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Stellantis muda de estratégia e novo CEO atira farpas a Carlos Tavares

Companhia vai assumir perdas de mais de 20 mil milhões para mudar o foco do carro elétrico. Em resultado, regista uma queda recorde na bolsa de Milão.
Carlos Tavares
FILE PHOTO: Stellantis CEO Carlos Tavares inaugurates the group’s electrified dual-clutch transmission (eDCT) assembly facility in the Mirafiori complex in Turin, Italy, April 10,2024. REUTERS/Massimo Pinca/File Photo
6 Fevereiro 2026, 11h39

A Stellantis anunciou esta sexta-feira que vai assumir perdas de 22 mil milhões de euros para recuar na sua estratégia focada no carro elétrico. A construtora franco-italo-americana quer apostar mais no mercado norte-americano, onde a gasolina continua a ser a rainha.

A companhia sofreu uma queda de 24% na bolsa de Milão esta sexta-feira, um recorde, desvalorizando mais de 5 mil milhões de euros.

A mudança de estratégia deve-se ao “custo de sobre-estimar o ritmo da transição energética”, segundo o presidente Antonio Filosa.

As perdas vão impactar os resultados financeiros do segundo semestre de 2025, mas não o resultado operacional. A companhia não vai pagar dividendos este ano, relativos a 2025.

A “Bloomberg” destaca que o comunicado do CEO italiano parece tentar colocar culpas no seu antecessor, o português Carlos Tavares.

As perdas assumidas demonstram o “impacto de uma pobre execução operacional prévia, com os efeitos a serem progressivamente resolvidos pela nossa nova equipa”, segundo o comunicado.

A ideia passa agora por tentar ganhar quota de mercado, recuando na ambição dos carros elétricos, tentando mitigar os aumentos de custos das tarifas.

As perdas assumidas são “massivas, mas um passo necessário para limpar a confusão deixada pelo anterior presidente”, disse o analista Pierre-Olivier Essig da AIR Capital referindo-se ao mandato de Carlos Tavares.

Com o mercado em mudança, o gestor português tentou apostar mais no carro elétrico. A situação é particularmente crítica na União Europeia com as regras a apertarem a partir de 2035. A meta era chegar a 2030 com 100% de elétricos na Europa e 50% nos EUA.

Quando o novo CEO assumiu o cargo, as metas caíram e a mudança de estratégia agora reflete uma viragem total no rumo da companhia, que conta com um portfólio extenso de 14 marcas.

A mudança de estratégia, devido às vendas mais fracas face ao previsto de elétricos, tem levado várias empresas a recuar, como a Ford que anunciou perdas de quase 20 mil milhões de dólares, ou a General Motors com perdas de 7,5 mil milhões de dólares.

A Stellantis vai investir 13 mil milhões nos EUA, onde tem atrasado o lançamento de elétricos, apostando antes na gasolina pura e dura, como motores V8 para a marca de jipes RAM.

No segundo semestre de 2025, vai assumir perdas de 21 mil milhões de euros.

Para este ano, espera uma margem operacional na parte inferior de um dígito, com as tarifas a pesarem 1,6 mil milhões.

Para já, não foram anunciados fechos de fábricas, mas poderão estar no horizonte. Um impulso positivo às ações da Stellantis “devem incluir reduções de capacidade” no negócio europeu e na América do Norte, defende o analista do Citi Harald Hendrikse.


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