Sputnik V. Dados preliminares revelam eficácia de 91,6% da vacina russa contra a Covid-19

Os resultados mostraram que a injeção forneceu proteção contra casos moderados ou graves de Covid-19 e nos participantes com mais de 60 anos, cerca de dois mil dos quais participaram do estudo, sugere que a vacina é igualmente eficaz. Os ensaios clínicos deverão continuar nas próximas semanas, uma vez que o objetivo é testar em 40 mil participantes no total.

Embora tenha sido alvo de críticas e ceticismo devido à rapidez com que foi desenvolvida, os dados dos ensaios clínicos da vacina russa contra a Covid-19 indicam que o fármaco tem uma eficácia de 91,6%, um valor ligeiramente abaixo dos resultados iniciais que davam conta de uma eficácia de 95%.

De acordo com a revista científica “The Lancet”, esta terça-feira, os resultados preliminares do ensaio clínico com o regime de duas doses da vacina, com 21 dias de intervalo, e que envolveram quase 20 mil participantes, três quartos dos quais receberam a vacina e um quarto recebeu um placebo mostram que a Sptunik V “é eficaz e bem tolerada”.

Os resultados mostraram que a injeção forneceu proteção total contra casos moderados ou graves de Covid-19 e nos participantes com mais de 60 anos, cerca de dois mil dos quais participaram do estudo, sugere que a vacina é igualmente eficaz. Os ensaios clínicos deverão continuar nas próximas semanas, uma vez que o objetivo é testar em 40 mil participantes no total.

O documento acrescenta que os eventos adversos graves (aqueles que exigiram admissão hospitalar) “foram raros” tanto no grupo do placebo (0,4%, 23 casos em 5435) como no da vacina (0,2%, 45 casos em 16.427) e nenhum desses efeitos foi associado à vacinação.

Os dados indicam ainda que no estudo foram registadas quatro mortes (três em participantes vacinados e uma do grupo do placebo), mas esclarecem que nenhum destes óbitos foi associado à vacina

Quanto à nova variante ainda não existem dados, uma vez que os testes clínicos foram realizados antes das novas estirpes terem sido detetada, no entanto instituto Gamaleya espera que o Sputnik V proteja contra as novas variantes. Alexander Gintsburg, diretor Centro Nacional de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya em Moscovo e responsável pelo desenvolvimento do fármaco, afirmou que os resultados foram uma “conquista monumental” e “um grande sucesso na batalha contra a pandemia global Covid-19”.

“O desenvolvimento da vacina Sputnik V tem sido criticado pela pressa inapropriada, pela opção por atalhos e ausência de transparência. Mas o resultado aqui relatado é claro e o princípio científico da vacinação é demonstrado, o que significa que outra vacina pode agora juntar-se à luta para reduzir a incidência da covid-19”, lê-se num comentário que acompanha o artigo na revista científica e que é assinado por dois investigadores que não estiveram envolvidos neste estudo: Ian Jones, da Universidade de Reading, e Polly Roy, da Escola de Medicina e Higiene Tropical de Londres, no Reino Unido.

Estes novos dados poderão ser uma boa notícia para a Comissão Europeia que, até então, aguardava por resultados mais específicos quanto à sua eficácia uma vez que o governo russo enviou 100 milhões de doses para ser administradas no bloco europeu, o suficiente para imunizar 50 milhões de pessoas. No entanto, a proposta de oferta de 100 milhões de doses para a UE teria que estar sujeita à aprovação desta vacina pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Até agora, segundo a imprensa russa, só foram produzidas 8,7 milhões de doses que deverão ser enviadas para os 16 países que já aprovaram a sua distribuição e inoculação.

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