Talkdesk planeia contratar 500 pessoas em Portugal e abrir “escritório do futuro” este ano

As vagas em aberto dividem-se entre as áreas de I&D, financeira, contabilidade, vendas e gestão de contas, gestão de projetos e programas, marketing, serviço ao cliente, RH e suporte de tecnologias da informação, avançou ao Jornal Económico fonte oficial do unicórnio português. Há ainda planos para abrir um espaço de trabalho que vai ao encontro dos novos modelos de trabalho.

A Talkdesk, o unicórnio português da tecnologia para contact centers, tem mais cinco centenas de ofertas de emprego disponíveis. A empresa fundada por Tiago Paiva, que vale mais de 3 mil milhões e emprega 1.400 pessoas a nível mundial, avançou ao Jornal Económico (JE) que pretende continuar a crescer no país onde nasceu e vai recrutar 500 pessoas só este ano.

O diretor geral e vice-presidente de desenvolvimento corporativo internacional da Talkdesk, Marco Costa, diz ao JE que a multinacional procura pessoas com boas práticas de trabalho, tanto sejam profissionais com experiência prévia como estudantes que estejam prestes a entrar no mercado de trabalho. Já em 2020 a empresa acolheu 75 alunos no âmbito do programa de retenção de talentos “Tech Dojo”.

As vagas em aberto, menos cerca de 200 do que em 2020, dividem-se entre as áreas de Investigação e Desenvolvimento (I&D), financeira, contabilidade, vendas e gestão de contas, gestão de projetos e programas, marketing, serviço ao cliente, RH e suporte de Tecnologias da Informação (IT).

Como é que se contrata 500 profissionais, sobretudo em tecnologia, num ano? Há oferta de talento que cubra esses objetivos?

Desde a sua génese que a Talkdesk tem sentido que há uma dificuldade generalizada em recrutar para posições tecnológicas no mercado português. A procura tem vindo a intensificar-se, há muitas empresas a concorrer pelo mesmo tipo de perfis, e isso reduz ainda mais a pool de talento. Acreditamos, a este respeito, que a nossa proposta de valor é diferenciada. Um dos principais factores que contribuem para esta diferenciação tem a ver com a equipa de engenharia – a multiculturalidade, o exemplo do seu comportamento, a solidariedade, a profundidade do seu conhecimento técnico e de gestão. O espaço conferido à experimentação, a orientação estratégica para questões de resiliência, confiabilidade e agilidade no desenvolvimento de produtos e soluções cloud-native, bem como a oportunidade de integração e experimentação de metodologias e tecnologias best-of-breed (por exemplo automação, micro-serviços, machine learning, algoritmia, cloud computing), constituem elementos definidores das nossas práticas e cultura de engenharia (…).

Por fim, a Talkdesk tem beneficiado do seu estatuto de unicórnio e o facto de hoje a sua avaliação ser de 3 mil milhões de dólares trouxe-nos um reconhecimento generalizado e contribuiu para fortalecer a imagem da empresa, posicionando-a como uma referência no mercado. Trabalhar na Talkdesk significa fazer parte da empresa que mais cresce no setor do software para contact centers a nível mundial e integrar um projeto verdadeiramente global, com desafios tecnológicos bastante relevantes. No momento de recrutar, sentimos o impacto desta posição de excelência. Além disso, estamos a viver uma fase de crescimento significativo que abre muitos caminhos no âmbito do planeamento e gestão de carreiras, o que é mais um ponto que favor é muito valorizado pelos candidatos.

A maioria será para a área de I&D, à semelhança do ano passado?

São para diferentes áreas que vão além da I&D. A nova forma de trabalhar em modo 100% remoto permitiu também que se juntassem à empresa pessoas de diferentes regiões, que podem agora trabalhar a partir desses mesmos locais: além de Lisboa, Porto, Coimbra e Aveiro, procuramos talento em Braga, Guimarães, Leiria, Viseu, Vila Real, Castelo Branco, Évora, Faro, Açores e Madeira.

Quais são os principais requisitos de formação que têm?

Para nos aproximarmos do talento jovem em específico, criámos dinâmicas próprias como um programa de estágios de verão, para aqueles que ainda estão a concluir os seus cursos, e o Tech Dojo, iniciativa mais voltada para recém-licenciados e mestres com uma duração de seis meses, que promove uma aprendizagem imersiva lado a lado com os nossos engenheiros seniores em projetos reais e cuja taxa de retenção ronda os 100%.

No ano passado recrutaram mais de 700 colaboradores nos seis países nos quais operam. Quantas pessoas foram integradas em contexto de teletrabalho?

Cerca de 500 foram integradas em contexto totalmente remoto.

Como decorreu esse processo?

No início, avaliámos o onboarding virtual e identificámos dois grandes desafios: o humano e o de hardware. Por um lado, quisemos, desde logo, assegurar que era possível realizar de forma fácil e rápida todo o processo ligado ao TI, uma vez que queríamos que as pessoas se conseguissem ligar e tivessem todo o equipamento e ferramentas a funcionar convenientemente.  Como é expectável, os primeiros meses numa nova empresa exigem um maior acompanhamento para formação e orientação, pelo que tivemos a preocupação de passar a integrar uma comunicação mais regular com os novos membros, precisamente para que, estando em modo remoto, pudessem ver as suas dúvidas respondidas.

Atualmente, procuramos que todos se sintam parte da Talkdesk, mesmo sem nunca terem ido aos escritórios ou terem estado com os colegas. Esse trabalho está a ser garantido pelos managers com o apoio da vice-presidente de recursos humanos, sendo que fazemos um inquérito mensal, que permite que cada um partilhe como se sente em relação à empresa. Para nós, o feedback é essencial.

O teletrabalho trouxe ainda novos benefícios e dinâmicas para colaboradores, entre as quais certificações de competências, acesso a dias de descanso adicionais, “no meeting days” (dias sem reuniões), serviços de apoio à saúde mental e incentivo à atividade física, bem como outros serviços externos que visam garantir um maior acompanhamento de todas as equipas, que nesta fase é fundamental para garantirmos a motivação e bem-estar das nossas equipas.

Entre os planos para 2021 temos previsto o lançamento de um modelo de escritório do futuro, de forma a garantir um espaço físico de ligação tecnológica forte, que funcionará como ponto de encontro para todos e permitirá um modelo “híbrido” em que cada um escolherá de onde trabalhar: casa ou escritório.

A APCC estima que a exportação de serviços nos centros de contacto deverá crescer a dois dígitos em 2021. Revêem-se nestas previsões? Qual a vossa estimativa para este mercado?

A Talkdesk vive um momento de grande crescimento, com mais de 1.800 empresas em mais de 75 países, um pouco por todo o mundo, a confiarem-lhe as suas interações com os clientes (…).

Embora algumas empresas, historicamente, tenham vindo a fazer investimentos significativos nos seus contact centers como forma de proporcionar um melhor serviço de apoio ao cliente, a pandemia serviu de catalisador para um investimento acelerado em soluções baseadas na nuvem. Muitas marcas voltadas para o consumidor perderam o seu principal canal de retalho, o que tornou imperativa a necessidade de oferecerem um serviço de apoio ao cliente de excelência.

Como muitas empresas estão a transferir as suas operações para uma configuração totalmente remota pela primeira vez, as soluções baseadas na nuvem nativas da Talkdesk garantem que os agentes proporcionam uma experiência irrepreensível ao cliente, independentemente da sua localização. Nunca foi tão importante fornecer uma experiência única ao cliente e essa estimativa é um reflexo do quão crítica é esta necessidade.

No início do ano lançaram uma solução para facilitar a comunicação entre empresas/instituições e cidadãos no processo de vacinação contra a Covid-19. Que entidades estão a utilizá-la neste momento? 

A solução de administração de vacinas da Talkdesk foi desenvolvida para agilizar a comunicação entre os prestadores de cuidados de saúde e os pacientes que procuram vacinas para a Covid-19.  O processo de administração desta vacina é uma tarefa global complexa que requer proatividade no envolvimento com os pacientes em múltiplos níveis, de forma a assegurar resultados eficientes, seguros e eficazes. Assim, a nossa solução procura ajudar os profissionais de saúde envolvidos – incluindo as entidades envolvidas em Portugal – a administrar as vacinas de uma forma mais célere e eficiente e a aumentar o acesso dos pacientes através de uma comunicação contínua, fácil e conveniente. Temos várias organizações de prestadores de cuidados de saúde (farmácias, clínicas, hospitais) interessadas na solução e algumas estão agora a iniciar a sua implementação.  No entanto, não estamos neste momento a identificar publicamente estes clientes. A solução de vacinação da Talkdesk está disponível para prestadores de cuidados de saúde em todo o mundo, incluindo em Portugal.

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