Sporting: o desporto ‘off’, a SAD ‘on’

O que se está a passar é irreal, tanto do ponto de vista desportivo, como financeiro. Como é que perante um quadro de falência iminente, as ações sobem exponencialmente?

“Queremos que o Sporting seja um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”. As palavras de José Alvalade, em 1906, concretizaram-se muitas vezes ao longo destes quase 112 anos. Do atletismo ao futsal, passando pelo hóquei em patins, até ao futebol, os leões têm feito uma boa parte da história do desporto em Portugal e ocupado um lugar essencial enquanto instituição da sociedade portuguesa.

Infelizmente, nas últimas semanas, o Sporting tem feito história noutros domínios. Não tenho memória de episódios tão violentos como os que aconteceram a semana passada na Academia de Alcochete e nem preciso detalhá-los, porque também não conseguiria com a precisão que os meios de comunicação social já o fizeram vezes sem conta.

A violência do ataque dos 50 adeptos a jogadores e técnicos do clube foi uma consequência indireta da notória e crescente falta de capacidade da SAD – Sociedade Anónima Desportiva, em gerir emoções com bom senso e razoabilidade. E o resultado, além dos danos físicos e psicológicos para as vítimas, traduz-se em mais instabilidade para o clube.

Desde logo, uma grande instabilidade financeira, agravada pela possibilidade dos jogadores se decidirem pela rescisão de contratos por justa causa.  Isto para não falar das obrigações que estão a vencer, do perdão da banca de 90 milhões em juros e dívida, dos patrocinadores que estão a quebrar contratos publicitários e a afetar receitas.

Curiosamente, é neste cenário de quase catástrofe que as ações da SAD do Sporting valorizam, nos dois primeiros dias da semana, mais do que nunca. As cotações dos últimos dois dias cresceram no global 31% (negociando acima dos 0,825 euros por ação), ao ponto de ficarem suspensas.

No comunicado do passado domingo, dia da final perdida da Taça de Portugal, a SAD informou a CMVM que, na assembleia-geral de obrigacionistas, realizada nesse dia de manhã, foi deliberado “sobre a alteração da respetiva data de reembolso de 25 de maio de 2018 para 26 de novembro de 2018”, adiando o pagamento da taxa de juro de 6,25%, e o reembolso de 30 milhões de euros.

É tão irreal o que se está a passar no Sporting do ponto de vista desportivo, como do ponto de vista financeiro. Como é que perante um quadro de falência iminente, as ações sobem exponencialmente? Como é que a SAD está cada vez mais valiosa? Estará à beira da ruína? São muitas as questões a merecer resposta célere. Os sportinguistas e os adeptos do desporto em geral agradecem.

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