“Sobreviver a Pão e Água”. “Mais de uma centena” de membros do movimento dispostos a regressar à greve de fome se Governo não aprovar medidas exigidas

Movimento diz que Governo disse que iria apresentar em breve várias das medidas por si exigidas. Se até dia 11 de dezembro, não apresentar as restantes medidas ameaçam que com o regresso à greve de fome em frente ao Parlamento e por todo o país, com “mais de uma centena de pessoas”.

Cristina Bernardo

O Movimento Sobreviver a pão e água está disposto a regressar à greve de fome se o Governo não aprovar as suas exigências.

A greve de fome que arrancou na semana passada terminou na noite de 3 de dezembro, após sete dias, quando o movimento se reuniu com o autarca de Lisboa, Fernando Medina.

“Esta reunião, que contou com a presença, via telefone, do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, permitiu-nos estabelecer um diálogo onde foram expostas as nossas exigências e onde nos foi dito que concordavam com a maior parte dessas medidas e que durante esta semana seriam anunciadas algumas delas”, pode-se ler no comunicado hoje divulgado.

Na greve de fome estavam presentes nove membros do movimento, incluindo o mediático chef e empresário de restauração Ljubomir Stanisic ou José Gouveia, presidente da Associação Nacional de Discotecas.

A greve teve lugar em tendas montadas à frente à Assembleia da República em Lisboa, e teve a visita de vários membros de partidos parlamentares, incluindo do PSD, do CDS, do Bloco de Esquerda ou do PAN.

Em relação às restantes medidas, “deixaram-nos o compromisso de as avaliar e anunciar até ao próximo dia 11 de dezembro, data em que decorrerá uma nova reunião entre representantes do movimento e do Governo”.

Depois da reunião o movimento decidiu suspender a sua “luta” num “espírito de boa vontade”, mas avisa que não vai hesitar em regressar à greve de fome “caso as medidas não sejam cumpridas”.

“E desta vez não seremos apenas nove, mas sim mais de uma centena de pessoas que já se predispuseram a acampar em frente à assembleia e por todo o país até que sejam apresentadas medidas reais de ajuda aos sectores”.

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“Discutimos várias ideias, várias possibilidades, e ficou acordado que dentro de sete dias, oito dias, na próxima semana, teremos um novo encontro, porque em muitas medidas que foram discutidas em conjunto o próprio Fernando Medina estava de acordo com uma parte dela. A outra parte sabemos os três que, praticamente, é impossível chegar a soluções para todos, por isso, aguardamos a próxima reunião”, explicitou Ljubomir Stanisic.

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O gabinete de Pedro Siza Vieira refuta que os setores da restauração e da animação noturna “não tenham quaisquer apoios a fundo perdido”. “Já foram disponibilizados 1.103 milhões de euros em apoios às empresas de restauração, dos quais 523 milhões de euros a fundo perdido. Só no âmbito do programa Apoiar.pt estão disponíveis 200 milhões de euros a fundo perdido para este setor”, reitera o Governo.

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