobre a retoma económica, os apoios do Estado aos sectores mais afetados pela pandemia, os planos para recapitalizar as empresas após o fim das moratórias bancárias e ainda sobre a importância estratégica da TAP para o país. O o papel do Banco de Fomento para ajudar as empresas a sair da crise, bem como a necessidade de manter a solidez do sistema bancário são outros dos temas abordados.

Investimento em vistos gold subiu 35% em novembro

O Orçamento do Estado para 2020 (OE2020) trouxe o fim da atribuição de vistos gold nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, com o objetivo de de descentralizar o investimento estrangeiro para as regiões de menor densidade populacional no país. Em fevereiro, o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes, afirmou que as novas regras dos vistos gold só entrariam em vigor no início de 2021, para evitar qualquer perturbação dos negócios em curso. Com a crise provocada pela pandemia, parte do setor imobiliário tem defendido a manutenção do regime como uma das formas de dinamizar o mercado no setor.

O investimento captado através dos vistos gold subiu 35% em novembro, face a igual período de 2019, para 50 milhões de euros, de acordo com contas feitas pela Lusa com base nas estatísticas do SEF. Face a outubro (28,6 milhões de euros) o investimento cresceu, representando um aumento de cerca de 75%. No oitavo mês do ano foram atribuídos 86 Autorização de Residência para Investimento, dos quais 80 no âmbito da compra de bens imóveis e seis por via de transferência de capital.

Para o ministro os dois motores que vão assegurar uma melhor perspetiva de 2021 serão, assim, o plano de recuperação europeu e o plano de vacinação. “Estamos neste momento com um trabalho muito adiantado ao nível do plano de recuperação e resiliência com a União Europeia. No Orçamento de Estado criamos uma norma que nos permite até realizar despesa antecipando a disponibilidade dos fundos”, sublinha, vincando que “temos de estar focados em recuperar investimento para a economia”.

Por outro lado, aponta que os planos de vacinação que irão começar a ser implementadas no início de janeiro em toda a Europa será o outro fator determinante para a recuperação.

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