O maior sindicato de trabalhadores bancários no ativo, o SNQTB – Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, realiza anualmente uma reflexão sobre os principais desafios e oportunidades que se perspetivam para a banca, identificando prioridades que exigirão particular atenção ao longo do ano.
Da análise realizada para 2026, o sindicato liderado por Paulo Gonçalves Marcos identifica quatro grandes eixos estratégicos: valorização dos salários e carreiras; digitalização com propósito e inclusão; sistema bancário resiliente num contexto geopolítico incerto; e um ambiente regulatório mais exigente e previsível.
Em detalhe o SNQTB lembra que o ano de 2025 ficou marcado por um “desempenho particularmente positivo” da banca portuguesa, com níveis de capitalização e rentabilidade acima da média europeia, de acordo com o mais recente relatório do Banco Central Europeu. Neste contexto, o sindicato defende que “este sucesso deve ser partilhado com os trabalhadores, através da valorização efetiva dos salários e das carreiras” e considera que “para além do necessário ajustamento à inflação, é fundamental reconhecer o contributo diário dos profissionais que asseguram a qualidade dos serviços prestados e a confiança dos clientes no sistema bancário”.
No que toca à digitalização o sindicato defende que “continuará a ser uma tendência estrutural da banca em 2026, com um reforço do investimento em inteligência artificial e na melhoria dos serviços digitais, nomeadamente nas plataformas de homebanking”.
O SNQTB alerta, no entanto, para a necessidade de garantir que a racionalização da rede de balcões físicos não compromete o acesso aos serviços bancários, em particular para populações com menor literacia financeira, nem fragiliza a coesão territorial.
Por outro lado “a segurança digital e o combate à fraude deverão manter-se como prioridades centrais do setor”.
O ano de 2026 será marcado por um contexto internacional volátil, influenciado pela evolução das relações entre os Estados Unidos e a União Europeia, pela estratégia económica da China e pela continuidade do conflito na Ucrânia, contextualiza o Sindicato dos Quadros.
No entanto, e apesar deste enquadramento, a banca portuguesa tem demonstrado “capacidade de resiliência, oferecendo estabilidade e segurança a investidores e depositantes” diz o SNQTB que justifica que esta solidez assenta em resultados positivos nos testes de stress e no reforço de quadros prudenciais e de supervisão robustos.
Por fim, o SNQTB detalha o quarto eixo relativo ao ambiente regulatório mais exigente e previsível.
“O enquadramento regulatório europeu entra em 2026 com maior previsibilidade, com instituições chave plenamente operacionais”, refere o sindicato que destaca ao mesmo tempo “a nova Autoridade Europeia de Combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo, que reforça a exigência sobre operações de maior risco”, e a aposta da Autoridade Bancária Europeia num quadro regulatório mais simples e estável.
A supervisão digital, no âmbito do Regulamento DORA, ganha particular relevância, enquanto a estabilização da inflação cria condições favoráveis à política monetária do Banco Central Europeu.
O Regulamento DORA (Digital Operational Resilience Act), oficialmente Regulamento (UE) 2022/2554, é uma norma da União Europeia que estabelece um quadro rigoroso para a segurança das tecnologias de informação e comunicação (TIC) no setor financeiro.
O SNQTB considera que, neste contexto, 2026 assume-se como “um ano decisivo para o avanço do projeto do Euro Digital, que poderá redefinir a utilização da moeda eletrónica na União Europeia”.
A instituição liderada por Paulo Gonçalves Marcos promete que “continuará a acompanhar de forma atenta a evolução destas tendências, reforçando a defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores bancários e promovendo uma banca mais justa, digitalmente avançada, socialmente responsável e com uma rede de balcões que continue ao serviço das populações e das empresas”.
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