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S&P Global manteve rating AA+ para os Estados Unidos

As receitas provenientes das tarifas vão conseguir reduzir o impacto fiscal do plano de investimento e redução de impostos anunciado por Donald Trump, mas, mesmo assim, a agência não aumentou o rating, que era historicamente de AAA.
10 – Estados Unidos
19 Agosto 2025, 10h05

A S&P Global confirmou esta segunda-feira a classificação de crédito ‘AA+’ para os Esstados Unidos, dizendo que a receita das tarifas que o presidente Donald Trump introduziu no comércio global compensará o impacto fiscal do seu recente projeto de lei de corte de impostos e gastos.

Trump sancionou o enorme pacote de cortes de impostos e gastos, apelidado de ‘One Big Beautiful Bill Act’, em julho. O projeto, que trouxe novas isenções fiscais, também tornou permanentes os cortes de impostos que Trump propôs em 2017. A lei tem como objetivo aumentar o financiamento para defesa e segurança de fronteira e reduzir os gastos federais.

“Num contexto de aumento nas taxas tarifárias efetivas, esperamos que uma receita tarifária significativa compense, de modo geral, resultados fiscais mais fracos que podem estar associados à recente legislação fiscal, que contém cortes em impostos e aumentos de gastos”, disse a S&P em comunicado. “Neste momento, parece que uma receita tarifária significativa tem o potencial de compensar os aumentos do défice da recente legislação orçamental.”

A administração federal relata um aumento de 21 mil milhões de dólares na coleta de impostos alfandegários devido às tarifas de Trump em julho, mas o défice orçamental cresceu quase 20% no mesmo mês, para 291 mil milhões.

Desde que regressou à Casa Branca em janeiro deste ano, Trump lançou uma guerra comercial global com uma série de tarifas que visam produtos e países específicos – quase nenhum escapando à ‘fúria’ da administração. O presidente estabeleceu uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações para os Estados Unidos, bem como taxas adicionais sobre determinados produtos ou países.

A S&P afirmou que a perspetiva para a classificação dos Estados Unidos permanece estável. A agência de classificação de risco espera que o Reserva Federal (Fed), instituição com que Trump mantém uma verdadeira guerra institucional, “enfrente os desafios de reduzir a inflação interna e lide com as vulnerabilidades do mercado financeiro”.

A agência projetou que o défice do governo atingiria uma média de 6% do PIB durante o período de 2025 a 2028, abaixo dos 7,5% registados em 2024 e da média de 9,8% do PIB em 2020 a 2023.

A agência Moody’s voltou a baixar a classificação da dívida soberana dos EUA em maio, citando o aumento da dívida: desceu de AAA para AA1, uma decisão histórica que acompanha as análises à economia norte-americana já realizadas pela congéneres Fitch e pela S&P. A decisão da Moody’s foi justificada pelo aumento, ao longo de mais de uma década, da dívida pública e dos custos dos seus serviços “para níveis significativamente mais altos do que os de dívidas soberanas com classificações semelhantes”, lia-se no comunicado emitido na altura.

Os “sucessivos governos e o congresso dos EUA não conseguiram chegar a um acordo sobre as medidas para reverter a tendência de grandes défices fiscais anuais e aumento dos custos com juros” e “não acreditamos que reduções significativas nos gastos obrigatórios e défices, a longo prazo, resultem das atuais propostas fiscais em análise”, dizia a Moody’s.


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