Stanley Ho: Economista Sales Marques fala da morte de “o grande empreendedor de Macau”

“Stanley Ho não era ‘um’, mas ‘o’ grande empreendedor de Macau”, salientou o presidente do Instituto dos Estudos Europeus de Macau, argumentando que “essa ideia é aquela que melhor consegue materializar”, descrever “com sucesso” a figura do multimilionário.

O economista e presidente do Instituto dos Estudos Europeus de Macau, José Sales Marques, disse à Lusa que o magnata do jogo Stanley Ho, que morreu hoje, foi “o grande empreendedor” do território.

“Stanley Ho não era ‘um’, mas ‘o’ grande empreendedor de Macau”, salientou, argumentando que “essa ideia é aquela que melhor consegue materializar”, descrever “com sucesso” a figura do multimilionário.

O seu empreendedorismo “foi fundamental para transformar a economia de Macau numa verdadeira indústria” ligada ao jogo e ao turismo, defendeu.

Ou seja, sublinhou, “é o industrial do jogo e dos serviços, aquele que transformou a indústria de Macau, muito ligada à manufatura”, redimensionando-a à escala internacional.

O Casino Lisboa ficou como o grande ícone do impulso inicial para a internacionalização do jogo em Macau, mas a forma como Ho encarou esta indústria num “modelo de integração vertical”, onde as agências de viagens, a introdução dos barcos rápidos de ligação entre Hong Kong e Macau, bem como a participação na constituição da companhia aérea Air Macau são a prova de como “foi pioneiro” nesta área, frisou Sales Marques.

“A forma como reduziu, com a introdução dos barcos rápidos, de três para menos de 90 minutos o tempo de ligação entre Macau e Hong Kong, por exemplo, foi uma autêntica revolução”, assinalou.

Ou seja, disse, “o turismo moderno chegou a Macau com Stanley Ho”, que se tornou num “marco indelével na história” do território que passou “pelas atividades culturais, pelo entretenimento, pela fundação da televisão” no antigo território administrado por Portugal.

O economista sustentou que Ho “foi uma figura que marcou uma época em Macau e que fazia muita falta neste novo mundo do entretenimento do jogo”.

O magnata do jogo de Macau Stanley Ho morreu hoje aos 98 anos, em Hong Kong.

Figura incontornável no antigo território administrado por Portugal, e um dos homens mais ricos da Ásia há décadas, a fortuna pessoal de Ho foi estimada em 6,4 mil milhões de dólares (5,9 mil milhões de euros), quando se reformou em 2018, apenas alguns meses antes do 97.º aniversário, referiu o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, cidade onde vivia.

Exemplo acabado de um ‘self-made man’, Stanley Ho fica para a história como o magnata dos casinos de Macau, terra que abraçou como sua e cujo desenvolvimento surge ligado ao império do jogo que construiu.

Nascido a 25 de novembro de 1921 em Hong Kong, Stanley Ho fugiu à ocupação japonesa para se radicar na então portuguesa Macau, onde fez fortuna ao lado da mulher macaense, oriunda de uma das mais influentes famílias da altura.

Nos anos de 1960, conquista com a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), o monopólio de exploração do jogo, que manteve por mais 40 anos, até à liberalização, que trouxe a concorrência dos norte-americanos.

Stanley Ho marcou a transformação e modernização do território, com a dragagem dos canais de navegação – imposta pelo contrato de concessão de jogos –, à construção do Centro Cultural de Macau, do Aeroporto Internacional ou à constituição da companhia aérea Air Macau.

Ler mais
Relacionadas

Magnata do jogo de Macau Stanley Ho morre aos 98 anos

O magnata do jogo de Macau Stanley Ho morreu hoje aos 98 anos, em Hong Kong, noticiou a imprensa local.

Último governador de Macau recorda Stanley Ho como um “amigo de Portugal e dos portugueses”

“Recordo um homem inteligente, versátil, agradável no trato, respeitador das suas posições e das suas competências”, disse Rocha Vieira, comentando a morte do magnata, que teve o exclusivo do jogo no território durante 40 anos, um império que nem a liberalização do setor lhe retirou progonismo.
Recomendadas

Parlamento anula transferência de 476,6 milhões do Fundo de Resolução para Novo Banco

O Orçamento de Estado acaba de aprovar a bandeira do Bloco de Esquerda de impedir a injeção do Fundo de Resolução dos 476,6 milhões de euros para o Novo Banco. Esta medida deixa o banco numa situação delicada para cumprir os compromissos de limpeza do balanço assumidos com Bruxelas.

AHRESP diz que Programa Apoiar pode não ser acessível a 58% do setor da restauração

A condição obrigatória que as entidades disponham de contabilidade organizada, é um requisito que pode impedir o acesso a 58% das empresas da restauração e bebidas, que são Empresários em Nome Individual (ENI), na sua esmagadora maioria inscritos no Regime Simplificado”, diz a Associação.

Mário Ferreira lança OPA sobre 70% da Media Capital. Paga 0,67 euros por ação

Na sequência de uma deliberação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a Pluris Investments, de Mário Ferreira, lançou uma OPA obrigatória sobre a totalidade do capital que não controla na dona da TVI.
Comentários