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Sócio da Galp toma decisão final sobre petróleo da Namíbia em 2028

Sócio francês no país africano promete decisões este ano e em 2028, no projeto mais promissor, em dois campos onde é parceiro da petrolífera portuguesa.
Maria João Carioca e João Diogo Silva, co-CEO interinos da Galp
11 Fevereiro 2026, 18h22

“A Namíbia é a nova província dourada”, disse hoje a petrolífera francesa Total sobre o potencial do país da África Austral.

A companhia anunciou as suas previsões para tomar decisões finais de investimento no país, onde é sócio da Galp: no projeto Venus (PEL 91) espera que seja tomada em meados de 2026, data já anunciada anteriormente pela Galp; no projeto Mopane (PEL 83), o mais promissor, a decisão vai ser tomada em 2028, segundo os gauleses.

Em dezembro, a Galp e a Total chegaram a acordo na Namíbia, um negócio que envolveu somente a troca de participações em projetos. Os franceses ficam com 40% da área Pel 83, com a Galp a manter uma fatia de 40%. A companhia lusa fica com participações de 10% na PEL 56, onde fica Venus, e na PEL 91 com 9,4%. Os franceses ficam responsáveis por operar a PEL 83 e vão cobrir metade dos custos de investimento da Galp para exploração, avaliação e desenvolvimento do campo Mopane. A campanha de exploração e avaliação na PEL 83 será lançada nos próximos dois anos, com pelo menos três poços.

A Galp anunciou recentemente que está prevista para 2026 uma campanha de exploração e avaliação com três poços no projeto Mopane, com o objetivo de aprofundar o conhecimento dos recursos e fazer avançar o projeto para a fase de desenvolvimento”.

A área de Venus deverá arrancar com a produção até 2030, no melhor cenário possível, seguindo-se Mopane 2/3 anos depois, prevê a Galp.

A bacia de Orange ao largo da Namíbia é uma das zonas de fronteira mais recentes e que tem vindo a atrair mais atenção nos últimos tempos.

A Galp revelou anteriormente que a área de Mopane pode contar com 10 mil milhões de barris equivalentes de petróleo. A concretizar-se, pode vir a ser uma das maiores descobertas mundiais de petróleo na última década.

A Total está a negociar com as autoridades da Namíbia o desenvolvimento da área de Vénus, próxima de Mopane, mas que vai requerer o investimento de 11 mil milhões de dólares para a construção e exploração de um navio-plataforma com capacidade para extrair 160 mil barris diários.

No campo de Venus, os franceses estão a trabalhar na criação de um navio-plataforma (FPSO) com a capacidade de produzir 160 mil barris diários, esperando fechar a decisão de investimento em 2026.

A Galp realizou extensos trabalhos de avaliação na Namíbia, incluindo vários levantamentos sísmicos 3D e oito poços de exploração e avaliação desde 2012, quando iniciou as suas operações no país. Cinco desses poços foram perfurados desde dezembro de 2023, levando à descoberta de Mopane.

“É um operador conceituado com experiência em águas ultra-profundas como na Namíbia”, disse a co-CEO Maria João Carioca em dezembro quando o negócio foi anunciado.

“Ficámos com exposição aos dois maiores recursos descobertos até hoje na Namíbia, Venus e Mopane. Estamos a aumentar o potencial. É absolutamente essencial ter um operador altamente credível, mas que também tivesse solidez financeira para avançar com este investimento ao ritmo certo”.

A entrada de um sócio no consórcio da Galp é uma forma de “reduzir a exposição financeira e o risco”, e uma prática corrente nesta indústria, dadas as elevadas necessidades de investimento que podem atingir 10-12 mil milhões de euros ao longo de vários anos até um poço começar a produzir petróleo.

Em reação, a companhia desvalorizou mais de 1,77 mil milhões de euros na bolsa de Lisboa a 9 de dezembro, com os investidores a ficarem desiludidos com o negócio, mas já subiu quase 30% nos últimos dois meses com a ação agora próxima dos 18 euros.

A empresa francesa anunciou hoje uma subida nos lucros de 15% para 15,6 mil milhões de dólares, com um aumento de 3% na produção anual de petróleo para 2,53 milhões de barris diários.

Como fica o mapa na Namíbia?

PEL83 – Galp (40%), TotalEnergies (40%, operador), Namcor (10%) and Custos (10%)
PEL56 – TotalEnergies (35.25%, operador), QatarEnergy (35.25%), Galp (10%), Namcor (10%), Impact (9.5%)
PEL91 – TotalEnergies (33.085%, operador), QatarEnergy (33.025%), Namcor (15%), Galp (9.39%), Impact (9.5%)

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