Sou de direita, e agora?

As alternativas da direita dividem-se entre uma alternativa liberal de direita moderada, um candidato de extrema-direita com políticas nacional-socialistas e o atual incumbente que representa uma direita envergonhada. Não hesito e escolho a primeira.

Nestas eleições presidenciais, temos três candidatos da direita e uma pergunta recorrente dos eleitores que se identificam com os valores defendidos por este espectro político: “Vou votar em quem?”.

Este ano tivemos 22 debates com os candidatos, perfazendo mais de 11 horas de discussão.

Fazendo fé nos números das audiências, grande parte de nós teve a possibilidade de construir uma opinião sobre as ideias que cada candidatura defende.

No final destes debates, ficou claro para mim que Tiago Mayan, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, é quem representa aquilo em que a direita acredita. Diria assim que existem três razões para votar Mayan:

O primeiro motivo é a Visão.

É o único candidato, contra tudo e todos, que defende, de forma intransigente, uma visão de liberal para Portugal. Como ele próprio disse, “o que eu quero para Portugal é o sistema de saúde da Alemanha, […] as políticas fiscais da Irlanda, […] a modernização administrativa da Estónia, a defesa dos direitos fundamentais da Suécia”.

É através desta visão que apresenta um projeto que nos mobiliza para melhorarmos a sociedade em que vivemos. Tudo isto sem usar bodes expiatórios num assalto desenfreado ao poder onde vale tudo e o seu contrário, caraterizado pelo candidato de extrema-direita.

A segunda razão é a Consistência.

A defesa do Estado, onde este assume o seu real papel, que é cumprir o contrato que tem com todos nós, nas alturas em que a sociedade necessita. Por exemplo, ajudando a população quando existem situações excecionais ou extremamente danosas para as quais a sociedade tem dificuldade em resolver por si só, sendo um exemplo a pandemia atual.

Essa defesa, pelo real papel do Estado, que também passa por apontar uma alternativa ao que tem sido a política recente em tempo de “vacas gordas”, onde se promoveu a distribuição de benesses aumentando a nossa dependência do Estado e agora, quando mais precisamos, falha, não apoiando os sectores de atividade que querem trabalhar, mas não podem.

Outro exemplo deste percurso de consistência é a defesa do dinheiro do contribuinte, negando entrar em aventuras de salvação de empresas de bandeira, como paradoxalmente a extrema-direita defende, em detrimento das funções essenciais do Estado, como a saúde ou a educação. Aqui, convém lembrar que o atual Governo e o Presidente da República, por conivência, contribuíram para o deteriorar da prestação dos cuidados de saúde ao não recorrer a toda a capacidade instalada, e, no que respeita à educação, através do declínio dos resultados escolares a partir de 2015.

A última razão é o Pragmatismo.

Como dizia Fernando Pessoa, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Um novo projeto político, diferenciador pela positiva, necessita de tempo e consistência, e Mayan soube trazer essa seriedade e pragmatismo para a discussão. Por exemplo, o reconhecimento do papel importante que cada um de nós tem na nossa sociedade, passando pelos imigrantes ou da importância do papel do Presidente da República em prol da independência das instituições. Ou seja, tendo o sentido da proporção correta das situações, independentemente da necessidade de poder da extrema-direita ou de popularidade do atual incumbente.

Resumindo, as alternativas da direita dividem-se entre uma alternativa liberal de direita moderada, um candidato de extrema-direita com políticas nacional-socialistas e o atual incumbente que representa uma direita envergonhada.

Por estes motivos, nestas eleições presidenciais, o meu voto vai para Tiago Mayan para Presidente da República de Portugal.

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